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Análise Documental

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Tabela de conteúdo

Contextualização

A importância de Análise Documental consolida-se cada vez mais perante a actual sociedade da informação. As tecnologias da informação e comunicação (TIC) têm impulsionado a divulgação e o intercâmbio de informação através do estabelecimento de redes e, de certa forma, influenciado as possibilidades de processamento das informações, por exemplo, ao facilitarem o manuseamento de grandes volumes de documentos (Peña Vera & Morillo, 2007).

Contudo, os processos centrais que envolvem a Análise Documental a que se submetem diversas fontes e recursos de informação continuam a depender da capacidade e metodologia aplicada pelos investigadores. Por trás de cada discurso presente numa fonte documental sujasse uma informação que pode ser descoberta pela capacidade intelectual e pela perspicácia do investigador que analisa a informação (Peña Vera & Morillo, 2007).

O que é Análise Documental

A definição de Análise Documental tem sido exposta por diferentes investigadores e estudiosos do tema. Contudo, diferentes matizes e aspectos centrais tem prevalecido ao longo de algumas décadas. Vickery (1970) refere que esta técnica responde a três necessidades informativas dos utilizadores, sendo estas (i) conhecer o que os outros investigadores têm feito sobre uma determinada área/assunto; (ii) conhecer segmentos específicos de informação de algum documento em particular; e (iii) conhecer a totalidade de informação relevante que exista sobre um tema específico.

Para Carmo & Ferreira (1998) a AD é um processo que envolve selecção, tratamento e interpretação da informação existente em documentos (escrito, áudio ou vídeo) com o objectivo de eduzir algum sentido. No processo de investigação é necessário que o investigador recolha informação de trabalhos anteriores, acrescente algum valor e transmita à comunidade científica para que outros possam fazer o mesmo no futuro. Trata-se, portanto, de estudar o que se tem produzido sobre uma determinada área para poder “introduzir algum valor acrescido à produção científica sem correr o risco de estudar o que já está estudado tomando como original o que já outros descobriram.” (Carmo & Ferreira, 1998:59).

Assim, a técnica da Análise Documental caracteriza-se por ser um processo dinâmico ao permitir representar o conteúdo de um documento de uma forma distinta da original, gerando assim um novo documento (Piña Vera & Morilla, 2007).

Para Sánchez Díaz & Vega Valdés (2003) a Análise Documental encarrega-se da análise sobre o conteúdo do documento, orientando-se basicamente na representação, organização e localização das informações. Esta técnica permite criar uma informação nova (secundária) fundamentada no estudo das fontes de informação primária. Assim, a informação secundária cria-se com a influência directa da primária, num processo que relaciona a descrição bibliográfica, a classificação, a elaboração de anotações e de resumos, e a transcrição técnico-científica. Neste contexto, os autores afirmam que a Análise Documental procura dar ordem aos caos e solucionar problemas.

Por outro lado, Coutinho et all. (2009) referem como dados primários àqueles que a própria investigação produz, por exemplo, os dados recolhidos através da aplicação de uma entrevista ou questionário. Os dados secundários são definidos como as informações já produzidas que o investigador recolhe, ou seja, não há a influência do investigador sobre a fonte de informação. Assim, os autores enfatizam que todo o acto de investigação é necessário pensar sobre as formas de recolher as informações que a própria investigação vai proporcionando ou de recolher informação já produzida.

Quivy & Campenhoudt (1992: 201) utilizam o termo “recolha de dados preexistentes”, onde se pode enquadrar a Análise Documental. Os autores indicam que o investigador pode recolher dados para estudá-los por si próprios ou para encontrar informações úteis para estudar outros objectos. Estes documentos podem ser manuscritos, impressos ou audiovisuais, oficias ou públicos, privados ou de algum organismo, contendo texto ou números.

Para além dos documentos escritos, esta técnica é também aplicada sobre imagens (fotografias, pinturas, mapas, artefactos), sobre áudio (músicas) e sobre documentos audiovisuais (vídeos). Com as tecnologias da informação e comunicação cada vez mais difundida na sociedade actual, os conteúdos digitais também são documentos utilizados pelos investigadores. Informações contidas em web sites, blogs, wikis, comunidades online, entre outras, estão a ser fonte de recolha de dados para a investigação (Gray, 2004; Denscombe, 1998).

O processo de validação dos dados provenientes desta variada fonte documental engloba, sobretudo, o controle da credibilidade dos documentos e das informações que eles contêm. Denscombe (1998) chama a atenção especialmente para as informações contidas na Internet, onde a questão da autoria, credibilidade e autenticidade é por muitas vezes difícil de ser estabelecida. Também é considerado no processo de validação do dados a sua adequação aos objectivos e às exigências do trabalho de investigação (Denscombe, 1998; Quivy & Campenhoudt, 1992).

Quando utilizar esta técnica

Como é possível visualizar no esquema da página inicial, a técnica da Análise Documental enquadra-se nos diversos paradigmas de investigação – qualitativo, quantitativo e misto. Segundo Quivy & Campenhoudt (1992) a análise de documentos é especialmente importante na análise de (i) fenómenos macro sociais, demográficos e socioenonómicos; (ii) mudanças sociais e do desenvolvimento histórico; (iii) mudanças a nível organizacional; e (iv) ideologias, sistemas de valores e da cultura.

Conforme Denscombe (1998), a revisão de literatura enquadra-se na Análise Documental, devendo esta ser uma esta etapa que todo o investigador deve envolver na sua investigação. A revisão de literatura apresenta as seguintes funções para a investigação: (i) ter conhecimento sobre os trabalhos existentes e disponíveis na sua área; (iii) conhecer os conteúdos, as questões cruciais, e as lacunas existentes no actuas estado do conhecimento na área; e (iii) promover uma visão sobre as bases e os rumos das investigações.

Instrumentos relacionados

A técnica da Análise Documental recorre mais frequentemente à utilização dos seguintes instrumentos de recolha de dados:

Ficha de Leitura

Análise de Conteúdo

Análise Estatística

Bibliografia

Carmo, H. & Ferreira, M. (1998). Metodologia da Investigação. Lisboa: Universidade Aberta.

Coutinho, C.; Sousa, A.; Dias, A.; Bessa, F.; Ferreira, M.; Vieira, S. (2009). Investigação-acção: metodologia preferencial nas práticas educativas. Psicologia, Educação e Cultura, XIII (2): 455-479.

Denscombe, M. (1998). The Good Research Guide for small-scale social research projects. Open University press: Philadelphia.

Gray, D. (2004). Doing Research in the Real World. London: SAGE Publications.

Peña Vera, T.; Morillo, J. (2007). La Complejidad de Análisis Documental. Información, Cultura y Sociedad, (16): 55-81.

Quivy, R. & Campenhoudt, L. (1992). Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva.

Sánchez Díaz, M.; Vega Valdés, J. (2003). Algunos aspectos teórico-conceptuales sobre el análisis documental y el análisis de información. Ciencias de la Información, 34 (2): 49-60.

Vickery, M. (1970). Techniques of information retrieval. London: Butterworths.


Ver Técnicas e Instrumentos de Recolha de Dados na Investigação em Educação