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Análise de Conteúdo

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Tabela de conteúdo

O que é Análise de Conteúdo

A Análise de Conteúdo é um instrumento que permite o investigador estudar o comportamento humano de forma indirecta, através da análise das suas comunicações. Geralmente são analisados os conteúdos escritos de uma comunicação, mas, por exemplo, uma imagem ou um som podem ser foco de uma análise de conteúdo (Fraenkel & Wallen, 2008). Periódicos, artigos, filmes, músicas, grafitti, fotos, objectos de artesanato, enfim, uma série de espécies de comunicações que reflectem o comportamento humano pode ser alvo de uma análise de conteúdo.

Genericamente Denscombe (1998) caracteriza este instrumento como um recurso que ajuda o investigador a analisar o conteúdo de documentos, podendo ser aplicado em qualquer conteúdo de comunicação, reproduzida através de escrita, som ou imagem.

Actualmente, com a evolução das novas tecnologias, nomeadamente das ferramentas da Web 2.0, as fontes de comunicações são cada vez mais diversas. Blogs (posts e comentários), wikis, comunidades online e ambientes virtuais 3D, por exemplo, estão cada vez mais a ser alvo de investigação e, consequentemente, seus conteúdos sujeitos a uma análise (Gray, 2004).

Para realizar uma Análise de Conteúdo o investigador precisa organizar uma amostra considerável de material. Mas como fazer isto? Fraenkel & Wallen (2008) indicam que é através do desenvolvimento de um sistema de categorias que o investigador pode usar para posterior comparação de forma a iluminar o que se está a investigar.

Segundo Berelson (1968), citado por Carmo e Ferreira (1998), a Análise de Conteúdo “permite fazer uma descrição objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto das comunicações, tendo por objectivo a sua interpretação”. Assim, a descrição do conteúdo é objectiva no sentido do esforço de análise seguir regras e instruções claras que permitem a reprodução da investigação entre os investigadores, ou seja, torna possível atingir os mesmos resultados ao trabalhar sobre o mesmo conteúdo. A descrição do conteúdo também é sistemática, pois o conteúdo é organizado e integrado num sistema de categorização de acordo com os objectivos da investigação. Finalmente, a descrição é quantitativa, uma vez que nas categorias criadas geralmente é calculada a frequência dos elementos considerados relevantes para a investigação.

Bardin (2004) aprofunda os conhecimentos sobre a Análise de Conteúdo e salienta que esta deve ir além da mera descrição do conteúdo das mensagens, e incluir a inferência de conhecimentos sobre as condições de produção/recepção do conteúdo com o apoio de indicadores. Assim, o processo de análise envolve primeiramente um esforço de descrição, onde as características da comunicação são trabalhadas, seguido por um esforço de inferência, que permite passar da descrição para a interpretação, ou seja, atribuição de significado a estas características.

A Análise de Conteúdo”, enquanto esforço de interpretação, esta procura equilibrar o rigor da objectividade e a riqueza da subjectividade. Segundo Bardin (2004: 37) este tipo de análise é: “[…] um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de reprodução/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens”. As inferências podem ser feitas tanto sobre o emissor quanto ao receptor da comunicação, ou seja, sobre a origem da mensagem e do próprio destinatário.

A Análise de Conteúdo considera a articulação entre a descrição e análise do texto descrito, e a dedução lógica dos factores que determinaram as características dos elementos característicos.

Fases da Análise de Conteúdo

Focado sobre os objectivos do estudo e do quadro de referência teórico, a Análise de Conteúdo é realizada através de uma série de etapas. Com base nos autores Bardin (2004), Carmo & Ferreira (1998) e Pardal & Correia (1995), estabelece-se as seguintes fases:

1. Definição de categorias para separar os dados observáveis;

2. Definição de unidades de análise;

3. Distribuição das unidades de análise pelas categorias anteriormente estabelecidas;

4. Interpretação dos resultados obtidos nas perspectivas qualitativas e/ou quantitativas.

Tipos de Análise de Conteúdo

Grawitz (1993) distingue três grupos de Análise de Conteúdo:

1. Análise de exploração e análise de verificação

Confrontam-se aqui duas diferentes finalidades da análise: - a de verificação de uma hipótese, onde o objectivo é bem definido e resulta na quantificação dos resultados; - a de exploração, onde não há hipóteses previamente definidas, e permite conduzir a diversos resultados. Contudo, a sistematização exagerada da análise pode deixar de fora do campo de estudo elementos essenciais que não foram previstos antecipadamente.

2. Análise quantitativa e análise qualitativa

A quantitativa centra-se sobre a frequência dos elementos caracterizados, já a qualitativa foca sobre o valor de um tema, a novidade, o interesse.

3. Análise directa e Análise indirecta

Relacionada com a análise quantitativa, a forma directa envolve um procedimento mais simples, onde se recorre geralmente à comparação de frequências (número de ocorrências) de certos elementos em análise. A análise indirecta relaciona-se mais com a natureza qualitativa, e interessa-se sobre uma interpretação sobre o que está por trás da linguagem expressa.

Aspectos relevantes da Análise

Segundo Fraenkel & Wallen (2008), a Análise de Conteúdo pode ser utilizada, por exemplo, ao procurar descrever tendências na escolarização; compreender padrões organizacionais (por exemplo, através da análise de documentos preparados pelos administradores); demonstrar como diversas escolas enfrentam o mesmo fenómeno, mas de forma diferente; perceber o que os professores sentem sobre a sua profissão. Wilkinson & Birmingham (2003) classifica a análise de conteúdo como um instrumento de investigação que pode ser aplicado no momento em que o investigador é confrontado com os resultados de uma investigação ou com os da sua própria. Por exemplo, o que fazer com os dados recolhidos pela entrevista? O que fazer com as notas do diário do investigador? O que fazer com as imagens produzidas através da técnica Photovoice? Estas são apenas algumas questões que os investigadores se deparam ao aplicarem as suas técnicas e instrumentos de recolha de dados.

VANTAGENS

Ajuda a responder perguntas do tipo: o que fazemos com os dados recolhidos pela entrevista? O que fazer com as notas do diário do investigador? A análise de conteúdo apresenta-se como uma técnica extremamente útil para analisar os dados de entrevistas e observações. Segundo Fraenkel & Wallen (2008), a principal vantagem da análise de conteúdo é a inexistência de intromissão. Como o investigador interage com materiais (documentos, som, imagem), ele(a) pode “observar” sem ser observado pois não há aqui influência da presença do investigador. A informação que pode ser difícil, ou mesmo impossível de se obter através de observação, pode ser analisada sem que o seu autor tenha consciência de que esteja a ser analisado.

Outro aspecto positivo é o de permitir ao investigador não ficar preso ao tempo e ao espaço para o estudo de eventos presentes. O investigador pode resgatar/remexer registos para obter algum significado para a vida social de um tempo mais actual.

Os aspectos logísticos são igualmente vantagens desta técnica por ser geralmente simples e económica. Isto é bem caracterizado ao tratamento de jornais, revistas e livros, por exemplo. Outra potencialidade é que esta técnica permite a replicação da mesma investigação por outro investigador, uma vez que os dados estão disponíveis e quase sempre podem ser “retornáveis”.

LIMITAÇÕES

Geralmente existe uma tendência entre os investigadores de considerar que as interpretações de uma dada análise de conteúdo indicam ser mais uma causa de um fenómeno do que uma reflexão sobre isso (Bardin, 2004).

Instrumentos Relacionados

Outros instrumentos que se apresentam frequentemente articulados com a Análise de Conteúdo:

Diário do Investigador

Entrevista

Questionário

Checklists

Fichas de Leitura

Bibliografia

Bardin (2004). Análise de Conteúdo. 3ª Ed. Lisboa: Edições 70.

Carmo, H.; Ferreira, M. (1998). Metodologia da Investigação: Guia para auto-aprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta.

Denscombe, M. (1998). The Good Research Guide for small-scale social research projects. Philadelphia: Open University press.

Fraenkel, J.; Wallen, N. (2008). How to Design and Evaluate Research in Education. 7th Ed. New York: McGraw-Hill International Edition.

Gray, D. (2004). Doing Research in the Real World. London: SAGE Publications.

Pardal, L.; Correia, E. (1995). Métodos e Técnicas de Investigação Social. Porto: Areal Editores.

Wilkinson, D.; Birmingham, P. (2003). Using Research Instruments: A Guide for Researchers. London: RoutlendgeFalmer.


Ver Técnicas e Instrumentos de Recolha de Dados na Investigação em Educação