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Teoria dramatúrgica (Goffman)
Introdução
Goffman analisa o comportamento humano como uma metáfora teatral. Os indíviduos são actores que actuam num "palco" (contexto habitual de interacção), estruturando o seu desempanho para impressionar a "plateia" (outros indivíduos). A comunicação interpessoal é, assim, uma representação, na qual são apresentadas as várias vertentes do eu.
Premissa fenomenológica: um acontecimento organizado converte-se na realidade do momento para o indivíduo.
A reacção frequente de um individuo a uma situação nova é a interrogação. Este questiona-se sobre o que está a acontecer naquele momento. A primeira definição, como demonstrou Goffman, não é, na maior parte das vezes, a mais correcta, sendo necessário fazer uma nova definição da situação.
Termos relacionados:
- Faixa (strip): qualquer sequência arbitrária de actividade; - Estrutura (frame): elemento básico de organização utilizado na definição de uma situação; - Análise de estrutura (frame analysis): exame dos processos pelos quais a experiência é organizada para o indivíduo.
A estrutura confere significado às actividades do quotidiano. Uma "estrutura natural" é um evento não-guiado da natureza, com o qual o indivíduo tem de lidar. Por sua vez, uma "estrutra social" é vista como guiada e controlável. Os seres humanos possuem, assim, algum controle na estrutura social.
Interacção face-a-face (face engagement)
Também denominado "encontro", ocorre quando os indivíduos têm um único foco de atenção e uma só actividade muito percebida. Por outro lado, na interacção não-focalizada as pessoas em locais públicos reconhecem a presença de outros mas não focalizam a sua atenção. Durante a interacção desenvolve-me a relação, com comunicação verbal e não-verbal, sendo que é definida mutuamente a situação.
"Estou sugerindo que, com frequência, o que os faladores se empenham em fazer não é dar informação a um ouvinte mas representar pequenas peças de teatro para uma plateia. Na verdade, parece que consumimos a maior parte do nosso tempo empenhados não em dar informações mas em oferecer shows. E observa-se que essa teatralidade não se baseia em meras exibições de sentimentos ou falsas demonstrações de espontaneidade ou qualquer outra coisa a que pudessemos chamar depreciativamente uma encenação teatral. O paralelo entre o palco e a conversação é muito mais profundo do que isso. A questão é que, ordinariamente, quando um indivíduo diz alguma coisa, não a diz como uma declaração franca e desassombrada de um fato baseado em sua própria convicção e em seu nome pessoal. Ele está simplesmente recitando. Percorre toda uma faixa de eventos já determinados, para encantar ou cativar os seus ouvintes" (Goffman - "Frame analysis", p. 508)
Tal como acontece com o actor no palco, o indivíduo representa diferentes personagens, dependendo do papel de interacção. Assim sendo, existe o actor e o personagem, sendo que o ouvinte está disposto a envolver-se na caracterização que lhe é apresentada. Porém, na interacção não-focalizada também são apresentadas pequenas cenas. Segundo Goffman, o eu é determinado por estas dramatizações.Para o autor, o eu é "um efeito dramático que decorre difusamente de uma cena que é representada, e a questão característica, o problema crucial, é se ela será apreciada ou depreciada".
O processo de definição da situação divide-se em duas partes: na primeira, a pessoa necessita de informação sobre as outras pessoas na situação, enquando que na segunda o indivíduo precisa de informações sobre si mesmo. Desta forma, as pessoas conseguem perceber o que espera delas, o que ocorre normalmente de uma forma indirecta, através da observação do comportamento próprio com o objectivo de gerir as impressões que o indivíduo fornece aos outros. A auto-apresentação é uma questão de gestão de impressões, em que o indivíduo influencia a definição da situação, projectando uma determinada impressão.
Visto todos os indivíduos projectarem uma imagem numa determinada situação, esta acaba por ser definida globalmente, de uma forma bastante unificada. Nesse sentido, ocorre uma pressão moral no sentido de manter a situação. Não é suposto que a imagem estabelecida inicialmente seja contradita. A organização da sociedade baseia-se neste princípio.
- Localized face-to-face interactions (Zhao)
- Técnicas de auto-apresentação, segundo Leary