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Checklists

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Checklists: listas de verificação, escalas de avaliação e rubricas de desempenho

Investigadores em educação frequentemente recorrem a listas de verificação, escalas de avaliação e rubricas de desempenho para recolherem dados de natureza quantitativos com vista a sistematizar observações, comportamentos ou acções que, de uma outra forma, seriam difíceis de recolher e sistematizar.

Apesar de existirem checklists pré-estabelecidas, padronizadas, os investigadores que optam pelo uso destes instrumentos, muitas vezes preferem elaborar um à medida dos seus objectivos, do contexto e dos participantes. Uma checklist bem elaborada contribui para padronizar observações. Num ambiente de sala de aula, o investigador pode, por exemplo observar os alunos e simplesmente marcar um determinado comportamento sempre que um dos alunos da turma realize uma das acções. Podem ser, portanto, utilizadas para monitorar mudanças de comportamento dos alunos, no caso de uma investigação-acção, por exemplo. Estes instrumentos também podem ser elaborados juntamente com os alunos e utilizados por eles para que possam registar o seu próprio desempenho.

Estas checklists funcionam como uma lista de critérios ou itens que o investigador procura encontrar. O objectivo é fornecer um nível de rigor no processo de recolha de dados e garantir que os dados são fiáveis e válidos.

Para demonstrar que um instrumento elaborada pelo investigador como estes é adequado, seria necessário reunir provas de que é fiável e válida. Para um instrumento de recolha de dados de observações, o mais importante de é a consistência inter-observadores, i.e., a coerência ou precisão quando duas ou mais pessoas estão a observar e registar dados sobre o mesmo cenário. Para tal, muitas vezes é necessário treinar os vários observadores no uso da checklist, e debater as discrepâncias para efectuar as devidas modificações com o intuito de obter um instrumento válido.

A validade das checklists implica tanto o conteúdo como a sua utilização. Os itens de uma checklist podem ser analisados por um grupo de especialistas nas áreas abordadas pelo instrumento para avaliar a validade de conteúdo. A validade também pode ser analisada em investigações de forma a encontrar evidências que confirmem a sua validade.

Todos estes instrumentos são susceptíveis de problemas que possam comprometer a sua validade. A maioria desses problemas ocorre porque o observador/investigador que está a fazer um julgamento e a registar o acontecimento pode distorcer a realidade.

lista de verificação

A lista de verificação fornece a indicação sobre a presença ou ausência de certos elementos no desempenho avaliado. Esta orienta a atenção do observador para aspectos dos domínios cognitivo, afectivo ou psicomotor que, por serem considerados importantes e/ou por terem sido seleccionados para observação, foram incluídos na grelha (Gott & Duggan, 1995).

A lista pode ser mais ou menos estruturadas, ou seja, pode limitar-se ao registo do julgamento de uma observação (com todas as desvantagens inerentes à subjectividade da observação), ou pode permitir que sejam registadas também os factos que conduziram a um determinado julgamento por parte do observador (permitindo assim criar condições mais objectivas para a reapreciação dos factos ocorridos). A lista de verificação, como o nome indica, é geralmente constituida por uma enumeração de aspectos que se pretende verificar se o aluno domina e/ou é capaz de executar ou não. Tamir (1990) defende o seu uso para avaliar o domínio de skills e de técnicas, pois o investigador/professor pode observar os alunos e assinalar os itens que se aplicam (ou não) a cada um.

Figura 1a. Exemplo de uma lista de verificação. Ficheiro:Checklist_verificacao.png


Figura 1b. Exemplo de um outro tipo de lista de verificação. Ficheiro:Checklist_selfesteem.png

escalas de avaliação

A escala de avaliação, sendo também uma checklist, permite sistematizar, de forma clara, a que nível os objectivos previamente determinados foram atingidos.

As escalas são pré-estabelecidas em instrumentos padronizados. Em instrumentos criados pelo professor/investigador para objectivos pretendidos no âmbito da investigação, as escalas variam consoante as questões de investigação e o contexto. Este tipo de instrumento pode recorrer a escalas Likert ou escalas de diferencial semântico. Por exemplo, o professor/investigador pode recorrer a uma escala numérica, onde pode, por exemplo, classificar cada critério numa escala de 1 a 5 (ver exemplos).

Escalas de avaliação são amplamente utilizados na investigação uma vez que possibilitam uma resposta flexível com a capacidade de determinar as frequências, as correlações e outras formas de análise quantitativa. Elas oferecem ao investigador a possibilidade de fundir a medição com o parecer, a quantidade e a qualidade.

Embora consideradas poderosas e úteis para a investigação, é necessário estar ciente das limitações. Por exemplo, o investigador pode inferir algo que os dados não evidenciam.

Figura 2. Diferentes tipos de escalas de avaliação

Ficheiro:Escala1.png

Ficheiro:escala2.png

Ficheiro:escala3.png

rubrica de desempenho

Uma rubrica de desempenho pode ser definida como: “[...] um sistema de classificação pelo qual o professor determina a que nível de proficiência um aluno é capaz de desempenhar uma tarefa ou apresentar/evidenciar conhecimento de um conteúdo/conceito. Trata-se de explicitar, através de uma descrição detalhada, os níveis de qualidade de um desempenho ou de um produto. Com rubricas podem definir-se os diferentes níveis de proficiência de cada critério. O desempenho em cada nível deve ser claramente definido e traduzir rigorosamente o critério correspondente” (Airasian, 1991; Popham, 1995; Stiggins, 1994 em MEC2 2001).

Busching (1998) define uma rubrica como "um mecanismo que orienta o professor na avaliação qualitativa dos alunos, fornecendo tanto os indicadores como as referências para o alcance desses critérios". O recurso às rubricas permite assim "aumentar a consistência da avaliação, uma vez que indica ao avaliador o que deve ser verificado nos trabalhos dos alunos e o nível de proficiência de cada tarefa realizada".

Heidi Goodrich, considerado especialista em rubricas, classifica como "a scoring tool that lists the criteria for a piece of work or 'what counts."

Rubricas são outro tipo de checklists que permitem sistematizar o processo de observação. Os dados recolhidos são muitas vezes de natureza qualitativa. A rubrica é essencialmente um conjunto de objectivos ou critérios padronizados que são conjugados, em forma de grelha, com os vários níveis de realização. Habitualmente a rubrica inclui uma explicação dos critérios utilizados para obter a classificação.

Figura 3. Exemplo de Rubrica para avaliação de um Portefólio Ficheiro:Rubrica_portfolio.jpg


bibliografia

Airasian, P.W. (1991). Classroom assessment. N.Y.: McGraw-Hill.

Busching B., (1998) Grading Inquiry Projects, In: Anderson, Rebecca S., Speck, Bruce W. (Editors), Changing the Way We Grade Student Performance, p.89-96.

Gott, R. & Duggan, S. (1995). Investigative work in the science curriculum. Buckingham: Open University Press.

Jupp, V.; Sapsford, R. (2006). Data collection and analysis. London, SAGE.

Leite, L. (2000). O trabalho laboratorial e a avaliação das aprendizagens dos alunos. In Sequeira, M. et al. (org.). Trabalho prático e experimental na educação em ciências. Braga: Universidade do Minho, 91 - 108.

Popham, W. J. (1995). Classroom assessment: What teachers need to know. Needham Heights, MA: Allyn and Bacon.

Stiggins, R. J. (1994). Student-centered classroom assessment. NY: MacMillan.

Tamir, P. (1998). Assessment and evaluation in science education. In Fraser, B. & Tobin, K. (Ed.). International handbook of science education. Dordrecht: Kluwer Academic publishers, 761-790.


Técnica relacionada: ver Observação

Ver Técnicas e Instrumentos de Recolha de Dados na Investigação em Educação