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Cultura digital/enquadramento/aprendizagem colaborativa

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Enquadramento


Aprendizagem colaborativa

As revoluções tecnológicas vieram alterar os modos de se construir conhecimento, que se difunde, cresce e se tornou num saber colectivo, pertença de todos e de ninguém em particular. A sociedade actual conduz-nos inevitavelmente a um maior trabalho intelectual, a maior criatividade, e à desmaterialização física, possível com a utilização das tecnologias digitais numa sociedade em rede (Castells, 2002).

Segundo o referido autor “as redes constituem a nova morfologia das sociedades e a difusão da sua lógica modifica substancialmente as operações e os resultados dos processos de produção, experiência, poder e cultura. Embora a organização social, sob a forma de rede, tenha existido noutros tempos e lugares, o novo paradigma da tecnologia da informação fornece as bases materiais para a expansão da sua penetrabilidade em toda a estrutura social” (Castells, 2002: 607).

Essas mesmas bases estão directamente ligadas ao processo de democratização do saber, fazendo emergir novos espaços para a procura e compartilhamento de informações e de construção do conhecimento. Importa salientar que além da importância da tecnologia em si, o mais enriquecedor nesta sociedade são as possibilidades de interacção que elas proporcionam através do desenvolvimento de competências digitais com vista a uma maior literacia digital .

Na opinião de Lisbôa, Júnior e Coutinho (2010), a escola e os seus agentes têm de mudar os métodos e técnicas de ensino e pensar em formas eficientes e eficazes para preparar os estudantes para a sociedade do conhecimento e para a aprendizagem colaborativa.

Actualmente, aponta-se para abordagens activas, em que a aprendizagem é vista como um processo social que se desenvolve através da comunicação e da interacção com os outros, sendo o conhecimento construído a partir do confronto com as reacções e as respostas de outros elementos. As estratégias colaborativas de aprendizagem activa e interactiva, assentando no diálogo e na partilha, no confronto de ideias e no feedback dos pares, aumentam o envolvimento dos aprendentes produzindo um maior empenho no processo de ensino e de aprendizagem, numa perspectiva socioconstrutivista e conectivista.

Referiria ainda que a aprendizagem colaborativa potencia a inteligência individual e colectiva, onde o professor assume o papel de orientador, em que a aprendizagem é centrada no aluno, numa perspectiva proactiva e investigativa, sendo o aluno convidado a construir o seu próprio conhecimento, em rede e em colaboração com os pares. Kirschner, Paas, & Kirschner, (2009) argumentam que em relação à carga cognitiva, a aprendizagem individual se torna menos eficaz e eficiente comparada com a aprendizagem em grupo, à medida que aumenta a complexidade da tarefa.

Neste contexto, a utilização de ferramentas da Web 2.0. constituem uma mais-valia. No entanto, os alunos desenvolveram competências digitais ao nível da utilização informal de certas ferramentas (redes sociais), mas quando utilizadas em ambiente de aprendizagem, por vezes, não têm ainda consciência de todo o seu potencial educativo.

Com a utilização das ferramentas da Web 2.0 é fácil produzir trabalho de forma colaborativa, uma vez que permitem a co-autoria o que favorece a criação colaborativamente de diversas atividades (Coutinho & Bottentuit Júnior, 2007).

A escola deverá proporcionar espaços/comunidades de partilha e de permuta a todos os seus elementos. Importa desenvolver a capacidade de continuarmos a aprender ao longo do percurso de vida com a ajuda preciosa das tecnologias e através das conexões que estabelecemos em diversos espaços de aprendizagem a que Siemens (2003) define como ecologias de aprendizagem. Assim sendo, devemos conhecer a forma de aceder às boas fontes de informação, permitindo o acesso ao conhecimento e à aprendizagem. Esses espaços transcendem as instituições escolares e materializam-se numa nova sociedade, em rede, em que a colaboração e partilha de conhecimentos assumem uma relevância acrescida no actual contexto.

Segundo Lisbôa, Júnior e Coutinho (2010), as informações vivenciadas por cada indivíduo podem ser partilhadas com os pares que pactuam dos mesmos interesses e opiniões, podendo, a partir de um processo de colaboração, produzir novos significados, perspectivando aplicações dessas aprendizagens noutras situações vivenciais dos sujeitos. Considera-se, no entanto, que a colaboração ocorre quando, num grupo, todos os elementos trabalham e se apoiam mutuamente na consecução de um objectivo comum (Ponte, 2004).

A aprendizagem colaborativa é fruto de um novo modelo de sociedade, em que sendo a aprendizagem uma necessidade constante, se está a dar uma mudança de paradigma dessa aprendizagem, onde para além das competências anteriormente adquiridas como essenciais também passa a ser necessário o uso e domínio da tecnologia, a capacidade de resolução de problemas e a capacidade de trabalhar de forma colaborativa, de interagir com os pares num ambiente relacional positivo de entreajuda, cooperação e construção de saberes.

A aprendizagem colaborativa advém do novo modelo de sociedade surgindo inevitavelmente uma mudança de paradigma dessa aprendizagem, onde para além das competências anteriormente adquiridas como essenciais também passa a ser necessário o uso e domínio da tecnologia, a capacidade de resolução de problemas e a capacidade de trabalhar de forma colaborativa, de interagir com os pares num ambiente relacional positivo de entreajuda, cooperação e construção de saberes.