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Cultura digital/enquadramento/metodologia de projecto

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Enquadramento


Metodologia de Projecto

Subjaz à concepção desta Unidade Curricular, enquanto integradora de saberes e promotora de competências nos alunos da Universidade de Aveiro candidatos ao desempenho de funções docentes, a utilização da metodologia de projecto como forma de aprendizagem e de apropriação dos princípios dessa metodologia. Assim, os alunos terão que desenvolver projectos integradores, a partir de um problema real, o que lhes permitirá direccionar as suas próprias necessidades de aprendizagem.

De acordo com Laffy et al. (1998), a aprendizagem com base em projectos autênticos exige, por parte dos alunos, o desenvolvimento de novas formas de representação do próprio conhecimento e de estruturas de colaboração e de comunicação. Para Land & Greene (2000) esta metodologia permite o desenvolvimento de tarefas cognitivas complexas. Ainda segundo estes autores, os alunos, quando imersos em contextos baseados em projectos que privilegiam o aprender fazendo, mobilizam saberes e experiências anteriores na construção de novo conhecimento. No entanto, para Blumenfeld et al. (1991) a metodologia de projeto é também uma perspectiva de ensino, já que é definido, à partida, um conjunto de procedimentos que levam os alunos a efectuar um determinado percurso na construção do próprio conhecimento. Na senda destes autores, o professor necessita de criar oportunidades de aprendizagem, proporcionando o acesso à informação, apoiando e ajudando os alunos nas tarefas, encorajando-os a usar as suas aprendizagens e a desenvolver processos metacognitivos, analisando os progressos, diagnosticando problemas que vão surgindo, providenciando feedbacks e avaliando os resultados finais. Para Barron et al. (1998) uma das maiores dificuldades à implementação de um currículo com base na metodologia de projecto prende-se com o desconhecimento, tanto por parte dos alunos, como dos professores, dos seus princípios orientadores: (i) definição precisa e apropriada dos objectivos para a sua implementação; (ii) existência de estruturas de suporte ao desenvolvimento do projecto; (iii) criação de múltiplas oportunidades de monitorização e revisão do processo; (iv) desenvolvimento de estruturas sociais que promovam a participação e o espírito colaborativo.

Esta unidade curricular será concebida tendo como suporte uma metodologia de projecto, definida com referência aos princípios preconizados pelo The Buck Institute for Education (BIE), que se dedica a criar e a divulgar produtos e práticas de aprendizagem com base no Projet Based Learning (PBL) The Buck Institute for Education. Segundo este instituto, no PBL os alunos percorrem um longo trajecto com o objectivo de responder a uma determinada questão ou mesmo solucionar um problema real, que surge como um desafio. Para Barrows (2002), o PBL implica que os alunos não só desenvolvam múltiplos pensamentos sobre a causa de um problema específico, como também os mobilizem na tentativa de o resolver. Assim, e ainda segundo este autor, com esta abordagem centrada no desenvolvimento do aluno, é cada um deles que determina o que necessita aprender. Ou seja, cada um dos alunos, com base no problema com que se depara, é que identifica as lacunas no seu conhecimento, por forma a solucioná-lo, e define o seu percurso para os adquirir. O professor, na perspectiva de Barrows (op. cit.), funciona como tutor, facilitando e orientando cada um dos alunos no seu processo metacognitivo. Para tal, deverá levantar questões e promover a reflexão sobre conceitos que considera pertinentes para o decurso do processo. Esta abordagem, segundo Savery (2006), possibilita que os alunos desenvolvam a capacidade para efectuar pesquisas, relacionar e aplicar os conceitos teóricos a uma situação prática, como tentativa de identificar uma solução viável para um problema definido.

Para o Buck Institute for Education, o PBL pressupõe a existência de um rigoroso e aprofundado processo de ensino e de aprendizagem que se desenvolve a partir da colocação de uma questão. Inicia-se, assim, com a necessidade de ser criado um “produto final” para o desafio colocado, o que implica a mobilização de conhecimentos e conceitos específicos. Nesta perspectiva, a aprendizagem surge contextualizada, sendo apresentada aos alunos, de forma explícita, uma razão para aprender. Estes são, deste modo, colocados numa situação em que têm que expor um produto inovador, com base no processo de investigação efectuado, o qual poderá ser uma ideia, uma interpretação ou mesmo uma nova forma de mostrar o que aprenderam. Deste modo, o PBL requer que os alunos desenvolvam um pensamento crítico e o apliquem na resolução de problemas, mas que o façam em interacção e de forma colaborativa, sendo, para tal, necessário que aprendam a trabalhar em equipa. Assim sendo, nesta metodologia de trabalho, os alunos têm também que desenvolver competências comunicativas (orais e escritas), para aceder à informação escrita, nomeadamente através da leitura, e para expressar as suas ideias (oralmente e por escrito) de forma correcta, precisa e coerente. Uma vez que todo o processo inerente ao PBL pressupõe que os alunos aprendam a trabalhar de forma independente, esta perspectiva de ensino permite que os alunos desenvolvam a capacidade de tomar decisões, de assumir responsabilidades pelas opções tomadas, bem como de integrarem o feedback que lhes vai sendo dado, para melhorar o seu trabalho e apresentarem assim um “produto final” de qualidade superior. Espera-se, então, que, no final do PBL, o aluno apresente o seu trabalho publicamente, demonstrando, dessa forma, os contornos da sua participação e envolvimento no processo de aprendizagem e de construção de conhecimento.De acordo com Karaman & Celik (2008), o aluno poderá assim construir o seu conhecimento, de forma activa, através da sua implicação num trabalho com tarefas autênticas, nas quais se deve aplicar e ser capaz de apresentar as suas ideias. Para Grant & Branch (2005), o PBL é relevante, não apenas por implicar os alunos na construção da sua própria aprendizagem, mas também por permitir que os alunos representem essa mesma aprendizagem, pelo que o “produto final” é representativo de todo o processo desenvolvido pelo aluno.

A metodologia de Project Based Learning, para Marx et al. (1997), apresenta como principais benefícios para a aprendizagem (i) o facto de permitir o desenvolvimento de uma compreensão profunda e integrada dos conteúdos, (ii) o desenvolvimento de estratégias colaborativas, uma vez que os alunos têm que trabalhar em conjunto e em interacção na tentativa de encontrar respostas para os desafios que se lhes colacam, (iii) o incremento de uma responsabilidade individual e colectiva, na medida em que os alunos são implicados no seu próprio processo de construção de conhecimento, mas também se devem relacionar e interagir com os colegas com quem trabalham, (iv) e o envolvimento activo de cada um dos alunos, permitindo assim satisfazer as necessidades de aprendizagem de alunos diferentes.

Na implementação de um PBL, de acordo com Thomas (2000), é necessário que os projectos a desenvolver sejam vistos como elementos fulcrais de um currículo, que sejam focados em questões reais, e não apenas relevantes a nível académico, capazes de envolver significativamente os alunos numa investigação construtiva. Desta forma, e segundo Martinez & Schilling (2010), os alunos tornam-se participantes activos na sua própria aprendizagem, permitindo uma profunda compreensão dos conceitos. Uma das formas mais significativas para demonstrar a relevância das aprendizagens é dar oportunidade dos alunos aplicarem os conhecimentos que vão construindo a partir de um problema do mundo real, permitindo-lhes compreender a relevância dos conceitos que estão a aprender.

Deste modo, com esta unidade curricular pretende-se que os alunos mobilizem conhecimentos de diferentes áreas do saber e que desenvolvam competências, pessoais e profissionais, durante o processo de resolução de um problema concreto, para o qual terão apresentar uma solução.

O modelo de aprendizagem desta unidade curricular, seguindo a metodologia do Project Based Learning, organizar-se-á em torno de um projecto, para os quais os alunos terão que decidir como abordar um problema real (desafio) e definir quais as actividades necessárias para a sua prossecução. Este procedimento, segundo Karaman & Celik (2008), vai implicar que os alunos tenham que reunir informações de diversas fontes e que, sobretudo, sejam capazes de as sintetizar, analisar e, sobretudo, extrair conhecimento. Ainda na perspectiva destes autores, no final do processo, com a apresentação da solução para o problema, os alunos deveriam ser avaliados não apenas pelo “produto final”, revelador dos conhecimentos adquiridos, mas também pela forma como o comunicam.

No decurso da UC que se propõe, baseada no PBL, é necessário que se proceda a um rigoroso planeamento de todo o processo, no qual o professor tem um papel fundamental. Para Schmidt & Moust (2000), a implementação de um Project Based Learning requer que sejam atendidos alguns princípios, aos quais denominam “The Seven Jump”. Na perspectiva destes autores, é então necessário: (i) que sejam clarificados os diversos conceitos que subjazem ao problema a resolver; (ii) que o problema seja definido de forma explícita, ou seja, que o desafio seja apresentado sem ambiguidades; (iii) que se proceda a uma análise aprofundada do problema, com a inclusão de várias possibilidades para a sua explicação; (iv) que se analisem as explicações propostas e se produza uma descrição coerente dos processos subjacentes ao próprio problema; (v) que se formulem questões que orientem a aprendizagem; (vi) que se identifiquem as lacunas no conhecimento e, com base nelas, se oriente o estudo, isto é, que se formulem objectivos de aprendizagem; (vii) e que se partilhe com o grupo as suas conclusões e se tente integrar o conhecimento adquirido através da explicação compreensiva do problema.

Williams van Rooij (2009) considera que, na implementação de um Project Based Learning, deve existir uma estrutura pré-definida que permita orientar todo o percurso efectuado pelos alunos. Para que o processo seja efectuado de forma eficiente e eficaz, Molenda (2003) sugere que se estabeleça uma ordem lógica na concretização da metodologia a usar, com etapas definidas, de modo a que o resultado de cada uma delas proporcione a entrada na seguinte. Deste modo, sugere o modelo ADDIE, que inclui as seguintes fases: (i) Analysis, (ii) Design; (iii) Development; (iv) Implementation; (v) Evaluation. Segundo este autor, o projecto inicia-se com a análise de um problema real e a identificação de possíveis soluções. Nesta fase, procede-se ao reconhecimento das necessidades de aprendizagem e à definição de objectivos de desempenho. Posteriormente, já na fase de design, é estabelecido o conjunto de procedimentos que permitam o aprofundamento dos conteúdos e a especificação da ideia a implementar, tendo sempre que se considerar as finalidades do projecto, de forma a prosseguir com a sua concretização até à apresentação de um “produto final”. Na fase de desenvolvimento, são elaborados os materiais com vista à solução do problema inicial, que na fase de implementação são usados pelos alunos. Na fase de avaliação, procede-se à análise de todo o processo, no sentido de verificar de que forma o “produto final” permite ultrapassar o desafio que esteve na origem do projeto e, caso seja necessário, reformulá-lo. Segundo Molenda (op. cit.), os resultados da actividade de avaliação podem conduzir à necessidade de se reverem cada uma das etapas anteriores.

Seymour Papert, a distinguished professor at the Massachusetts Institute of Technology, is among a growing group of scholars who support project-based learning. Vídeo do site Edutopia sobre o PBL