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Cultura digital Enquadramento Plano Estratégico Conteúdos Avaliação

Até aos fins do século passado, as instituições do ensino superior instalaram-se confortavelmente num ambiente ecléctico, dentro dos muros de um conhecimento fechado e pontualmente partilhado. A globalização, o acesso à informação e a partilha de informação induziu mudanças drásticas na sociedade que algumas instituições ainda não foram capazes de acompanhar.

O novo ambiente académico que a sociedade, e indústria e mais importante, o que os alunos esperam, implicam um crescendo de mudanças. Os alunos querem fazer parte das instituições revendo-se nela em todas as dimensões das suas vivências: a académica, sem dúvida, mas integrando também a pessoal, a social e a ética. É neste ambiente volátil e dinâmico, anímico e orgânico, que as instituições são impelidas a promover a criação de conhecimento e a conceber um plano de disseminação e de comunicação dos processos de interacção potenciadores de avanços. A própria instituição tem que se assumir como uma instituição aprendente, recuperando o conceito de Peter Senge de learning organization. Saloman et al (1998), na mesma linha de Peter Senge referem que “organizations, like individuals, can learn”.

No paradigma de transformações sociais, económicas e mesmo filosóficas, a gestão do conhecimento tem um papel cada vez mais importante nas instituições, eventualmente mais crítico nas universidades. A dificuldade em lidar com a informação é evidente: está, de uma forma formal associado aos curricula, mas acima de tudo está associada às experiencias do aluno e todas as componentes não formais e informais dos processos de aprendizagem, tornando necessário dotar os alunos com competências para seleccionar informação e integra-la num processo de criação de conhecimento (pessoal e da instituição), enquadrado pelo conceito de inteligência colectiva. Adhikari (2010, p. 91) refere que “Therefore, these [academics] institutions are in need of an integrative discipline for studying, researching and learning about the knowledge assets – human intellectual capital and technology. “

Esta Unidade curricular tem o ambicioso objectivo de ser (mais) uma pedrada no charco de um satus quo que urge abanar de forma a adequar as aprendizagens feitas pelos alunos à Sociedade actual. Esta questão tem uma importância ainda maior dado que se trata da formação inicial de professores.

Na definição do plano estratégico para a Unidade Curricular procura-se responder à questão “Como promover uma reflexão partilhada sobre a cultura digital em educação?”. Como pressupostos base da definição estiveram os objectivos da Unidade Curricular e as competências delineadas para a Unidade Curricular.

John Dewey em 1944 sustentou que a educação ocorre em diferentes contextos e espaços que não os confinados a uma sala de aula. Esta assunção tem vindo a ter uma importância cada vez mais crescente e analisada no contexto actual com a introdução do modelo de Bolonha com a dimensão do life long learning. Desta forma, foi quase natural o entendimento de que a unidade curricular seria sustentada numa Comunidade de aprendizagem online. Downes (2006:22) refere-se a uma comunidade como the primary unit of learning, and that the instruction and the learning resources are secondary, arising out of, and only because of, the community. No momento apriorístico de definição das bases da definição da comunidade sentiu-se a necessidade de aprofundar dois aspectos: por um lado aprofundar o conceito de comunidade bem com os papéis do membros e por outro encontrar uma possibilidade de uma framework de dinâmicas que pudesse verter na comunidade desta UC um carácter camaleónico e anímico, rumo à sustentabilidade. Estando desde logo identificado o público-alvo para esta unidade curricular considerou-se importante mas acima de tudo relevante pelas oportunidades que oferece, a implementação de uma estratégia de mentoring aumentando as possibilidades e a riqueza intrínseca das interacções.

Estando embebida neste UC a metodologia de Projecto, concretizada num desafio proposto aos alunos, importa esclarecer quais os outcomes que se esperam. As competências definidas para a UC relevam o carácter intangível dos outcomes. Mas no contexto das aprendizagens autênticas, considerou-se particularmente relevante o equacionamento de “'outcomes tangíveis, serão desenvolvidos pelos alunos na lógica de desenvolvimento de projecto: Personal Learning Environment (PLE); e o outro, o e-portfólio. Sentiu-se ainda necessidade de estabelecer um quadro geral das fases que poderão ser previstas, constituindo as dinâmicas da unidade curricular. Estas constituem apenas uma possibilidade de organização podendo ter o papel (não menor) de constituir uma proposta a ser totalmente desconstruída.

Tabela de conteúdo

Palavras-Chave

Comunidade de aprendizagem Mentoring Mundos virtuais e ambientes imersivos Ple e-portfólio Metodologia de Projecto Framework de dinâmicas Objectivos da Unidade Curricular Competências da Unidade Curricular

Comunidade online

De acordo com Wenger et al. (2002) asComunidade de aprendizagemagem são grupos de pessoas que criam novo conhecimento através da cooperação e colaboração. Uma comunidade de aprendizagem online este paradigma é suportado pelas tecnologias da Internet. Segundo Kramer (2009) ideia de usar a tecnologia para conectar comunidades de alunos não é nova: remonta a 1925 e esteve na base do Movimento da Escola Moderna. Com a emergência das tecnologias, alargadas ao contexto online e móvel, as comunidades adquirem uma nova dinâmica que importa explorar.

No Ensino Superior, redes de aprendizagem pode ser um excelente meio para garantir que as faculdades, os alunos e os professores têm uma maior capacidade possível de agir livremente, de inovar, dentro dos limites da Universidade alargando-os para o mundo. Impõe-se, pois, uma analise alguns aspectos das Comunidades de aprendizagem de forma a sustentar algumas das opções tomadas ao longo do desenvolvimento do plano estratégico para esta unidade curricular.


Constituição da bolsa de mentores

Numa fase inicial terá de ser criada uma bolsa de mentores. Para isso, irá ser constituída uma equipa com os docentes da UC, que irá construir documentos orientadores dos direitos e deveres dos mentores, e dos critérios de selecção dos mesmos para esta bolsa.

Sabendo-se que um mentor deverá ter um papel de orientador do aluno, como um conselheiro mais velho, que o ajuda no seu percurso académico, sendo da responsabilidade do mentor fornecer suporte ao aluno, criar e promover desafios e facilitar uma visão professional (Walewski, 2010). Desta forma, foram delineados alguns princípios que poderão funcionar como uma base de orientação. Assim sendo, espera-se que o mentor:

> esteja interessado no desenvolvimento académico e profissional e no bem-estar do outro;

> tenha uma relação interpessoal com o(s) seu(s) aluno(s);

> promova os objectivos académicos e profissionais do aluno da forma que ele mais desejar;

> adeque os estilos de tutoria ao aluno, incluindo parâmetros como o género, etnia, cultira, nível socio-económico, capacidades físicas e sensoriais, etc.

> partilhe com o aluno histórias e experiências sobre o seu próprio percurso académico e professional (caso se aplique) e formas de ultrapassar os obstáculos;

> ajude o aluno a gerir a interacção com os docentes e com os colegas, nas aulas, na Comunidade de aprendizagem, noutros contextos;

> esteja disponível para “ouvir” os problemas e dificuldades do aluno e explore recursos para lidar com os mesmos;

> ajude o aluno a compreender como usar os recursos existentes.

Para divulgação da abertura de candidaturas à bolsa de mentores, deverá recorrer-se aos meios online da universidade (newsletter, página inicial, mailing list, redes sociais, etc.) dirigindo-se internamente às direcções de curso e aos estudantes, e externamente a entidades e indivíduos relacionados com as áreas científicas associadas aos cursos onde decorre a UC. Considera-se que, por uma questão de publicidade e maior angariação de participantes, também será benéfico realizar uma sessão presencial para esclarecimento sobre a bolsa de mentores.

A inscrição dos candidatos será feita online, bem como a publicação dos resultados. Terminado o prazo de candidatura, a seleção dos candidatos será feita pela equipa de docentes da UC. Considera-se que deverão ter uma maior pontuação os alunos que sejam do 2º ano do mestrado das áreas científicas da UC, pelo facto de ser mais facilmente criada empatia com os alunos do 1º ano, pela proximidade temporal da sua experiência pessoal no mesmo papel, conseguindo identificar-se com as dificuldades e desafios, e adequar o seu discurso e estratégias ao aluno, pelo facto da idade e experiência profissional ser mais semelhante; para além disso, e tal como será explorado detalhadamente no texto, a experiência como mentores será uma mais valia para a formação destes alunos, devendo a instituição beneficiá-los nesta oportunidade de crescimento académico. No caso de o candidato se tratar de um professor que esteja a frequentar um doutoramento na área, deverá obter uma pontuação menor do que os primeiros, mas superior a candidatos que sejam unicamente professores. O facto de estarem mais directamente envolvidos em actividades académicas pelo Doutoramento, faz com que à partida, consigam encontrar e usar recursos e estratégias de aprendizagem colaborativa e online com os alunos, de uma forma mais facilitada. No caso de serem apenas professores (em exercício ou não), terão uma pontuação menor do que os dois tipos de candidatos já referidos, mas devem ter vantagem em relação a outro tipo de profissionais, pela proximidade profissional aos alunos de quem serão mentores.

Para além dos critérios principais referidos, será considerado o currículo do candidato, nomeadamente a participação em projectos semelhantes, a realização de trabalhos de investigação e profissionais sobre as novas tecnologias da comunicação e a aprendizagem colaborativa.

Enriquecimento profissional/académico

Existem diversos benefícios que no desenvolvimento da função de mentor quer para um aluno como para um profissional. No caso dos alunos da UA, onde decorre a UC e o projecto, a participação na bolsa de mentores será um suplemento ao diploma, tal como previsto no modelo de Suplemento ao Diploma da UA (UA, 2009). Por sua vez, no caso de mentores que não sejam alunos, terão direito a um certificado para efeitos de currículo. De qualquer forma, o que um mentor pode “ganhar” com esta experiência vai muito para além de uma folha de papel a mais no seu currículo, tal como se descreve em mentoring, realçando-se benefícios como a criação de novas relações profissionais, a maior capacidade de auto-reflexão e de pensamento crítico sobre o seu próprio trabalho, e a satisfação pessoal de ver os alunos a ter sucesso com o seu apoio.

Sessão preparatória do mentoring da UC

Estando selecionado o grupo de mentores, deverá haver uma primeira sessão síncrona (presencial ou online) com a equipa de docentes. Apesar de se considerar que o ideal é ser uma sessão presencial, inclui-se a hipótese de ser feita online uma vez que alguns dos mentores poderão não ser alunos, e estarem geograficamente distantes da instituição, pelo que a sua participação tem de estar garantida via online. Nesse momento, será abordado o funcionamento da UC e da dinâmica de mentoring (calendarização, avaliação, participação na Comunidade de aprendizagem), esclarecendo-se as funções e papéis que terão de ser desempenhados, deveres e direitos, e que implicações haverá no processo de ensino-aprendizagem dos alunos e no próprio crescimento pessoal e profissional dos mentores.

Participação na Comunidade

Na primeira sessão presencial da UC um dos grandes objectivos é que docente, alunos e mentores se conheçam, de forma a facilitar a associação dos alunos aos mentores, inicialmente com base no contacto informal aí proporcionado. Mais uma vez se salvaguarda, que alguns dos mentores possam participar não presencialmente, mas de forma síncrona através de comunicação online. Um determinado membro será mentor de um aluno definido se três condições estiverem garantidas: a) o mentor estiver na bolsa; b) o mentor quiser; c) o aluno o aceitar e reconhecer. A associação mentor-aluno não deve ser imposta, mas antes espontânea. Tratando-se de uma relação que terá maioritariamente um carácter informal, alunos e mentores devem partilhar quais as necessidades, interesses, experiência pessoal e profissional relacionada com a UC, podendo esta troca ser feita quer na sessão presencial como na Comunidade de aprendizagem, pré e após a sessão presencial, após proposta pelo docente da UC. Espera-se que os alunos descrevam as suas competências actuais no âmbito da UC e quais aquelas que consideram ser as competências que gostariam de desenvolver ou que sentem necessidade. Os mentores, podem também fazer a sua apresentação, formalmente ou partilhando a sua presença online, onde os alunos podem conhecer os seus interesses, experiência, e redes sociais. Então, através de comunicação ao docente da UC e, posteriormente, à comunidade, serão definidos os pares de aluno-mentor existentes.

Na figura seguinte encontra-se um esquema das diversas dinâmicas passíveis de ocorrer na Comunidade de aprendizagem e os vários membros da mesma.

Membros da comunidade


Ao nível da comunidade, os mentores terão um papel de veteranos, partilhando a sua experiência e usando-a para apoiar os alunos, motivá-los e gerar reflexão sobre os temas que são lançados na comunidade, de forma a facilitar a integração dos alunos - newbies, É pela auto-regulação da comunidade que um aluno se pode tornar um veterano, ao desenvolver competências que o tornem mais autónomo e capaz de contribuir para o crescimento de outros. Considera-se que também será necessário que o(s) docente(s) da UC esteja(m) de retaguarda para evitar o desgaste dos veteranos por falta de incentivo, ou a criação de grupos específicos e especializados de veteranos dentro da comunidade. Além disso, sendo esta uma comunidade aberta, pode haver a participação de pessoas externas à UC, também elas veteranas, tais como professores em exercício (não pertencentes à bolsa de mentores), docentes de outras UC do curso, peritos, etc, cujo contributo poderá ser muito proveitoso para todos os membros.

As tendências da Comunidade de aprendizagem deverão ser definidas, principalmente, pelos alunos, integrando estes o papel de trendsetters trendsetters, . Serão eles a fazer a principal seleção e publicação de informação, disseminando-a na comunidade. Além disso, podem existir dentro do grupo de trendsetters, os alunos com um papel mais conector, de união social entre os vários membros, procurando que exista a participação de todos na comunidade, solicitando os colegas, seus mentores e outros participantes para a discussão e reflexão. Poderão também existir alunos que terão mais facilidade em desempenhar o papel de mavens, ao conseguir selecionar e partilhar informações de interesse para a comunidade, garantindo que surjam novos temas de debate, com acesso a recursos variados, partilhando fontes e estratégias de recolha e publicação de conteúdos. Por sua vez, os salesmen serão aqueles que conseguirão argumentar e persuadir outros membros, levando à tomada de decisões e de consensos com a participação activa de todos, conseguindo-se desta forma um maior sentido de pertença e confiança na comunidade. Considera-se que, os mentores, não devem ter um papel de trendsetters, pois isso poderá limitar a participação e espontaneidade dos alunos, ao terem um nível de conhecimento diferente. Assim, os mentores deverão ter um papel de trendfollowers, dando contributos para a sustentação das discussões, através da partilha com a comunidade e do suporte aos seus alunos respectivos para as questões em debate. O docente da UC também poderá, caso necessário, agir como trendsetters, trendfollower.

Apesar de membros de umaComunidade de aprendizagem, a contribuição e participação na mesma pode ser diferente, havendo os posters e lurkers. O trendsetters, que decorrerão na Comunidade de aprendizagem inclui diversas formas de participação de um poster, nomeadamente no papel de prosumer, ao ser simultaneamente consumidor e produtor de conteúdos. Além disso, as publicações realizadas vão influenciar a qualidade das reuniões online, das discussões, e das relações sociais aí desenvolvidas. A própria cultura de comunidade que é construída, sustenta-se na troca de informações entre os participantes e na gestão das interacções aí realizadas, mais uma vez orientando-se para a auto-regulação, essencial à sustentabilidade da comunidade.

Entende-se que a participação dos alunos deverá ser mais próxima do papel de poster do que lurker, e a qualidade das suas participações online, para além de ter consequências directas e indirectas na comunidade, tal como já referido, também será reflectida na avaliação. Sendo esta uma comunidade aberta, prevê-se que também existam lurkers, que podem observar e acompanhar a comunidade sem contribuir para a mesma. Esta possibilidade permitirá que, pessoas não ligadas directamente à UC ou mesmo à instituiçãoo, consigam aceder a conteúdos e discussões, desenvolvendo o seu próprio conhecimento e sentido crítico, e até, disseminar exemplos de práticas de referência aí partilhadas.

Outcomes tangíveis

Os outcomes desta unidade curricular integradora situam-se fundamentalmente ao nível dos outcomes intangíveis, emanados dos Objectivos da Unidade Curricular. Entende-se por outcomes intangíveis as competências que se esperam desenvolver. Estas competências devem ter como suporte a motivação, o espírito crítico e a capacidade de mudança face ao desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação. É no contexto das aprendizagens autênticas que se situa a definição dos outcomes tangíveis, tornando autênticas as competências desenvolvidas nesta unidade curricular integradora. Deste modo dois produtos, outcomes tangíveis, serão desenvolvidos pelos alunos. Um deles no âmbito individual, ou seja, cada aluno desenvolverá seu próprio Personal Learning Environment (PLE); e o outro, e-portfólio, no contexto de um trabalho em grupo formado por elementos da mesma área de formação. Não se pretende o “divórcio” entre este dois outcomes: antes dar duas vertentes de um todo.

Porque estes outcomes tangíveis têm actores e dinâmicas intrínsecas distintas, impõe-se uma breve consideração, explicando-os separadamente.

e-portfólio

O e-portfólio deverá resultar de um trabalho de grupo composto por alunos de uma mesma área de formação. Esta opção, já sustentada no enquadramento, permite promover por um lado a didáctica própria de cada área sem perder de vista o carácter simultaneamente integrado das competências na utilização das tecnologias no ensino. Este trabalho de grupo, orientado segundo uma metodologia de projecto, o Project Based Learning, PBL, consiste num desafio lançado aos alunos no sentido de identificarem um problema que decorre em contexto real de docência relacionado (ou não) com a sua área de formação e proporem um projecto como forma de apresentarem uma proposta de resolução. Pretende-se que os alunos ao construírem de modo participativo a formulação do problema, delimitem e reflictam criticamente de uma forma apriorística em como as tecnologias podem ajudar a resolvê-lo. A resolução para solucionar esta proposição, oferecida pelo docente mas apropriada pelo grupo, deverá ser feita por intermédio de tecnologias em recursos digitais.

O e-portfólio, artefacto resultante do trabalho de projecto, pode estar sustentado tecnologicamente numa wiki, pois permite a construção de forma colaborativa de documentos, concretizando o conceito de hipertexto. Outra vertente potencializada pelo uso das wikis é o registo sistemático de toda a evolução do projecto. Desta forma é possível aceder a todas as fases da construção do projecto, sem perder de vista os autores de cada contributo. Os alunos podem ainda contribuir para o crescimento do trabalho dos outros, através da área discussões, associada a cada página da wiki. Esta também será uma opção para os mentores e o professor contribuírem em contexto.

O conteúdo da wiki pode ser visto na Internet mas apenas os membros da Comunidade de aprendizagem podem contribuir. Com esta opção pretende-se democratizar o acesso mas controlar a evolução do projecto.

PLE

PLE será construído por cada aluno, constituindo um dos elementos de avaliação. De uma forma complementar ao e-portfólio, resultante de uma construção colaborativa entre os membros de um grupo e das interacções com a comunidade, considera-se que a existência de um espaço que, sendo partilhado e podendo colher contributos e participações de outros, é de responsabilidade individual permite criar um espaço para o exercício de uma abordagem mais individual. A abordagem ao PLE, apesar de individual, não é entendida num contexto solitário mas antes numa abordagem próxima ao conceito de ShaPLE apresentado por Santos, C., Pedro, L. (2011).

Framework de dinâmicas

Na comunidade a ser criada no âmbito desta UC podem ser identificados focus em todas as orientações propostas por Wenger, et al., (2010). Alavancando nestas propostas, considera-se a Comunidade de aprendizagem terá que ser capaz, quer do ponto de vista conceptual, quer do ponto de vista da utilização das tecnologias, de mudar, de se reconfigurar, de se reestruturar em torno das orientações que, num determinado momento, pode ter. Este carácter, cameleónico e anímico, impregnado nas dinâmicas, também deverá ser cuidadosamente reflectido na escolha da tecnologia. As orientações propostas por Wenger, et al., (2010) podem ser vertidas numa proposta orientada às dinâmicas que vão ser desenvolvidas. Mais do que uma adaptação, pretende-se criar um framework que sustente as dinâmicas a serem desenvolvidas nesta UC. O framework das dinamicas que podem ser aplicadas na UC Cultura Digital pode ver visualizado aqui.

O escritor francês, George Braque (cit in Toneto, 2008), acerca da intangibilidade do fim de uma obra de arte, refere que um quadro está acabado quando é apagada a ideia que o motivou. Sem sequer a veleidade de uma comparação linear, framework de dinâmicas apresentada é apenas um ponto de partida no que poderá ser apenas o primeiro round numa espiral recursiva de um trabalho contínuo de desenvolvimento.

Dinâmicas da UC

As dinâmicas propostas para esta Unidade Curricular que são apresentadas nesta secção constituem apenas uma possibilidade de organização. Caberá sempre ao professor, no âmbito do que são as suas percepções a definição de um plano mais articulado e eventualmente mais detalhado. Realça-se o carácter sugestivo desta secção contrapondo-o a qualquer interpretação de natureza prescritiva. Também é este o papel da Framework de dinâmicas como um referencial puramente indicativo com pistas de utilização possível. Considera-se, no entanto que apresentar uma proposta concreta pode ter o papel maior de ser totalmente desconstruída.

Com base no enquadramento supra, um calendário possível para esta UC está representado na figura seguinte:


Fase 0 - Preparação da UC

Esta fase, com uma duração prevista de três semanas, comporta todos os procedimentos com vista a preparar a UC. De seguida, apresentam-se, de forma muito sumária, esses procedimentos:

> Selecção da plataforma tecnológica de suporte à comunidade. Os aspectos a considerar podem derivar das dinâmicas a utilizar segundo Framework de dinâmicas proposto;

> Constituição da bolsa de mentores

> Realização uma Reunião síncrona (modalidade blended) com os mentores e os directores de curso com o objectivo de explicitar o modo de funcionamento do mentoring.


Fase 1 Familiarização (totalmente em regime presencial)

Na fase 1, que corresponde ao kick-off da UC, o princípio subjacente é o da familiarização entendida a vários níveis que vão desde o direccionamento para competências em detrimento dos conteúdos, até a um modelo colaborativo com diferentes intervenientes, passando pela acomodação às tecnologias usadas. Compreende-se portanto a opção de ser totalmente presencial, como forma de sustentar as dinâmicas que irão decorrer. Grosso modo, podem ser delineados alguns momentos que deverão decorrer nesta primeira fase:

> A sessão de apresentação da UC pode ser feita conjuntamente com os mentores potencializando a criação de empatias e as relações pré-existentes;

> Familiarização com as temáticas da UC;

> Apresentação da(s) plataformas tecnológicas a usar e que vão sustentar a UC, permitindo espaços de partilha e de entrosamento colaborativo;

> Lançamento do desafio, embrião para o projecto.

> Constituição dos grupos de trabalho e estabilização da alocação mentor/aluno;

Fase 2 Apresentação da ideia

Nesta fase está previsto o primeiro espaço de interacção online, para permitir a preparação da ideia a apresentar. Considera-se que além destas interacções, outras são desejáveis nomeadamente com os tutores, na definição da ideia a apresentar.

Esta fase contempla ainda uma sessão presencial, momento de partilha, reflexão e maturação da ideia de cada grupo para o desenvolvimento do projecto

Fase 3

Esta fase terá a duração de 5 semanas, com 3 sessões presenciais e as restantes online. O objectivo principal desta fase é desenvolver um maior aprofundamento e discussão entre os membros. Descrevem-se de seguida a componente presencial e a online.

> Componente presencial: discussão das temáticas previstas nos conteúdos, com maior enfase na expressão de opiniões e lançamento de novas questões, do que na exposição das temáticas pelo docente da UC.

> Componente online: Trabalho de projecto com interacções síncronas e assíncronas entre os vários membros da comunidade online.

Fase 4

Na fase 4 é feita uma aula presencial em que os alunos apresentam o seu draft inicial do projecto. Pretende-se que haja um feed-back qualitativo por parte dos colegas e do docente da UC, que contribuam para a melhoria do projecto final a apresentar. Além disso, prevê-se que haja uma avaliação deste draft projecto.

Fase 5

Esta fase, à semelhança da fase 3, decorre ao longo de 5 semanas. Pretende-se que haja uma maior discussão das temáticas quer no contexto presencial quer online. Pelo facto de se esperar haver uma maior autonomia do aluno, há uma diminuição das sessões presenciais, com um correspondente aumento da componente online. Desta forma, a componente presencial e a online são, de seguida, descritas sucintamente.

> Componente presencial: discussão (mais do que apresentação) das temáticas previstas nos conteúdos

>Componente online: Trabalho de projecto com interacções síncronas e assíncronas

Fase 6

A última fase é aquela em que é feita a apresentação e avaliação do projecto final. Tendo em conta o número de alunos da UC esta apresentação irá decorrer em duas sessões presenciais. Os mentores poderão também estar presentes, e considera-se que a transmissão poderá ser feita em directo, via web para os membros da comunidade, deixando-se ao critério dos docentes da UC a possibilidade de esta transmissão ser aberta.



Para acompanhar a evolução do projecto e dadas as diferenças significativas em cada uma das fases da metodologia do PBL, podem ser propostas dinâmicas vertidas da framework de dinâmicas. Consideram-se que todas as dinâmicas são transversais a toda a UC: caberá ao docente colocá-las em movimento de acordo com uma planificação onde se reveja e que tenha a capacidade de potenciar o desenvolvimento das competências previstas para esta UC.

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