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Delphi Method

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Tabela de conteúdo

O que é o Delphi Method?

Numa primeira abordagem, o autor Mattingly-Scott (2006) refere que é uma técnica de investigação que é usada na resolução de problemas complexos através de um processo estruturado de comunicação querendo dizer com isto que, a utilização desta técnica permite fazer previsões, tomar decisões e resolver problemas complexos através da utilização das opiniões de um painel de especialistas. Objectivamente, com a aplicação desta técnica, o investigador pretende explorar as ideias criativas e a produção de informação válida. A recolha de conhecimento/informação ao longo do processo Delphi Method é sintetizado e filtrado através de sucessivos questionários. As respostas recolhidas são analisadas e podem ser reformuladas directamente ao longo da implementação do estudo (Adler & Ziglio, 1996) Também segundo Colton & Hatcher ( 2004), o Delphi Method pode ser usado para responder a questões difíceis, compilar um conjunto de conhecimento vindo de especialistas, resolver um problema ou validar um determinado conteúdo. O Delphi Method é a combinação de um processo qualitativo e quantitativo que surge pela intervenção de opinião de especialistas no desenvolvimento de teorias e projectos a longo prazo ou futuras. Usado no estudo de situações para as quais não existe qualquer tipo de dados disponíveis ou em casos de previsões a longo prazo, esta técnica é caracterizada pelas seguintes fases: (i) identificar o problema, (ii) selecção do painel de especialistas, (iii) implementar um questionário de modo incremental e avaliar o processo, (iv) apresentar as conclusões com base no consenso obtido entre os participantes do painel de especialistas (Simpson & Smith, 1995). O objectivo da aplicação iterada de sucessivos questionários é gerar consenso entre os participantes do painel na avaliação de uma determinada situação-problema (Simpson & Brown, 1977). O painel de especialistas é composto, normalmente, entre 10 a 18 pessoas e todas manifestam a sua opinião de forma anónima sem que haja influência de pares. Esta técnica tem merecido atenção cada vez maior por parte do mundo empresarial, agências governamentais e outras organizações, uma vez que a ambição de prever o futuro é cada vez mais importante (Bourgeois et al, s.d.).

Aspectos Relevantes

Simpson & Smith (1993) no seu breve relatório referem que o Delphi Method foi inicialmente desenvolvido nos anos 50 pela RAND Corporation na Califórnia. Nasceu da necessidade dos Estados Unidos da América anteciparem os avanços no armamento de defesa do país (Helmer,1966; Brown, 1968; Weaver, 1971; Cyphert & Grant, 1971) . Neste contexto foi utilizado para estimar o número de bombas atómicas que a União Soviética iria desenvolver/lançar em caso de ataque de guerra. Os resultados da primeira ronda esteve no intervalo [50, 5000] e no fim de três rondas o intervalo passou para um consenso de [167, 360]. Usando esta técnica foi possível obter um resultado mais focado e justificado. São exemplos da aplicação do Delphi Method o estudo a longo prazo do impacto do novo terrorismo na sociedade dos Estados Unidos, a eficiência da vacinação para a Sida na Suiça, a previsão e expansividade da informação tecnológica entre outros (Bourgeois et al, s.d.). Nos últimos 10 anos este método tem sido usado em contextos da ciência, tecnologia e educação (Williams & Webb, 1994; Simpson & Simth, 1995; Dineke & Tigelaar et al, 2004).

Fases do Delphi Method

O Delphi Method envolve um conjunto de procedimentos complexos que vão desde a avaliação de fontes, preparação do problema, desenvolvimento do questionário em duas ou mais fases e aplicação/implementação dos mesmos quando finalizados. O Delphi Method tem sido especialmente utilizado para previsões a longo prazo (20 a 30 anos), onde um painel de especialista debate ideias e aponta caminhos ou soluções para a resolução de problemas. Com base na revisão bibliográfica podemos apontar as seguintes fases no Delphi Method:

Identificar o problema

Antes de implementar o Delphi Method, todo o processo deve ser organizado desde a elaboração do questionário, o processo administrativo, a avaliação dos custos. Só depois de todo o processo estar esboçado e completo é que se inicia a segunda fase.

Selecção do painel de especialistas

Normalmente a dimensão do painel varia entre 10 a 18 participantes/especialistas. Os principais factores que determinam a sua extensão relacionam-se com as prioridades e o orçamento do administrador do processo. Fará parte do painel (de experts) qualquer pessoa que seja considerada como especialista da sua área profissional e que a sua opinião seja relevante para a avaliação do problema em questão. O critério de escolha do painel de especialistas está dependente do administrador do Delphi Method. Contrariamente aos questionários estatísticos que se aplicam a uma amostra representativa da população, o Delphi Method elege apenas um pequeno subgrupo de pessoas que sendo especialistas na sua área dão a sua opinião e avaliam sob diferentes perspectivas um determinado problema (Simpson & Smith, 1995).

Implementação do questionário

Uma vez terminado o processo de selecção do painel de especialistas, procede-se à distribuição do primeiro questionário entre os participantes seleccionados. As respostas são anónimas e individuais para que não haja coações de nenhum nível. O primeiro questionário consta, geralmente, de uma ou duas questões abertas relacionadas com a problemática em análise. Os especialistas são convidados e incentivados a dar a sua opinião com base na sua experiência, conhecimento de dados e/ou pesquisas ou outras informações de que disponham. Após a recolha dos questionários, procede-se à avaliação dos mesmos. Salienta-se o facto de que algumas vezes o Delphi Method pode ser confundido como processo de validação de questionários, o que não corresponde à verdade. Na realidade o(s) questionário(s) que vão sendo administrados aos especialista não são para serem validados,mas sim para recolher informações importantes dos mesmos.

Avaliação das respostas

As respostas dadas no primeiro questionário são analisadas pelo investigador que usa esta informação para formular outras questões mais específicas, relacionadas com a situação-problema de estudo, a integrar no segundo questionário. esta rotina será feitas, tantas quantas vezes forem suficientes para se chegar a um consenso.

Novas implementações

O segundo questionário (e sucessivos) é composto por duas partes: a primeira com os resultados das respostas do primeiro e uma segunda parte com novas questões. No que diz respeito à primeira parte, os resultados são normalmente listados numa tabela tipo checklists, onde os especialistas participantes do painel são desafiados a estabelecer uma ordem de prioridades aos resultados encontrados e a rever o seu ponto de vista face aos resultados apontados no conjunto das opiniões. Quanto à segunda parte, o painel voltará a debruçar-se sobre as novas questões levantadas. Este processo continua sob sucessivas aplicações de questionários - processo de iteração de questionários – uma vez que o próximo questionário é desenvolvido sob a proposta dos resultados do anterior. Este ciclo termina logo após se ter verificado consenso entre os especialistas do painel. Normalmente, impõe-se como número mínimo de questionários três, podendo ir até aos cinco ou mais.

Interpretação dos resultados

Depois de se gerar o consenso entre os participantes/especialistas, os resultados são compilados e partilhados com os membros do painel. A autenticidade e validade dos resultados advém do facto do anonimato dos especialistas e da singularidade do processo de iteração individual do questionário de forma unilateral, ou seja, as opiniões não são verbalizadas nem identificadas, apenas escritas e pontuadas por cada membro. Esta técnica permite gerar um consenso livre de preconceitos e influências entre os participantes, uma vez que os participantes apenas são confrontados com os resultados das sucessivas fases de aplicação do questionário.

Vantagens, desvantagens e limitações

Da revisão bibliográfica podemos resumir na tabela seguinte as principais vantagens e desvantagens:

Ficheiro:dm.png

Instrumentos Relacionados

Do exposto, o Delphi Method envolve um conjunto de procedimentos complexos que vão desde a avaliação de fontes, preparação do problema, desenvolvimento do questionário em duas ou mais fases e implementação/avaliação dos mesmos; quando obtido o consenso é produzido o resultado final. É fácil depreender, que o principal instrumento associado a esta técnica é o questionário. A subsequente análise das respostas dadas por cada especialista exige por parte do investigador a Análise de Conteúdo, assim como Checklists para a organização e posterior ordenação dos items. Como a metodologia de Delphi necessita de um processo que pode levar alguns meses associamos também como um instrumento pertinente o Diário do Investigador.

Ver Técnicas e Instrumentos de Recolha de Dados na Investigação em Educação

Bibliografia

Addler, M. & Ziglio, E. (1996). Gazing into the oracle: The Delphi Method and its applications to social policy and public health. London Jessica Kingley Publishers.

Bourgeois et al (s.d.). The Delphi Method: A qualitative means to a better future. Disponível em http://unjobs.org/tags/delphi-method (acedido em 7 de Abril de 2010).

Brown, B. B. (1968). Delphi Process: A methodology used for the elicitation of opinions of experts. Santa Monica, CA: RAND Corp.

Colton, S. & Hatcher, T. (2004). The Web-based Delphi Research Technique as a Method for Content validation in HRD and Adult education Research.

Cyphert, F. R. & Grant, W. L. (1971). The Delphi technique: A case study. Phi Delta Kappan, 52(5).

Dineke, E. T. et al (2004). The development and validation of a framework for teaching competencies in higher education. Higher education, 48.

Helmer, O. (1966). The use of the Delphi technique in problems of educational innovations. Santa Monica, CA: RAND Corp.

Mattingly-Scott, M. (2006). Delphi Method. Diponível em http://www.12manage.com/methods_helmer_delphi_method_pt.html (acedido em 6 de Abril de 2010)

Simpson, K. S. & Smith, R. D. (1993). Validatins competencies for graduate teaching assistants: A national study using the Delphi Method. Innovative Higher Education, 18(2).

Simpson, K. S. & Smith, R. D. (1995). Validating Teaching Competencies for Faculty Members in Higher Education: A National Study Using The Delphi Method. Innovative Higher Education, Vol 19 (3).

Simpson, R. D. & Brown, D. R. (1977). Validating science teaching competencies using the Delphi Method. Science Education, 6(2)

Weaver, W.T. (1971). The Delphi forecasting method. Phi Delta Kappan, 52(5).

Williams, P.L. & Webb, C. (1994). The Delphi technique: a methodological discussion. Journal of Advanced Nursing 19, 180-186.