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Diário do Investigador

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O diário do investigador é uma técnica narrativa muito popular, que serve para recolher observações, reflexões, interpretações, hipóteses e explicações de ocorrências e ajuda o investigador a desenvolver o seu pensamento crítico, a mudar os seu valores e a melhorar a sua prática.(Clara Coutinho, UMinho, 2008)

O diario do investigador pretende recolher registos de observação do investigador para ajudar no levantamento dos dados essenciais para uma percepção mais consistente das práticas desenvolvidas, objectivando essencialmente a sua caracterização. De acordo com Lüdke e André (1986), como método de recolha de dados, tem como vantagens o facto de permitir chegar mais perto da “perspectiva dos sujeitos” e facultar uma experiência directa que melhor se adapta à verificação das ocorrências. A observação coadjuva o investigador a identificar e obter provas acerca de aspectos face aos quais os indivíduos não têm muita consciência, mas que orientam o seu comportamento, impondo, por outro lado, a um contacto mais directo com a realidade em estudo (Lakatos e Marconi, 1990). Bell (1997, p. 80) considera que “a observação directa pode ser mais fiável, em muitos casos, do que o que as pessoas dizem. Pode ser particularmente útil descobrir se as pessoas fazem o que dizem fazer, ou se comportam da forma como afirmam comportar-se”.

Segundo Vieira (2003), um investigador de estudo de caso deve registar meticulosamente todos os tipos de dados considerados relevantes. Tratam-se, efectivamente, de “registos descritivos e/ou reflexivos e pormenorizados da experiência do investigador, incluindo observações, reconstrução de diálogos, descrição física do local e as decisões tomadas que alteram ou dirigem o processo de investigação” (Vieira, 2003, p. 194).

O diário do investigador é considerado um formato adequado à apresentação de dados recolhidos na observação de aulas. Este instrumento tem sido utilizado na investigação em educação, principalmente na investigação qualitativa, como um guia de reflexão e análise sobre a formação e as práticas dos professores (Porlán e Martín, 1997). De acordo com estes autores, o diário, como guia para a investigação, proporciona o desenvolvimento de capacidades de observação e categorização da realidade, possibilitando ir além da elementar percepção intuitiva. Por outro lado, facilita o estabelecimento de ligações entre a teoria e a prática, sem perder as referências do contexto e favorece o desenvolvimento quer dos níveis descritivos, quer do analítico/explicativos e valorativos dos processos de investigação e reflexão.

Bibliografia

Lakatos, E. M., e Marconi, M. A. (1990). Fundamentos de Metodologia Científica. São Paulo: Editora Atlas.

Lüdke, M., e André, M. (1986). Pesquisa em Educação: Abordagens qualitativas. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária.

Porlán, R., e Martín, J. (1997). El diario del profesor — Un recurso para la investigación en el aula (4ª ed.). Sevilla: Díada Editora.

Vieira, R. (2003). Formação Continuada de Professores do 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico Para uma Educação em Ciências com Orientação CTS/PC. UA-DDTE



Ver Técnicas e Instrumentos de Recolha de Dados na Investigação em Educação