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Tabela de conteúdo

1. As tecnologias digitais como fontes de recursos didáticos e pedagógicos

As mudanças nos contextos educativos decorrentes das tecnologias digitais

Gildens (1985) refere que segundo o paradigma da racionalidade instrumental, o recurso à utilização da tecnologia facilita a aprendizagem. Segundo Watson (2001), o uso da tecnologia é vista como uma ferramenta de apoio ao trabalho do professor e facilita a aprendizagem de conteúdos. A tecnologia será o "catalisador" para promover a mudança. Provocou ainda mudanças nas práticas, na natureza do conhecimento e na forma como este se constrói.

Cuban (2009) refere que, no seu trabalho de investigação com professores que utilizaram as tecnologias num contexto de sala de aula, a sua utilização ajudou os professores a uma melhor preparação da própria planificação da aula, mas também fez com que a aula fosse mais centrada no próprio aluno (mudança do papel do professor e do aluno).

O conhecimento das tecnologias digitais, que não se limita às caraterísticas técnicas destas, antes se estende ao conhecimento do que está por detrás delas, é, hoje em dia, uma competência que qualquer professor deve dominar. Não só para tirar o melhor aproveitamento prático para as atividades letivas, mas também promover nos alunos capacidade crítica relativamente ao uso das tecnologias digitais.

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Obstáculos e resistências à utilização da tecnologia por parte dos professores

Crenças e práticas pedagógicas são mais difíceis de mudar e muitos professores não querem correr o risco de mudá-las (Olson, 1992). Ao utilizar a tecnologia, professores são obrigados a adotar novas metodologias e estratégias de ensino e mudanças no ensino aprendizagem (Means, 1994).

A justificação para os professores não utilizarem mais as tecnologias digitais mais atuais está, em muitos casos, relacionada com fatores de motivação e de competências, provocando receios de experimentar a mudança.

Esta constatação leva a que se tenha de repensar o modo de resolver estes obstáculos, não só através de ações de formação nesta área, mas também, e de acordo com a teoria percetual (Zhao e Cziko, 2001), da ajuda ao professor no sentido de que este perceba a necessidade e vantagens da utilização das tecnologias digitais, em cada momento mais atuais, no sistema educativo.

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Vantagens e limitações / necessidade de adequação das tecnologias às situações de aprendizagem

Como acontece com todas as tecnologias criadas pelo ser humano, as da atual era digital, para poderem ser aproveitados os seus recursos e para que possam ser evitados riscos que o seu uso impreparado também pode acarretar, requerem o seu conhecimento e preparação para o seu manuseio em condições de seguança.

Com efeito, na era atual, através da Internet podemos encontrar informação e ferramentas que nos ajudam a resolver inúmeros problemas, mas esta acessibilidade, em algumas situações para as quais não se está preparado, pode também propiciar a ocorrência de graves perigos. No entanto, a solução não passa pela não utilização das tecnologias, nem por ignorar ou substimar os seus riscos, mas sim pela tomada de consciência de que as possibilidades e problemas que comportam requerem que aprendamos a distingi-las e a saber lidar com elas. Para tal, como é salientado por Moran (2010), a escola é "um espaço privilegiado de aprendizagem a saber fazer essas escolhas."

Há ainda poucas certezas acerca dos impactos que as novas tecnologias comunicacionais irão provocar na sociedade mas, apesar dos riscos e incertezas, são inúmeras as evidências de vantagens. Segundo Underwood , no campo da educação, essas evidências refletem-se ao nível dos impactos no comportamento dos professores e dos alunos, sobretudo nas interações que ocorrem dentro e fora da sala de aula, bem como nas mudanças que provocam no desempenho académico, devido à potencialização das “chances de se aprender uns com os outros” (Torres, 2011).

Nem todos os professores utilizam a tecnologia de igual forma, dependendo muito dos objetivos e finalidades que se pretendem alcançar. Alguns professores recorrem aos exercícios / testes que lhes permite construir conteúdos disciplinares na web relativos às suas disciplinas; outros recorrem ao chat para resolverem exercícios com os seus alunos; enquanto outros usando os fóruns para a discussão e partilha de projetos com os seus alunos e ainda a criação de espaço de esclarecimento de dúvidas com outros colegas sobre a utilização de uma ferramenta ou ferramentas tecnológias, com o objetivo de ajudar e partilhar conhecimentos em comunidades colaborativas.

É fundamental encarar as tecnologias como ferramentas, como meios, o que inclui o software mas também e hardware, e essencialmente os saberes, os intrumentos inteletuais e verbais (Trindade, 1992).

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2. Utilização das ferramentas digitais e novas competências dos professores

As novas competências dos professores

As tecnologias digitais vieram dar acesso a um manancial de recursos de proporções nunca antes existente, originando alterações profundas nas formas da sua criação, acesso e armazenamento, bem como alterações ainda não suficientemente estudadas nos esquemas mentais dos indivíduos. Todas estas alterações tornam necessária a redefinição da forma como os professores preparam as suas aulas.

Siemens (2010) detalha seis competências-chave que os professores devem possuir para serem educadores do século XXI, embora considere que estas não são exclusivas desta era, pois qualquer educador competente será proficiente em qualquer época com essas habilidades:

1. A competência técnica que o educador precisa para saber como usar a tecnologia, seja ela quadro-negro, lousa, retroprojetor, computador, iPad, ou qualquer outra. Na sua perspetiva as “ferramentas não são neutras”, têm adjacências, refletem ideologias, permitem mecanismos de controlo e determinam a sua potencial utilização didática, exigindo, por isso, do professor a “combinação de competência técnica e da consciência das oportunidades pedagógicas” que delas é possível aproveitar.

2. A experimentação, na perspetiva de que o professor / educador “deve ver-se como um pesquisador” que através do conhecimento dos alunos, da sua “conteúdo, linguagem e status sócio-econômico” consegue imprimir as dinâmicas de sala de aula mais adequadas a esse contexto. Siemens entende que há modelos feitos para “capturar todas essas variáveis”, tendo os educadores de constantemente experimentarem tecnologias e pedagogias de modo a aprimorarem as metodologias de ensino e aprendizagem em função dos contextos em permanente mutação.

3. A autonomia do aluno que o professor deve encarar como sendo o seu “objetivo mais importante” a desenvolver no aluno (organizar conteúdos, estruturar atividades de aprendizagem, definir formas de aceder ao conhecimento, etc.). Como afirma, cada aluno precisa de ser capaz de definir a sua própria aprendizagem.

4. A criação, no sentido de que os alunos devem assumir a forma a dar aos artefatos digitais (blogues, podcasts, SecondLife, vídeos, mapas conceituais, etc.) ou a artefatos físicos (modelos, esculturas, estruturas de lego, etc.) com que trabalham, pelas transformações concetuais que estas implementações provocam e porque as criações produzidas recentram no curso as atividades de aprendizagem, servindo como o nó onde se cruza o escopo do curso definido pelo professor e a criação do aluno.

5. O Jogo (formal ou informal), visto como uma atividade de caráter intencional que deve ser mais explorada como estratégia de ensino e aprendizagem.

6. A capacidade de lidar com a complexidade, considerada “o DNA da sociedade”, no sentido de que os professores devem estar preparados para entender e orientar os alunos para entenderem o modo de funcionamento sistémico e, por isso, complexo, do mundo, gerador de acontecimentos que dificilmente podem ser previstos. Na base deste entendimento os sistemas educacionais devem passar a dar maior atenção à preparação para lidar com a complexidade, procurando encontrar “respostas certas gerais” como tem sido tradicional, mas sim “respostas certas contextuais".

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As ferramentas Web 2.0 no contexto das tecnologias com potencialidades educativas

Para Torres e Amaral (2011) a “Web 2.0 ou Web Social, como é chamada, permite que as pessoas interajam de forma participativa, dinâmica e horizontal, ampliando as chances de construir coletivamente novos conhecimentos, fruto das intensidades relacionais ocorridas no ciberespaço” (p. 51). Inovação, criatividade e inclusão, são outros termos bastante referidos, pois é possível adotar novas estratégias didáticas e pedagógicas através do recurso a ferramentas dinâmicas e flexíveis, passíveis de se adaptarem a diversos públicos e contextos e contribuindo particularmente para a personalização, a fim de dar resposta a estilos, interesses e necessidades individuais (Redecker et alli , 2009).

Por outro lado, através da exploração e utilização de ferramentas Web 2.0, o professor tem a possibilidade de confrontar o aluno com situações nas quais este tem de desenvolver e demonstrar criatividade, iniciativa, curiosidade, imaginação, capacidade de trabalhar cooperativa e construtivamente e de colaborar na identificação e resolução de problemas (Grosseck, 2009). O software Web 2.0 apresenta ainda muitas possibilidades de ser utilizado, sobretudo em estratégias de aprendizagem significativas e, por isso, capazes de provocar evolução cognitiva. Ao ser-lhe reconhecido caraterísticas incentivadoras de interação, colaboração e atividade experimental, é identificado como especialmente útil para o desenvolvimento de estratégias de ensino e aprendizagem de cariz construtivista e interacionista.

Neste sentido, as ferramentas Web 2.0, por facilitarem a contextualização das aprendizagens através da conjugação de múltiplas formas (visuais, auditivas, textuais, etc.), têm fortes potencialidades como recursos educativos, dado que facultam a incorporação nos esquemas mentais de propriedades que resultam daquilo com que se interage (assimilação), ou os ajustam às propriedades interpretadas na interação (acomodação).

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O domínio das tecnologias e o sentido crítico na sua utilização

Apesar das oportunidades e aspetos positivos que pode trazer para a educação, as novas tecnologias, “por si só, não são suficientemente capazes de propulsionar uma prática pedagógica transformadora” (Torres, 2011) e a sua integração nos currículos não pode ser feita de modo aleatório e indiscriminado, sob pena de baixar a qualidade do processo educativo. A intervenção do professor é, por isso, essencial, no sentido de proceder previamente à seleção e avaliação das ferramentas que serão mais adequadas para satisfazer os objetivos da planificação didática.

A este propósito, Grosseck (2009) alega que a oferta extremamente diversificada de tecnologias torna o processo de seleção bastante difícil e pode levar a uma certa dispersão e conduzir a que não se tire verdadeiro partido das potencialidades das ferramentas.Por seu lado, Torres (2011), defende que o valor instrumental dos recursos informáticos não está neles, mas na maneira como são usados.

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A necessidade de avaliar e selecionar criteriosamente as ferramentas digitais (estado da arte justificação de competências

Na era atual da sociedade do conhecimento e da informação, tem-se assistido ao advento de uma panóplia crescente de software diretamente vocacionado para o contexto educativo, ou de caráter mais geral mas com potencialidades ao nível do ensino e da aprendizagem. Além disso, a utilização da Web tornou-se uma rotina diária por uma larga comunidade, que tem à sua disposição uma grande variedade de aplicações e serviços, de uma forma absoluta ou essencialmente gratuita.

Neste panorama de multiplicação de recursos multimédia é necessário prestar particular atenção aos processos de avaliação dos mesmos, a fim de garantir elevados níveis de qualidade que proporcionem a criação de novos e significativos ambientes de aprendizagem. Neste contexto, foi concebido um Sistema de Avaliação, Certificação e Apoio à Utilização de Software para a Educação e para a Formação (SACAUSEF) , tendo como objetivos principais fomentar o alargamento da avaliação e da certificação “a «sítios virtuais» de natureza pedagógica”, contribuir para “promover a utilização de “software livre” na educação/formação”, e estimular a utilização do e-learning e a elevação da “qualidade dos processos de educação a distância através da Internet”( SACAUSEF I, p. 13).

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3. As tecnologias digitais na mudança de paradigma de ensino e aprendizagem

Novo papel do professor e novos modelos de ensino e aprendizagem

Pensar o processo de ensino e aprendizagem implica ter em consideração fatores como motivação, criatividade e metacognição, relacionando-os com competências cognitivas e capacidade de autonomia do aluno. Em conformidade com esta visão, os modelos tradicionais de ensino e aprendizagem são vistos como estando desajustados das realidades educativas da atualidade, sendo defendida a necessidade de se passar a utilizar modelos que confiram maior autonomia ao aluno na construção dos seus conhecimentos e saberes.

No entanto, a necessidade do professor adotar um novo papel e novos modelos de aprendizagem deve ser vista com bom senso, pois nem tudo o que faz parte dos modelos tradicionais é negativo e nem toda a aprendizagem se realiza através da descoberta e da experimentação dos modelos de caráter construtivista. Cabe por isso ao professor, no desempenho do seu papel de mediador do processo de aprendizagem, encontrar as metodologias que em cada situação concreta melhor se ajustem ao principa objetivo que se pretende a atingir: fazer com que o aluno evolua, o melhor possível, o nível dos seus conhecimentos e saberes.

Assim, para conseguir desempenhar de forma competente este papel, o professor necessita de estar preparado com conhecimentos e saberes que lhe permitam atuar no contexto da grandes alterações que decorrem da evolução científica e tecnológica, entre as quais as que resultam da utilização das tecnologias digitais na produção, transmissão e armazenamento de informação.

Como é salientado por (Arends, 2008), estas implicações refletir-seão-se na forma como a educação será ministrada, podendo vir a ser “mudanças drásticas” ao longo das próximas décadas, em conformidade com as transformações ocorridas e também com a natureza da população estudantil e das suas expetativas em relação aos professores.

Novo entendimento sobre a estrutura dos currículos, processos de aprendizagem em que tendencialmente se fundem o presencial e o virtual e o papel atribuído ao professor de organizador/orientador/auxiliador das aprendizagens, são, na atualidade, linhas de força com que se perspetivam as necessidades educativas do presente e do futuro. Contudo, como é realçado por Moran (2010), "Não há tecnologias avançadas que salvem maus profissionais", ou seja, profissionais que por inércia não atualizam os seus conhecimentos e persistem na repetição de modelos e procedimentos que não se adequam ao facto de já não serem a única fonte de informação, de lidarem com nativos da Internet e das novas tecnologias comunicacionais.

Neste mundo em mudança, consolida-se, no entanto, o entendimento de que ensinar e aprender deve ter como referência a formação do indivíduo, no seu todo e, neste sentido, tal como é preconizado por Arends (2008), os professores devem ter aptidões nas vertentes da multiculturalidade (tendo em consideração que a composição demográfica da sociedade é e será cada vez mais heterogénea), da construção do significado (dado o desajuste das exigências atuais relativamente aos sistemas educacionais tradicionais inspirados nos modelos fabris e baseados e numa perspetiva objetivista da aprendizagem, ganhando relevo, como alternativa, perspetivas de caráter construtivista, ou seja, que perspetiva o conhecimento como algo pessoal que se constrói através da experiência), da promoção da aprendizagem (ativa através da qual os alunos atribuem significado às experiências que vivenciam), de novas perspetivas sobre as aptidões dos alunos (tendo e consideração de que a capacidade para aprender está sobretudo relacionada com o passado social e cultural das pessoas), de nova visão sobre a possibilidade de escolha do que ensinado (em oposição à escola tradicional com currículos estandardizados), de maior responsabilização pelos métodos de ensino que adota bem como pelo que os alunos aprendem.

De acordo com esta perspetiva, o papel do professor não pode ser o de mero transmissor de conhecimentos e saberes, mas sim o de quem tem por missão criar as condições ideais para que ocorram aprendizagens significativas, fazendo, para isso, uso dos recursos que estiverem ao seu alcance.

Assim, o professor, além das competências científicas necessárias relacionadas com os domínios que leciona, deve ainda ser um organizador dos ambientes e dispositivos da aprendizagem (planificação das atividades letivas, disposição da sala, gestão dos recursos, etc.), de modo a otimizá-los para o processo de aprendizagem.

Outra função mais abrangente hoje atribuída à escola (pelo menos em teoria), diz respeito à educação de princípios e valores reconhecidos como fundamentais para a vida em sociedade. Ou seja, a escola tem também a função de preparar os indivíduos para os desafios económicos, políticos, sociais, culturais e ambientais com que nos defrontamos na atualidade. Em conformidade, deve estar preparado para ser um dinamizador da aprendizagem de saberes considerados fundamentais na formação dos indivíduos, de modo a que estes venham a ser sujeitos que intervêm ativamente para garantir um futuro viável para todos.

Deve ainda “ensinar com arte” (didática), reunindo para isso capacidades de improvisação, flexibilidade, adaptabilidade e ecletismo, de modo a saber usar os recursos didáticos de acordo com os contextos e finalidades das aprendizagens e as características dos seus alunos (conhecimentos, experiências, contexto familiar e local...), de forma a que os conteúdos possam vir a ser apreendidos (Martins, 2002).

Assim, e segundo Egan (2008, p. 150), mais do que insistir em aquisições de parcelas de conteúdos limitados e superficiais, os professores devem ajudar os alunos a focalizarem-se na forma como aprendem. No fundo, deseja uma mudança de perspetiva, em que se passa da questão do "O quê?" para o "Como?" aprender, de produtos para processos, com tudo o que isso implique, desde como aprender, como pesquisar, aprendendo a aprender. Os professores e o próprio sistema curricular, nesta perspetiva, tornam-se mais relevantes para a vida dos alunos e passam a responder a problemas que as pessoas enfrentam no mundo real. Avança ainda com a proposta de um conceito, que se diferencia seja de teorias mais tradicionais, seja de teorias mais progressivas, e que renova e revigora o ato de produção de conhecimento para o aluno:o conceito de educação imaginativa.

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Cooperação e colaboração - a importância da partilha de experiências, recursos e saberes entre as comunidades de professores

Atualmente, a Web é muito mais do que uma simples fonte de informação, constituindo uma plataforma de aprendizagem cooperativa caracterizada pela partilha de experiências e conhecimentos (Machado, 2009), uma vez que o utilizador tem a possibilidade de produzir, publicar e compartilhar conteúdos.

Assim, colaboração é uma das palavras chave da Web 2.0 mais significativa em termos de contexto educativo, remetendo para o conceito de inteligência coletiva preconizado por Pierre Lévy.

Atualmente, a Web é muito mais do que uma simples fonte de informação, constituindo uma plataforma de aprendizagem cooperativa caracterizada pela partilha de experiências e conhecimentos (Machado, 2009), uma vez que o utilizador tem a possibilidade de produzir, publicar e compartilhar conteúdos. Nesta perspetiva, a “segunda geração de comunidades e serviços” é considerada uma versão mais humanista e democrática, feita por pessoas e para as pessoas , sendo também designada por “computação social” (Redecker et alli, 2009). Para Torres e Amaral (2011) a “Web 2.0 ou Web Social, como é chamada, permite que as pessoas interajam de forma participativa, dinâmica e horizontal, ampliando as chances de construir coletivamente novos conhecimentos, fruto das intensidades relacionais ocorridas no ciberespaço” (p. 51).

“Além de trabalharem com os alunos, os professores de hoje devem também trabalhar com os outros adultos que compõem a escola de modo a planificarem e coordenarem o que nela se passa.” (Arends, 2008, p. 25).

Os estudos de caso e relatos de outros professores que já utilizam a tecnologia promovem o interesse por parte de outros professores na sua utilização (Gillingham, 1996). Realização de projetos com recurso à publicação de experiências por parte dos professores envolvidos, que por exemplo utilizam a internet nas sua práticas, espera-se que ao ter conhecimento dessas iniciativas, outros professores compreendam que a tecnologia se torna um recurso importante para se alcançar os objetivos pretendidos. Um projeto bem sucedido é o caso de um Projeto Escolas na Califórnia, que permite que os professores possam partilhar suas experiências com outros professores (Ota, 1995).

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A interdisciplinariedade como prática educativa

O âmbito do novo processo de ensino e aprendizagem que hoje se coloca à instituição escola e a cada um dos professores não é restrito aos conteúdos de cada uma das disciplinas. Com efeito, a interdisciplinaridade é hoje considerada uma necessidade imperiosa do processo educativo, dado que, ao contrário da estanquicidade das disciplinas que carateriza os métodos tradicionais de ensino, o inter-relacionamento das matérias não só está mais em consonância com a complexidade que carateriza as necessidades de conhecimento atuais, como torna mais significativas as aprendizagens e mais evidente a sua utilidade.

Como é defendido por Moran (2010), a escola deve ser encarada como um espaço de resolução de desafios e de projetos, precisando, para isso, de fomentar "redes de aprendizagem entre professores e entre alunos" através das quais, conetados, todos aprendam uns com os outros.

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A necessidade de formação contínua/ao longo da vida

Na reunião de ministros da educação em Paris, a educação para o século XXI foi reconhecida como um fator determinante para o crescimento da coesão social, sendo por isso apontada a necessidade de nela serem feitos os investimentos adequados para aumentar e melhorar a qualificação das pessoas para garantir um futuro próspero para a sociedade cada vez mais global e diversificada em que vivemos. Este investimento passa, sobretudo, pela preparação dos professores ao nível da formação inicial e ao longo da vida, professores bem sucedidos motivam os alunos e estes aprendem eficazmente.

No que diz respeito à qualificação dos professores no domínio das tecnologias digitais, este é um processo que implica medidas no âmbito da política educativa, mas também a iniciativa de cada professor em adquirir e melhorar os seus conhecimentos e competências.

Segundo resultados de pesquisas efetuadas em França, um professor demora cerca de dois anos a dominar as tecnologias de modo a ser capaz de as avaliar e de tirar delas utilidade para as suas atividades letivas (Moran, 2010), pelo que é importante que seja perseverante relativamente a este objetivo, começando pela utilização de recursos simples como, por exemplo, os blogues, até ser capaz de utilizar conscientemente e com segurança outros recursos mais complexos, tendo sempre por objetivo principal da utilização desses recursos tornar mais profícua a aprendizagem dos alunos.

A formação ao inicial e ao longo da vida é hoje mais do que nunca necessária, dada a natureza e complexidade das mudanças que se operam na sociedade. A correta qualificação e avaliação dos professores, esta última entendida como meio de dar lhes dar feedback para a melhoria da sua carreira profissional, são fundamentais para assegurar a melhoria substancial do sistema educativo e, consequentemente, para a melhoria da sociedade.


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4. Bibliografia

  • Arends, R. (2008). Aprender a Ensinar (7ª edição). Lisboa: McGraw-Hill.
  • Bastos, R. (2001). Abaixo a Escola aos Quadradinhos.Educação e Matemática, n.º 65, Novembro/Dezembro de 2001.
  • Cuban, L. ( 2009). Hugging the middle. How teachers teach in an era of testing and accountability. New York: Teachers College Press
  • Egan, K. (2008). The future of education: reimagining our schools from the ground Up. YALE UNIVERSITY PRESS.
  • Giddens, A. (1985) Politics as Technology: The Return of Grand Theory V, Jurgen Habermas, Australian Society, 17.5.85
  • Grosseck, Gabriela, To use or not to use Web 2.0 in higher education?, Procedia Social and Behavioral Sciences 1 (2009) 478-482
  • Machado, A.C.T. (2009), Novas formas de produção de conhecimento: utilização das ferramentas da Web 2.0 como recurso pedagógico, Revista Udesc Virtu@l 1(2)
  • Marshall, J. (2010). GLOBAL: OCDE debate educação ministros de novas competências. [versão eletrónica]. University World News. Acedido em 27 de Fevereiro de 2012 em: http://www.universityworldnews.com/article.php?story=20101106210111876&mode=print
  • Martins, A. (2002). Didáctica das Expressões. Lisboa: Universidade Aberta.
  • Means, B. (1994). Introduction: Using technology to advance educational goals. In B Means (Ed.) Technology and educational reform: The reality behind the promise. San Francisco: Jossey-Bass.
  • Moran, J. (2010). A distância e o presencial cada vez mais próximos. [versão eletrónica]. Folha Dirigida. Acedido em 13 de Novembro de 2011, em http://ead.folhadirigida.com.br/?p=2343.
  • Morin, E. (1999). Os Sete Saberes para a Educação do Futuro. Lisboa: Instituto Piaget.
  • Olson, J. (1992). Trojan horse or teacher's pet? Computers and the teacher's influence. International Journal of Educational Research, 17(1), 77-85.
  • Redecker, C. (2009a). Review of Learning 2.0 Practices: Study on the Impact of Web 2.0 Innovations on Education and Training in Europe, JRC Scientific and Technical Report, EUR 23664.
  • Redecker, C., K. Ala-Mutka, M. Bacigalupo, A. Ferrari and Y. Punie (2009). Learning 2.0: The Impact of Web 2.0 Innovations on Education and Training in Europe. Final Report. JRC Scientific and Technical Report,EUR 24103.
  • Robinson, K. (2010).Introduction. Em: Unlocking Creativity - A Strategy for Development, em: http://www.dcalni.gov.uk/index/arts_and_creativity/unlocking_creativity_-_a_strategy_for_developement.pdf
  • Savater, F. (1997). O Valor de Educar". Lisboa: Dom Quixote.
  • Siemens, G. (2010). It’s New! It’s New!. [versão eletrónica]. Elearnspace Acedido em 22 de Fevereiro de 2012 em: http://www.elearnspace.org/blog/2010/11/08/its-new-its-new/
  • Torres, T. & Amaral, S. (2011). Aprendizagem colaborativa e Web 2.0: proposta de modelo de organização de conteúdos interativos. ETD – Educação Temática Digital, 12, 49-72.
  • Zhao, Y. e Cziko, G. (2001). Teacher Adoption of Technology: A Perceptual Control Theory Perspective. In of Technology and Teacher Education 9(1), 5-30.
  • Watson, D. (2001). Pedagogy before Technology: Re-thinking the Relationship between ICT and Teaching. Education and Information Technologies 6:4, 251–266.