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Focus Group

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Focus Group

  Our opinions, feelings and attitudes are formed through our contacts with others   
                                              (Payne and Payne, 2004 :103) 

O Focus group surgiu há mais de 40 anos na área de Marketing, com Merton (Merton et al. 1956). Caplan (1990), descreve o focus group como “pequenos grupos de pessoas reunidos para avaliar conceitos ou identificar problemas”, utilizados em Marketing para determinar as reacções dos consumidores a novos produtos, serviços ou mensagens promocionais.

Para Vaughn et al. (1996), que utilizaram essa técnica em investigação em Educação, o focus group é uma técnica qualitativa que pode ser usada individualmente ou com outras técnicas qualitativas, ou até mesmo quantitativas, para aprofundar o conhecimento das necessidades dos sujeitos a serem investigados. Assim o objectivo primordial desta técnica prende-se com a identificação de percepções, sentimentos, atitudes e ideias dos participantes a respeito de um determinado assunto, produto ou actividade (Grbich,1999).

Segundo David L. Morgan (1997), o focus group é uma técnica qualitativa que visa o controle da discussão de um grupo de pessoas, inspirada em entrevistas não directivas. Privilegia a observação e o registo de experiências e reacções dos indivíduos participantes do grupo, que não seriam possíveis de captar por outros métodos, como, por exemplo, a observação participante, as entrevistas individuais ou questionários. Comparado a outras técnicas e/ou métodos, o focus group proporciona uma multiplicidade de visões e reacções emocionais no contexto do grupo. É considerado como um tipo de entrevista ou discussão em grupo (ver Krueger 1994; Krueger and King 1998; Morgan 1997, 1998; Morgan and Krueger 1997–8), cujo enfoque está na interacção dos elementos que constituem o grupo, aquando a discussão de um tema fornecido pelo investigador/moderador (Morgan 1998: 9), dando a transparecer uma visão colectiva e não individual, uma vez que os dados resultam da interacção do grupo.

De acordo com Johnson (1994), referenciado em Dias (2000) “o esforço combinado do grupo produz mais informações e com maior riqueza de detalhes do que o somatório das respostas individuais. I.e., a sinergia entre os participantes leva a resultados que ultrapassam a soma das partes individuais”.

Esta técnica de recolha de dados permite (Krueger 1988; Morgan 1998; Robson 2002: 284–5):

- Desenvolver temas, tópicos e até organizar calendários para entrevistas e questionários subsequentes.

- Gerar hipóteses que advém de perspectivas e opiniões do grupo

- Gerar e avaliar dados de diferentes subgrupos

- Recolher dados qualitativos

- Recolher dados de forma rápida e a baixos custos

- Recolher dados sobre atitudes, valores e opiniões

- Valorizar a palavra dos participantes

- Encorajar grupos para partilharem as opiniões

- Encorajar a participação de pessoas analfabetas

- Obter uma maior abrangência em termos de tópicos (vs. questionário)

- Obter feedback de estudos prévios.

criar focus groups

Os elementos do grupo são escolhidos, de forma mais ou menos homogénea ou heterogénea, para discutir um dado tema ou tópico. Os elementos podem ser escolhidos tendo em conta a sua formação, classe social, profissão, rendimento, entre outros (Brannen and Nilsen, 2002), dependendo dos objectivos da discussão.

Focus group consiste na reunião de seis a 10 pessoas (Morgan, 1998, Dias, 2000) durante aproximadamente duas horas, com um moderador que recorre às dinâmicas de grupo a fim de compreender os sentimentos expressos pelos participantes. O número de pessoas deve ser tal que estimule a participação e a interacção de todos, de forma relativamente ordenada. Dias (2000) defende o grupo de seis pois considera que um grupo com menos pessoas pode comprometer a discussão devido à maior probabilidade de pessoas mais extrovertidas dominarem os restantes. Adverte igualmente para a dificuldade de gerir grupos com mais de 10 pessoas, no que respeita ao foco da discussão e à distribuição de tempo para a participação.

Na perspectiva do participante, esta reunião deve ser vista como flexível e aberta, no entanto cabe ao moderador estruturar e organizar a reunião atendendo aos objectivos pretendidos e, quando necessário compete-lhe redireccionar a discussão, evitando a dispersão, sem, no entanto, interromper a interacção que decorre. O moderador deve partir de um guia de perguntas, no entanto, ao contrário de uma entrevista, deve apenas servir-se dele para se orientar e à discussão que decorre.

O papel do moderador é fundamental (Morgan, 1998, Dias, 2000). Dias (2000) salienta que deve ser uma pessoa “flexível e que tenha boa experiência em dinâmicas de grupo para que possa conduzir a discussão sem inibir o fluxo livre de ideias, promovendo a participação de todos e evitando que certas pessoas monopolizem a discussão”.

vantagens e desvantagens do focus group

Morgan (1998) aponta as vantagens e as desvantagens desta técnica:

- As pessoas não estão no seu ambiente natural, no entanto estão focadas num determinado tópico o que permite ao investigador obter perspectivas e opiniões, que muitas vezes não transparecem em entrevistas individuais;

- Poupa-se tempo e recursos, sendo possível obter muita informação (perspectivas, opiniões, atitudes e até mesmo percepções visuais) num curto espaço de tempo, apesar de ser possível obter mais informação, com o mesmo número de pessoas através de entrevistas individuais;

- Os dados podem ser difíceis de analisar de forma sucinta;

- O facto de estarmos a trabalhar com grupos de pessoas, pode alienar os mais introvertidos e os mais inarticulados e podem surgir, inclusivamente, conflitos;

- Por outro lado, o facto de estarmos a trabalhar em grupo por facilitar a intervenção desses mesmos intervenientes devido às dinâmicas de grupo criadas;

- A validade dos dados obtidos também pode ser questionada.

Devemos realçar que esta técnica tem as suas limitações e não se adequa a investigações que pretendam extrair informações numéricas ou generalizações quantitativas, projecções estatísticas de acções e comportamentos futuros, ou ainda o consenso.

Em termos de conclusão podemos afirmar que quando comparado ao questionário, o focus group permite aos participantes exporem aberta e detalhadamente as suas perspectivas, sendo por isso capaz de reunir respostas mais completas, consentindo um melhor e mais profundo conhecimento do grupo investigado.

É, pelos motivos acima expostos, aplicado como uma técnica “paralela”, que permite colmatar lacunas deixadas por outras técnicas utilizadas em fases anteriores da investigação. É considerada uma técnica útil para triangular com técnicas ditas “tradicionais” de recolha de dados.

Without other inputs, however, focus groups are a ‘cheap and dirty’ substitute for real research. It is all too easy to be tempted into making wild and unjustified generalisations based on what, after all, are a few people talking about a handful of selected issues” (Payne and Payne, 2004:106).

Apesar de reconhecido o seu potencial, o focus group ainda não é uma técnica incontestável na área da investigação em Educação, uma vez que requer uma gestão e organização cuidadas, assim como uma moderação eficaz, por parte do investigador. No entanto, as suas potencialidades são notórias.

bibliografia

Caplan, S. (1990). Using focus group methodology for ergonomic design. Ergonomics, v. 33, n. 5, p. 527-33.

Dias, C. (2000). Grupo Focal: técnica de coleta de dados em pesquisas qualitativas, Informação & Sociedade: Estudos, 10 (2).

Grbich, C. (1999) Qualitative Research in Health. London: Sage.

JOHNSON, D. (1994) Focus groups. In: Zweizig, D. et al. Tell it! Evaluation sourcebook & training manual. Madison: SLIS.

Krueger, R. (1994) Focus Groups: a Practical Guide for Applied Research. (2nd edn).Thousand Oaks, CA: Sage.

Krueger, R. and King, J. (1998) Involving Community Members in Focus Groups. (Focus Group Kit, 5) Thousand Oaks, CA: Sage.

Merton, R., Fiske, M. and Kendall, P. (1956) The Focused Interview. Glencoe, IL: Free Press.

Morgan, D. (1997) Focus Groups in Qualitative Research (2nd edn) (Qualitative Research Methods, Vol. 16). London: Sage.

Morgan, D. (1998) The Focus Group Guide Book. Thousand Oaks, CA: Sage.

Morgan, D. and Krueger, R. (1997–8) The Focus Group Kit (6 vols). Thousand Oaks, CA: Sage.

Payne, G. and J. Payne (2004) Key Concepts in Social Research. London: Sage.

Robson, C. (2002) Real World Research (second edition). Oxford: Blackwell.

Vaughn, S. et al. (1996) Focus group interviews in education and psychology. Thousand Oaks, CA: Sage Publications.


Instrumentos Associados ao focus group: ver Checklists

Ver Técnicas e Instrumentos de Recolha de Dados na Investigação em Educação