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Novas competências vs novas predisposições e novos contextos

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De WikiCampus

O “The New Media Consortium” (2005) apresenta uma proposta de definição do conceito de literacia no século XXI:

[…] the set of abilities and skills where aural, visual and digital literacy overlap. These include the ability to understand the power of images and sounds, to recognize and use that power, to manipulate and transform digital media, to distribute them pervasively, and to easily adapt them to new forms. (p. 2)

Literacia, na concepção Kellner (2000), consiste no desenvolvimento de competências envolvendo formas de comunicação e representação socialmente construídas. Aos indivíduos devem ser dadas as capacidades para compreender, criticar e transformar as condições sociais e culturais em que vivem, tornando-se sujeitos criativos e transformadores e não apenas objetos de dominação e manipulação. Os novos ambientes multimédia exigem uma diversidade de tipos de interação multimodal, envolvendo interfaces com palavras, materiais de impressão e, frequentemente, imagens, gráficos, áudio e vídeo. Com a rapidez a que a convergência tecnológica se desenvolve, precisamos de combinar as competências tradicionais de literacia impressa, com novas formas de interatuar com ambientes de hipertexto multimédia. Neste novo contexto surge o conceito de literacias múltiplas, o qual aponta para vários tipos diferentes de literacias ou competências necessárias para acessar, interpretar, criticar e participar nas novas formas emergentes de cultura e sociedade (Kellner, 2000).

Transpondo esta linha de pensamento para contexto educativos, Jenkins et al. (2006) afirmam que a cultura participativa muda o foco da literacia centrada na expressão individual para o envolvimento comunitário. As novas literacias envolvem, assim, a criação de ambientes de colaboração e de networking, tendo por base competências técnicas, de pesquisa e análise crítica ensinadas na sala de aula, tais como:

  • Jogo – a capacidade de experimentar o meio envolvente como forma de resolver problemas;
  • Desempenho (performance) – a capacidade de adotar identidades alternativas com fins de improvisação e de descoberta;
  • Simulação – a capacidade de interpretar e construir modelos dinâmicos dos processos do mundo real;
  • Apropriação – a capacidade de interagir significativamente com conteúdos média;
  • Multitarefa - a capacidade de mudar o enfoque para detalhes importantes sempre que necessário;
  • Cognição distribuída - competência de interagir com a mais diversas ferramentas de forma a criar redes de sentido, ampliando a nossa capacidade de operar mentalmente;
  • Inteligência Coletiva - a capacidade de partilhar conhecimentos, de comparar observações e trocar ideias em relação a um objetivo comum;
  • Julgamento - a capacidade de avaliar a fiabilidade e a credibilidade de diferentes fontes de informação;
  • Navegação transmédia - a capacidade de acompanhar o fluxo de histórias e informações em várias modalidades;
  • Networking - a capacidade de pesquisar, sintetizar e divulgar informações;
  • Negociação - a capacidade de viajar através de diversas comunidades, exigentes, respeitando as várias perspetivas e apreender as normas alternativas.

Binkley et al. (2010) forneceram uma lista de dez competências para o século XXI, enquadrando-as em quatro grupos:

  • Formas de pensar (criatividade e inovação; pensamento crítico; resolução de problemas; tomadas de decisão; aprender a aprender - metacognição)
  • Formas de trabalho (comunicação; colaboração);
  • Ferramentas para trabalhar (literacia da informação; literacia em TIC);
  • Vivendo no mundo (cidadania - local e global; vida e carreira; responsabilidade pessoal e social - incluindo a consciencialização cultural e competência).

Hilton (2008 apud Ruiz-Primo, 2009) descreveu cinco competências para o século XXI:

1. Adaptabilidade: capacidade e vontade para lidar com condições incertas no trabalho, em mudança constante, aprendizagem de novas tarefas, tecnologias e procedimentos, bem como a resposta eficaz às situações de emergência ou a situações de crise.

2. Comunicações complexas/competências sociais: competências no processamento e interpretação da informação verbal e não-verbal dos demais, a fim de responder adequadamente.

3. Resolução de problemas: um indivíduo hábil na resolução de problemas usa o pensamento de um perito para examinar um grande leque de informações, reconhecer padrões, sintetizar as informações disponíveis e chegar a um diagnóstico do problema.

4. Autogestão/autodesenvolvimento: inclui a capacidade do indivíduo para trabalhar remota e autonomamente, em equipas virtuais, mantendo a automotivação e a automonitorização.

5. Pensamento sistémico: a capacidade de entender o funcionamento de um sistema, adotando uma visão globalizante sobre o trabalho, tendo em conta a forma como uma ação, alteração ou desequilíbrio de uma parte desse sistema afeta o todo. Isto inclui o julgamento e tomada de decisões, análise e avaliação de sistemas, bem como o raciocínio abstrato sobre a interação dos diferentes elementos no processo de trabalho.



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