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Observação

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O que é observar?

Pode ser considerado um estudo naturalista ou etnográfico em que o investigador frequenta os locais onde os fenómenos ocorrem naturalmente. (Fiorentini e Lorenzato)

Segundo Lakatos & Marconi (1992), a observação directa intensiva é um tipo de observação que "[...] utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver e ouvir, mas também em examinar os factos ou fenómenos que se desejam estudar".

Ver não é só olhar e escutar não é só ouvir. A capacidade de observar encontra-se normalmente inibida nas actividades do dia-a-dia. Com o treino da atenção é possível obter uma atitude de observação consciente e conseguir aprofundar a capacidade de seleccionar a informação realmente pertinente. (Instituto António Feliciano Castilho, 1977)

Outra característica do conceito de observação é a de que saber observar, implica confrontar indícios com a experiência anterior para os poder interpretar. (Baden-Powell,1977)

Para o investigador este procedimento implica três operações: • Saber identificar indícios, o que requer um treino continuado da atenção. • Possuir uma experiência anterior adequada, o implica possuir uma boa preparação teórica e empírica • Ter capacidade para comparar o que observa com o que constitui a sua experiência anterior e a partir daí poder tirar conclusões pertinentes, o que obriga a uma formação metodológica sólida.

A importância do treino da observação é também sublinhada pela personagem de ficção Sherlock Holmes, criada por Conan Doyle e que teve grande influência nos métodos de investigação da polícia científica moderna (Barreto, Mascarenhas, 1985 – Prefácio a “um estudo em vermelho”, Conan Doyle).

A observação exaustiva dos pormenores de cada situação é fundamental para a forma como a personagem de Conan Doyle consegue obter informações para fundamentar as suas conclusões.

Para uma intervenção social eficaz, a observação cuidada e sistemática é considerada um meio indispensável para entender e interpretar a realidade. Na medicina, a capacidade de observar é essencial nas técnicas de diagnóstico. O treino da observação é indispensável para a percepção dos indicadores e chegar ao diagnóstico. Nas Ciências Sociais e da Educação os protagonistas apresentam normalmente diferenças visíveis, decorrendo duas características importantes no treino da observação: A capacidade do observador se distanciar do objecto de observação; A capacidade de interpretar um dado comportamento à luz da diversidade cultural. Segundo (Castaño, Javier Garcia (1994), Antropologia de la Educación: el Estudio de la Transmissión - Adquisición de Cultura, Madrid, Eudema, pp.18-19) neste contexto, entender o que acontece numa aula escolar requer a capacidade metodológica de deixar de lado as próprias concepções e estar disposto a questionar tudo o que acontece. Diz ainda que a compreensão do que é o processo educativo passa pelo conhecimento da diversidade e variedade de tal processo entre as também diversas e variadas sociedades humanas.

Uma definição apresentada por (Carmo e Ferreira 2008) diz que “observar é seleccionar informação pertinente, através dos órgão sensoriais e com recurso à teoria e à metodologia científica, a fim de poder descrever, interpretar e agir sobre a realidade em questão.”

Que aspectos observar?

O investigador necessita de encontrar meios para seleccionar a informação útil essencial à resolução do seu problema de investigação. Os indicadores são instrumentos que revelam condições ou aspectos da realidade, que de outra forma não seriam perceptíveis à vista desarmada (Enciclopédia Britânica). Os indicadores podem ser usados para filtrar informação e para orientar o investigador nos aspectos a observar. Os indicadores podem ser classificados como quantitativos ou qualitativos e podem de vários tipos de Demográficos, económicos, sociais

Tipos de observação

As técnicas de observação podem ser tipificadas de várias formas. Uma forma de as agrupar é relativamente à participação do investigador no estudo. A observação pode ser não participante, participante ou participante mas despercebida pelos observados.

Pode ser classificada quanto aos meios utilizados: Observação não estruturada: o investigador recolhe e regista os factos da realidade sem utilizar meios técnicos especiais; Observação estruturada: O observador sabe o que procura e o que considera importante e para isso utiliza instrumentos técnicos específicos para a recolha de dados ou dos fenómenos a observar.

Segundo o número de observadores: Individual: é a técnica de observação realizada por um único investigador. Neste caso, a sua personalidade projeta-se sobre o observado, podendo fazer inferências ou distorções, pela limitada possibilidade de controlo. Em equipa: é a mais aconselhável, pois o grupo pode observar a ocorrência a partir de vários ângulos.

Instrumentos relacionados

Diário do Investigador

Portefólios

Checklists

Bibliografia

Carmo, H. & Ferreira, M. (2008). Metodologia da Investigação. Lisboa: Universidade Aberta.

Castaño, J. (1994), Antropologia de la Educación: el Estudio de la Transmisión-Adquisición de Cultura, Medrid, Eudema


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