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Projecto PCES

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Proposta de intervenção no Ensino Superior para fomentar o Pensamento Crítico

Tabela de conteúdo

Identificação da situação problema

A problemática do presente estudo enquadra-se na constatação da falta de desenvolvimento de capacidades para o Pensamento Crítico no processo de ensino e aprendizagem. Por um lado identifica-se que os alunos apresentam poucas capacidades de Pensamento Crítico, e por outro lado, a falta de formação dos professores sobre como fomentar e desenvolver as capacidades de PC nos alunos. Assim, primeiramente a problemática foi analisada em três dimensões, através do diagnóstico ao nível da aprendizagem, do ensino e da tecnologia. À referida caracterização, segue-se a identificação dos objectivos, prioridades e impactos que desenlaçam, posteriormente, na elaboração da proposta de intervenção. O contexto de análise do presente estudo é o Ensino Superior, nomeadamente a Universidade de Aveiro, uma vez que segue a linha de trabalho do grupo na anterior UC - Desenvolvimento de Materiais Multimédia para Educação.

Aprendizagem

Em The State of Critical Thinking Today (2005), Richard Paul traça o quadro das práticas de ensino e aprendizagem do Ensino Superior. Baseado em vários relatórios e estudos, refere que a aprendizagem ocorre essencialmente em contextos formais, em concreto a sala de aula, dando-se pouca importância aos contextos não formais e informais. Os estudantes de hoje "aprendem" fragmentos superficiais de conteúdos, normalmente esquecidos após a realização de exames. As suas aprendizagens passam fundamentalmente pelo exercício de memória e repetição de informação factual (matérias leccionadas ou material depositado em plataformas), ao invés do desafio intelectual. Poucos alunos conseguem estabelecer conexões entre conteúdos leccionados ou entender profundamente o que estão a aprender ou questionar até a coerência das suas aprendizagens. Na verdade o que falta é o desenvolvimento e incentivo sistemático do pensamento crítico. Regularmente os estudantes deveriam ser convidados a questionar: Qual é o meu propósito? Qual é o conceito-chave que estou a trabalhar? A que pergunta devo responder? Quais os dados ou informações de que preciso? Que conclusões ou inferências posso elaborar? Se eu chegar a estas conclusões, quais as suas consequências? Qual o meu ponto de vista?

Como o pensamento crítico não é uma competência inata e só excepcionalmente é apropriada pelo próprio de forma autónoma (Landsman & Gorski, 2007), cabe à escola o papel de ensinar a pensar e a aprender, competências interdependentes que são exigidas no processo de melhoria de qualidade das aprendizagens.

Ensino

Diversos estudos citados por Snyder & Snyder (2008), tais como os de Landsman & Gorski (2007), Sandholtz, Ogawa & Scribner (2004), Sheldon & Biddle (1998) e Wong (2007), sugerem que o sistema educativo tende a padronizar os currículos e a focalizar a aprendizagem em exames que podem destruir a capacidade de abordar o Pensamento Crítico na sala de aula. Face à pressão das estatísticas, muitos professores direccionam o seu ensino para o exame, descuidando o envolvimento participativo dos alunos no processo de aprendizagem que deveria apelar à liberdade e responsabilidade de cada aluno explorar conteúdos, analisar recursos e aplicar o conhecimento a novas situações (Daz-Iefebvre, 2004; Kang & Howren, 2004).

Hawley et al. (1998) observa que, apesar da expectativa de centrar o ensino no aluno nos diversos níveis educativos, há ainda pouca abertura por parte dos professores para mudarem o seu modelo pedagógico. Citando um estudo de Braxton, os autores indicam que há pouco interesse por parte dos professores em conhecer diferentes métodos de ensino, e que os professores não aceitam bem que os alunos tenham pontos de vista diferentes dos seus.

Infelizmente, estudos demonstram que as estratégias de ensino, as actividades de aprendizagem e os materiais curriculares, habitualmente utilizados pelos professores no ensino superior, estão em linha com uma abordagem assente na transmissão de conhecimentos (Tenreiro-Vieira, 2006). Podemos constatar que os professores continuam a ensinar segundo o método tradicional, onde: usam muitos factos e pouca conceptualização; centralizam o discurso no professor em vez de no questionamento dos alunos; apelam demasiado à memória e pouco ao pensamento; abusam da moda das palestras e dos fóruns ao invés de enfatizar o debate, a argumentação e a troca de experiências; depositam grandes quantidades de bibliografia em vez de sugerirem autores de referência; centram a avaliação em exames e dão pouca atenção a projectos; e disponibilizam pouco tempo para acompanhar os alunos.

Para além do vigor do método de ensino tradicional, os referidos estudos apontam que a maioria dos docentes universitários tem uma noção vaga do Pensamento Crítico, reflectindo-se a sua própria ineficácia no desenho técnico-pedagógico da disciplina e na articulação com outras disciplinas. No entanto, Hawley et al. (1998) referem também que a realidade mostra que as turmas continuam a ser demasiado grandes e o tempo de cada disciplina limitado, normalmente cerca de 2.5h por semana, o que se revela um entrave à exploração de outros métodos. Por isso, sugerem que a integração de outros recursos nos currículos, nomeadamente tecnológicos com destaque para a Internet, poderia apresentar-se como um factor propício a centrar a aprendizagem no aluno e a potenciar o Pensamento Crítico.

Tecnologia

Segundo um estudo de Patricia Greenfield (2009), professora de psicologia da UCLA e directora da Children's Digital Media Center em Los Angeles, os alunos têm mudado como resultado da sua exposição à tecnologia. Numa análise de mais de 50 estudos sobre aprendizagem e tecnologia, incluindo multi-tasking e a utilização de computadores, Internet e jogos de vídeo, a autora verifica que apesar das melhorias nas potencialidades da tecnologia, esta não tem vindo a ser utilizada pelos alunos de uma forma que potencie as suas competências críticas e espírito de análise.

Um estudo realizado por Hompson & Knezek (2002) procurou analisar o efeito de algumas tecnologias no contexto de sala de aula sobre o desenvolvimento de capacidades de pensamento dos alunos, bem como as suas atitudes perante os computadores. Ferramentas como spreadsheet, database, Word e HyperStudio Software foram utilizadas. Os alunos também tiveram acesso à Internet e recorreram a materiais electrónicos. Como resultado da utilização destas tecnologias em sala de aula, os professores envolvidos no estudo indicaram que o processo de ensino e aprendizagem tornou-se mais centrada no aluno e menos no professor e no manual. O ambiente criado facilitou a participação do aluno, focado mais na aplicação do conhecimento do que na sua aquisição.

Assim, Hompson & Knezek (2002) identificaram as tecnologias como uma ferramenta catalisadora para reconstruir e redesenhar a sala de aula, criando um ambiente que promove e encoraja o desenvolvimento de capacidades de pensamento. Citando o trabalho de Peck & Dorricot (1994), os autores apontam que o uso da tecnologia permite aos alunos organizar, analisar, interpretar e avaliar o seu trabalho. Atitudes mais positivas sobre a motivação e a criatividade indicam que, na aprendizagem promovida com o apoio das tecnologias, os alunos controlam mais as suas aprendizagens, concentram-se mais nas questões e propõem mais soluções hipotéticas para os problemas.

Apesar de existirem algumas iniciativas que utilizam tecnologias no contexto de sala de aula para apoiar a promoção do Pensamento Crítico, a tecnologia continua a ser encarada como um meio de acesso e divulgação de informação, não sendo ainda exploradas, na sua plenitude, as potencialidades do ensino e da aprendizagem para o Pensamento Crítico.

Objectivos, prioridades e impactos

Tendo em vista que o desenvolvimento de capacidades de Pensamento Crítico é um aspecto crucial na educação, inserido num contexto de lifelong learning, este estudo tem por objectivo principal explorar formas de fomentar o PC através do processo de ensino e aprendizagem na Universidade de Aveiro.

De acordo com a problemática identificada, algumas questões de investigação orientam o presente estudo, sendo estas:

- Como podem os professores promover capacidades de Pensamento Crítico nos seus alunos?

- O que precisam os professores de saber sobre PC para suportar as suas práticas docentes?

- Como ajudar os professores a desenvolver, no seu processo de ensino, estratégias com vista à promoção do PC?

- Como é que a utilização das tecnologias no processo de ensino e aprendizagem pode contribuir para o desenvolvimento do PC?


De acordo com estas questões, as prioridades são:

- Sensibilizar os professores para a importância do Pensamento Crítico;

- Trabalhar com os professores estratégias de promoção do PC através de uma acção de formação;

- Apoiar os professores na implementação destas estratégias nos seus currículos;

- Fomentar no corpo docente a partilha de experiências através de uma comunidade;

- Integrar as tecnologias no desenvolvimento de capacidades de Pensamento Crítico.


Com esta intervenção são esperados os seguintes impactos:


- Aumento das atitudes reflexivas dos professores sobre as suas práticas docentes com a integração de estratégias de promoção do PC;

- Maior interdisciplinaridade entre os currículos como resultado da envolvência na comunidade;

- Estabelecimento de ambientes educativos mais centrados no aluno, onde possam encontrar maior motivação e estímulo para as aprendizagens académicas e futuros desafios profissionais;

- Consolidação de uma comunidade de aprendizagem e de prática sobre o Pensamento Crítico no contexto educativo.

Proposta de intervenção

De acordo com a situação problema identificada, a proposta de intervenção desenvolve-se para os professores da Universidade de Aveiro, supervisionada por uma Unidade Orgânica responsável.

A acção centra-se no desenvolvimento de actividades de formação para os professores, pois em nossa análise consideramos que estes devem ser o primeiro grupo a envolver-se com a problemática da falta de desenvolvimento de capacidades de Pensamento Crítico na educação. Nesta linha é pertinente convidar os docentes da instituição a participarem em workshops e seminários, a debaterem o assunto em fóruns e/ou comunidades virtuais, a partilharem boas práticas na área à medida que se vão constituindo grupos de trabalho. Estes primeiros grupos de trabalho terão um duplo papel e a árdua tarefa não só de encetar todo processo de construção e reflexão de estratégias para o ensino e aprendizagens dos conteúdos com o envolvimento do Pensamento Crítico, mas também na disseminação e contágio dos restantes colegas de Departamento. De acordo com o diagnóstico notamos também que esta formação de professores deve tocar a área da tecnologia, nomeadamente no que diz respeito à análise e ao desenvolvimento do potencial desta no processo de ensino e aprendizagem.

Ao longo do plano de formação espera-se que os professores consigam de forma consciente e livre (coadjuvados ou não por uma equipa de trabalho) implementar, em contexto formal, não formal e informal, actividades de aprendizagem naturalmente desafiadoras à construção do conhecimento através da análise de informação, exploração de recursos e aplicação do conhecimento a novas situações, bem como a expressão de opiniões e a tomada de decisões fundamentadas. São exemplos dessas actividades apresentações de trabalhos à turma, construção de uma wiki, trabalhos de campo, projectos, blog de CATs (Classroom Assessment Techniques), estudos de caso, recensão de artigos e colaborar numa comunidade ou rede.

A conceptualização desta formação seria referenciada, por exemplo, às normas IDEALS, citadas por Facione (2006), onde indicam seis passos para o pensamento efectivo e resolução de problemas: Identify the problem, Define the contex, Enumerate choices, Analyze options, List reasons explicitly e Self-correct.


Metodologia

Proposta: Acção de Formação para Professores

Organização da Acção: 4 módulos independentes que, no seu conjunto, oferecem um percurso formativo contínuo.

Duração da Acção de Formação: 4 meses / 48 horas

Duração de cada Módulo: 3 semanas / 12 horas

Número de vagas: 15.

Critérios de selecção: Têm prioridade de inscrição os interessados em participar na totalidade da acção. Caso não haja inscrições suficientes para o percurso formativo contínuo, abrem-se as inscrições em módulos independentes. Valorização da diversidade para formar uma turma multidisciplinar.

Metodologia: Blended-learning, com duas sessões presenciais por módulo, e sessões on-line síncronas e assíncronas.

A acção de formação para o Pensamento Crítico no Ensino Superior (PCES) encontra-se organizada por módulos, sendo cada um trabalhado sobre diferentes temáticas, em encontros presenciais e on-line. Cada módulo tem a duração de 12 horas e a cada 3 semanas de formação há uma semana de pausa. De um modo geral cada módulo contempla pelo menos duas sessões presenciais e uma sessão on-line.

A acção como um todo oferece um percurso formativo onde os trabalhos se realizam de forma sequencial e complementar, daí a importância de ter uma turma que preferencialmente realize a acção na sua totalidade. O acção de formação contém os seguintes módulos cujo núcleo de actividades se centra em:

Módulo 1 - compreender o PC;

Módulo 2 - conceber uma actividade formativa que promova o PC (tirando proveito da tecnologia);

Módulo 3 - implementar a actividade testando a tecnologia (se possível em ambiente real com as suas turmas);

Módulo 4 - reflectir sobre a avaliação neste contexto.

Por uma questão de clareza e objectividade do plano de acção e do plano de actividades, optou-se por descrever de modo sequencial os objectivos e actividades a desenvolver em cada módulo. Nesta sequência é possível observar um encadeamento de actividades, contudo a opção pedagógica seria trabalhar os módulos 2, 3 e 4 de forma articulada (cf. cronograma versão articulada)

As actividades colaborativas são desenvolvidas on-line, recorrendo à comunicação síncrona e/ou assíncrona, conforme a dinâmica adoptada por cada grupo de trabalho. Nos momentos à distância, enfatizam-se actividades de cunho colaborativo entre os envolvidos – formadores e formandos, onde a promoção das capacidades de Pensamento Crítico está intrínseca aos propósitos/objectivos de cada actividade.

A comunidade conta com o apoio da Web 2.0 para a sua dinamização e sustentação on-line. Ferramentas como a Plataforma Sapo Campus, Spkype, Zorap, Googledocs, entre outras, podem ser utilizadas.

A avaliação é entendida como um processo contínuo, não pontual, e apresenta uma natureza qualitativa que se mantém ao longo de todo o Projecto. Entende-se igualmente que esta deve ser realizada em dois diferentes contextos, interno e externo.

Plano de Acção

Tendo em conta o diagnóstico feito em conjugação com a revisão de literatura efectuada, o plano de acção contempla cinco vectores de intervenção: sensibilização, formação, conceptualização, comunicação e avaliação; desenvolvidos pelas acções que a seguir se descrevem:

1. Acção de Sensibilização

Divulgação e apresentação pública para a Comunidade Académica do Projecto PCES no início do ano lectivo.

2. Acção de Formação

A acção de formação é constituída por quatro módulos que são apresentados na tabela seguinte:

Acção ModalidadeDuraçãoObjectivos
Módulo 1 - Fundamentos do pensamento críticopresencial + on-line6h + 6h- Apresentação da acção de formação (objectivos, estrutura e funcionamento);

- Caracterizar as concepções sobre PC dos participantes;

- Promover reflexão sobre as práticas docentes;

- Apresentar os fundamentos sobre o Pensamento Crítico no contexto da educação;

- Desenvolver competências para o pensamento crítico, de acordo com Fancione (2006) e Ennis (1996), através de um trabalho colaborativo a ser desenvolvido em grupo.

Módulo 2 - Estratégias técnico-pedagógicas para promoção do PCpresencial + on-line6h + 6h- Analisar casos de sucesso de promoção do PC no ensino superior e reflectir sobre as metodologias e estratégias utilizadas;

- Relevar o papel das tecnologias, em especial da Web2.0, no suporte à promoção do PC;

- Estimular a concepção de percursos educativos mais criativos, estimulantes e centrados nos alunos;

- Identificar e conceptualizar actividades que integrem o PC como dimensão essencial no processo de aprendizagem.

Módulo 3 - Tecnologias educativas para promoção do PCpresencial + on-line6h + 6h

- Promover a qualidade na produtividade e eficiência das Tecnologias Educativas na promoção do Pensamento Crítico;

- Implementar estratégias de ensino que valorizem as competências transversais e a realização de tarefas de uma forma autónoma e reflectiva por parte do aluno, integrando as Tecnologias Educativas no processo de ensino e aprendizagem;

- Integrar recursos de apoio online, prolongando os momentos de aprendizagem no tempo e no espaço e motivando a discussão crítica, potenciando a promoção de boas práticas nos vários contextos e modelos de aprendizagem, de que são exemplo o trabalho colaborativo e as comunidades virtuais de aprendizagem.

- Incluir as Tecnologias Educativas como ferramentas potenciadoras e geradoras de novas situações de aprendizagem e metodologias de trabalho promovendo o pensamento crítico.

Módulo 4 - Avaliação em novos ambientes educativospresencial + on-line6h + 6h- Estimular o desenvolvimento de uma cultura de avaliação e aperfeiçoamento contínuos;

- Construir, aplicar e avaliar instrumentos de avaliação;

- Definir, hierarquizar e avaliar objectivos;

- Integrar ferramentas da Web 2.0 nas práticas de avaliação do processo de ensino e aprendizagem.

3.Comunidade on-line

Dinamização da comunidade através de espaços de comunicação síncronos e assíncronos.

4.Avaliação

Avaliação interna e externa do projecto.

Recursos Humanos e Técnico-Pedagógicos

Descrição e fundamentação da adequação dos recursos humanos às exigências científicas e pedagógicas e à qualidade de ensino

O percurso da Universidade no processo de ensino-aprendizagem proporcionou a afectação de recursos humanos e o seu desenvolvimento no âmbito das competências inerentes às áreas da Didáctica, Ciências e Tecnologias da Comunicação. A actividade científica, pedagógica e de investigação dos Formadores tem prosseguido na constante actualização e adaptação às novas realidades da Didáctica e da Comunicação Multimédia, tanto mais por se tratar de uma área especialmente dinâmica, dispondo de docentes que concluíram ou estão a efectuar cursos ou investigações de pós-graduação relacionadas com a mesma. Para o funcionamento do projecto são necessários 6 Formadores. Todos os formadores são recursos próprios da UA (2 Doutores e 4 Mestres).

Módulos Formadores
Fundamentos do pensamento críticoPhD António Moreira

MSc Ticiana Tréz

Estratégias técnico-pedagógicasPhD Luis Pedro

MSc Sara Petiz

Tecnologias educativasPhD Luis Pedro

MSc Jorge Gonçalves

Avaliação em novos ambientes educativosPhD António Moreira

MSc Sandra Ferrão

Para além dos formadores da acção, a execução do plano de acção envolve os seguintes recursos humanos e o envolvimento das seguintes entidades:

Descrição e fundamentação da adequação dos recursos materiais às exigências científicas e pedagógicas e à qualidade de ensino

O Projecto PCES decorre nas instalações da Universidade de Aveiro, com os equipamentos e recursos materiais que a Universidade dispõe:

- Salas, auditórios, laboratórios, Sala de Informática, Internet.

- na UA existe um conjunto de software vasto e apropriado ao curso. A UA possui laboratórios de Áudio, Vídeo, Multimédia e Comunicação, bem apetrechados a nível de hardware e software actualizado que permite realizar este Projecto.

Tratando-se de um projecto que envolve principalmente recursos da própria UA, os parceiros que estão ligados à Instituição assumem o compromisso de proporcionar o apoio necessário à elaboração, implementação e sustentação do Projecto PCES. Frente a estes compromissos, a reitoria desempenha um papel relevante na responsabilização e motivação para um efectivo desenvolvimento do Projecto e para a participação do corpo docente (formandos). O Projecto contará com uma Unidade Orgância que supervisiona a formação, assegurando toda a fundamentação, principalmente científica e pedagógica, para o desenvolvimento das actividades previstas. O envolvimento do CICUA e da equipa do Sapo Campus é fundamental para se assumir o compromisso de prestar apoio técnico e tecnológico, garantindo suporte à acção de formação e à comunidade a ser criada. Quanto ao processo de avaliação marca-se o envolvimento da equipa do L@QE - Laboratório de Avaliação da Qualidade Educativa, e do Sistema de Garantia de Qualidade da UA de forma a assegurar a qualidade e o desempenho positivo do Projecto. É o compromisso assumido por todas as entidades envolvidas que garante a sustentabilidade do Projecto.

Plano de Actividades

1. Acção de Sensibilização

Dar conhecimento do projecto à Comunidade Académica através do jornal online da UA @ua_on-line e de todos os sítios onde a agenda de eventos é divulgada.

Apresentar publicamente o projecto, no início do ano lectivo, com a participação do Reitor e individualidades do Conselho Pedagógico e Científico da Universidade. Nesta acção de sensibilização procura-se o envolvimento e a disponibilidade de professores para o projecto, referenciado à melhoria das práticas de ensino e aprendizagem.

2. Acção de Formação

MÓDULO 1 - FUNDAMENTOS DO PENSAMENTO CRÍTICO 

1ª Sessão (presencial - 3 horas)

Objectivos centrais: Apresentar a acção de formação (objectivos, estrutura e funcionamento); Caracterizar as concepções sobre PC dos participantes; Promover reflexão sobre as práticas docentes, confrontando estas com as concepções referidas anteriormente; Apresentar os fundamentos sobre o Pensamento Crítico no contexto da educação; Desenvolver competências para o PC, de acordo com Fancione (2006) e Ennis (1996), através de um trabalho colaborativo a ser desenvolvido por grupos.

– Apresentação

O formador explica a estrutura de toda a formação, as temáticas e os objectivos de cada módulo, bem como o funcionamento do trabalho on-line – dinâmica das actividades, plataformas utilizadas, ferramentas de apoio, etc. Procura-se criar um ambiente convidativo à participação de todos, onde, desde o princípio, marca-se a diluição da hierarquia formador-formando.

– Concepções & Reflexões

Exposição, por parte dos envolvidos, acerca do que eles pensam sobre o PC. Questioná-los sobre quais são as suas práticas docentes comuns. Promover uma discussão confrontando as concepções e as práticas implementadas em sala de aula, e também fora destas, de forma que reflictam sobre as suas atitudes e concepções sobre o PC.

– O que é o Pensamento Crítico

Apresentar e discutir os fundamentos do Pensamento Crítico no contexto educativo, à luz dos autores de referência e das investigações realizadas na área, dos documentos de relevância na educação (declarações da OCDE, do Ministério da Educação, etc.), procurando relacionar com as concepções levantadas pelos participantes no momento anterior.

– Trabalho colaborativo

Finalização da primeira sessão com a apresentação dos objectivos e do funcionamento do trabalho colaborativo, onde se deve procurar identificar uma problemática na sua área, identificando conteúdos que possam trabalhar de forma a integrar o desenvolvimento das capacidades do Pensamento Crítico. Criação dos diferentes grupos de trabalho inseridos no Blog do Projecto PCES para partilharem e registarem o desenvolvimento do trabalho.

2ª Sessão (on-line - 6 horas, síncrona e assíncrona)

Objectivos centrais: Acompanhar os trabalhos; Desenvolver competências para o PC, de acordo com Fancione (2006), "Identify the problem, Define the contex, Enumerate choices, Analyze options, List reasons explicitly e Self-correct.

Na segunda semana ocorre uma sessão on-line síncrona com cada grupo para o acompanhamento da evolução dos trabalhos. Esta sessão tem a duração de 1 hora, e o restante de tempo on-line (5h) é gerido pelos formandos para a realização do trabalho colaborativo sobre a temática proposta.

3ª Sessão (presencial - 3 horas)

Objectivo central: Partilha e discussão

Os grupos partilham os trabalhos colaborativos num ambiente de discussão e argumentação de ideias, promovendo-se um momento em que podem colocar em prática as competências para o Pensamento Crítico trabalhadas. Encerramento do módulo com trocas de impressões e reflexão sobre as actividades desenvolvidas.


MÓDULO 2 - ESTRATÉGIAS TÉCNICO-PEDAGÓGICAS PARA A PROMOÇÃO DO PENSAMENTO CRÍTICO

1ª Sessão (online - 1 hora, assíncrona)

Objectivo central: Apresentar algumas propostas de metodologias e estratégias, fundadas em casos de estudo, que podem ser desenvolvidas em sala de aula para a promoção do Pensamento Crítico.

Na plataforma Sapo Campus são dadas as boas-vindas ao novo módulo e o formador disponibiliza uma apresentação com as principais ideias do módulo, lançando algumas questões que sirvam de mote à sessão presencial. Pretende-se que os professores reflictam com base na leitura de artigo científico, publicado no blog, estratégias e metodologias para fomentar capacidades do PC no contexto educativo: identificar assunções, clarificar ou focar questões relevantes para o assunto, fazer inferências (incluindo deduções e induções), avaliar ou ajuizar a credibilidade de uma fonte.


2ª Sessão (presencial - 3 horas)

Objectivo central: Conhecer estratégias para a promoção do PC e desenvolver uma estratégia para dar resposta à situação problema identificado no módulo 1.

– Discussão

Apresentação e discussão sobre as estratégias tecnico-pedagógicas para a promoção do PC apresentadas na documentação disponibilizada. Reflexão sobre as questões lançadas. Partilha de experiências bem (ou mal) sucedidas, quer relatadas em bibliografias, quer relatada pelos próprios.

– Conceptualização do trabalho a realizar

Reflectir sobre as estratégias para a promoção do PC no ensino e identificar propostas de actividades concretas para os trabalhos a realizar.


3ª Sessão (online - 5 horas, síncrona e assíncrona)

Objectivo central: Desenvolver e acompanhar os trabalhos.

– Desenvolvimento dos trabalhos

Realização colaborativa do trabalho de grupo sobre a temática proposta. Utilização da plataforma sapo para a criação da comunidade onde os grupos irão registar a evolução do trabalho. O acompanhamento do trabalho pode ser feito através da publicação de post no blog ou caso necessário através de uma sessão síncrona com os formadores, para a colocação de algumas dúvidas ou discussão sobre alguma opção a implementar na actividade.

4ª Sessão (presencial - 3 horas)

Objectivo central: Partilha dos trabalhos

Encerramento do módulo com partilha dos trabalhos desenvolvidos.


MÓDULO 3 - TECNOLOGIAS EDUCATIVAS PARA A PROMOÇÃO DO PENSAMENTO CRÍTICO

1ª Sessão (presencial - 3h)

Objectivo central: Implementar o projecto planeado e definido no módulo 2 utilizando estratégias de ensino que integrem as Tecnologias Educativas no processo de ensino e aprendizagem.

Apresentação de soluções tecnológicas adequadas às propostas de implementação do projecto de cada grupo. Cada grupo deve justificar as opções tecnológicas que pretende implementar de acordo com os objectivos a alcançar. Discussão sobe as potencialidades e limitações das opções tecnologias relativamente ao seu potencial em fomentar o pensamento crítico.

2ª Sessão (online - 6 horas, síncrona e assíncrona)

Objectivo central: Acompanhar e orientar a implementação dos projectos integrando recursos de apoio on-line para potenciar o trabalho colaborativo.

Análise e discussão do relatório de progresso de cada grupo. Apresentação de sugestões relativamente à orientação do projecto de forma a atingir os objectivos propostos.

3ª Sessão (presencial - 3horas)

Objectivo central: Apresentação dos projectos e partilha de experiências e dificuldades sentidas.

Apresentação do projecto desenvolvido por cada grupo. Discussão sobre as potencialidades e limitações de cada projecto assim como dificuldades sentidas na sua implementação.


MÓDULO 4 - AVALIAÇÃO EM NOVOS AMBIENTES EDUCATIVOS

1ª Sessão (presencial - 3 horas)

Objectivos centrais: Estimular o desenvolvimento de uma cultura de avaliação e aperfeiçoamento contínuos; Reconhecer a identidade e participação digitais como parâmetros de análise da avaliação.

Nesta sessão pretende-se dinamizar um brainstorming sobre: Qual deve ser a função da avaliação? Que aspectos devem ser valorizados? Quem deve avaliar quem? O que devemos avaliar? Como podemos avaliar? Também procura-se reflectir sobre a integração da ferramentas da Web 2.0 nas práticas de avaliação (por exemplo potencialidades do LMS), bem como, enquanto, instrumentos de avaliação do processo de ensino e aprendizagem (por exemplo portefólios digitais, participação no blog, wiki, mapas conceptuais)

2ª Sessão (on-line - 6 horas, síncrona e assíncrona)

Objectivos centrais: Definir, hierarquizar e avaliar objectivos; Construir, aplicar e avaliar instrumentos de avaliação;

Desenvolver uma proposta de avaliação que verse o processo e o produto das aprendizagens dos alunos na referida actividade, até então trabalhada, e que de alguma forma esteja subjacente o pensamento crítico dos alunos (e dos professores).

3ª Sessão (presencial - 3 horas)

Objectivo central: Partilha das propostas de avaliação

Cada grupo de trabalho deve apresentar e partilhar a proposta de avaliação que desenvolveu para avaliar da forma mais assertiva o plano de actividade(s) que desenvolveu no módulo 2 e 3.


3.Comunidade on-line

O projecto PCES também vai estar no Sapo Campus! Através da equipa de acompanhamento e dos professores que desde logo se sentiram motivados para integrar a formação e participarem directamente da discussão e implementação de estratégias técnico-pedagógicas para o desenvolvimento do Pensamento Crítico. Na Comunidade on-line não só é partilhado o desenvolvimento dos trabalhos como permite criar laços de afinidade com outros professores que inicialmente não tenham aderido ao Projecto.

4.Avaliação

A avaliação do Projecto PCES decorre da avaliação interna do plano de formação para os professores e da avaliação externa do projecto ao nível das mudanças de práticas de ensino e aprendizagem reconhecidas (ou não) pelos alunos. No tópico seguinte Acompanhamento e Avaliação desenvolve-se este aspecto.

De acordo com o que foi referido na proposta de intervenção, apresentamos dois cronogramas possíveis à implementação do plano de acção:

CRONOGRAMA - versão Sequencial Imagem:cronograma.png


CRONOGRAMA - versão Articulada Imagem:cronograma_int.png

Acompanhamento e Avaliação

O acompanhamento do projecto é feito por uma equipa multidisciplinar com afinidade às áreas de Educação, Tecnologia e Comunicação. Naturalmente deverá ser uma equipa que assuma de forma responsável este projecto, consciente de que não só será importante o apoio e acompanhamento dos professores em formação, como também se devem assumir como o verdadeiro motor de dinamização das áreas de comunicação e sobretudo serem um exemplo de sucesso nas suas práticas de ensino e aprendizagem pelo pensamento crítico. Pelo exposto, a escolha da equipa de acompanhamento deverá ser feita com base em critérios de "profissionalismo" e não por critérios de conveniência. Em nossa opinião ninguém pode partilhar ou levar à execução aquilo que não sabe ou não pratica.

Antes de implementar o projecto no terreno, a equipa deverá procurar momentos para discutir os melhores timings para lançar a primeira acção de sensibilização, face à agenda cultural e científica publicada no jornal online da UA. Desde logo o blog no Campus Sapo deve ser um espaço privilegiado para partilha e construção de conhecimento em torno da temática: Pensamento Crítico.

Em relação à acção formação, a proposta sequencial dos módulos pareceu-nos ser a mais exequível em termos de recrutamento de formadores, contudo reconhecemos que o módulo 2, 3 e 4 fazem parte do corpo de desenvolvimento da(s) actividade(s) que o grupo de professores-formandos irão propôr para as suas aulas. Assim, cabe à equipa de acompanhamento do projecto PCES optar entre a versão sequencial ou versão articulada dos módulos mediante a disponibilização dos recursos humanos e opções de implementação do projecto PCES.

Para além da gestão dos recursos humanos e técnicos a mobilizar para a dinamização do ponto 2 do plano de acção, a equipa deve fazer um relatório final do projecto, com base nos diferentes elementos que recolhe a nível dos inquéritos e participação no blog. Acresce dizer que esta equipa terá também a missão de auto-regular todo o processo do projecto.

Avaliação Interna

Na avaliação do programa de formação será utilizada a técnica de inquérito. Na fase inicial é aplicada um questionário com o propósito de fazer o levantamento de ideias e concepções dos professores sobre pensamento crítico, numa perspectiva de relação com as suas práticas. Na fase final da formação é aplicado um questionário de avaliação do programa de formação, cujo objectivo será recolher informação quanto à forma como o programa foi desenvolvido e concretizado (módulos de informação, actividades, trabalho colaborativo, …), interesse e importância da formação para as práticas de ensino dos professores e de aprendizagem dos alunos, assim como para o seu próprio desenvolvimento profissional.

Avaliação Externa

A avaliação externa será realizada pelo L@QE - Laboratório de Avaliação da Qualidade Educativa. Também estará envolvido o Sistema de Garantia de Qualidade da UA, através da introdução, nos inquéritos já distribuídos aos alunos da Universidade de Aveiro, de questões relativas às actividades propostas pelos professores no envolvimento das capacidades para o pensamento crítico na identificação, definição, análise, argumentação e tomada de decisões na concretização das diferentes tarefas.

Visão do Projecto a Longo Prazo

Para além do trabalho proposto, que prevê a promoção do PC através do trabalho com professores, de forma indirecta nas suas disciplinas, gostaríamos de promover o projecto também com os alunos, de uma forma agora directa em relação às práticas do PC. Assim, pensámos na disponibilidade, por parte do Gabinete Pedagógico da UA, de um módulo de prática de capacidades para o pensamento crítico, que poderia ser desenvolvido de forma a poder ser utilizado de forma autónoma ou em rede, através de uma aplicação interactiva e desafiante, por exemplo baseada em jogo (GBL). Esta acção vem, assim, reforçar e complementar as competências dos alunos, já desenvolvidas nas disciplinas, de forma indirecta. Em simultâneo reforça igualmente as competências do próprio gabinete. Pensámos que a realização deste módulo poderia ser incentivada através da atribuição de créditos ECTS (European Credit Transfer and Accumulation System). A conceptualização destes módulos seria referenciada, por exemplo, às normas IDEALS (seis passos para o pensamento efectivo e resolução de problemas: Identify the problem, Define the context, Enumerate choices, Analyze options, List reasons explicitly e Self-correct).

Recolhidos os resultados do projecto e demonstrado o seu impacto positivo, pretende-se levar a experiência para outros níveis de ensino, já que acreditamos que as capacidades de Pensamento Crítico devem ser desenvolvidas desde os mais baixos níveis de ensino. Consideramos que a Universidade, como entidade responsável pela reflexão e investigação sobre a escola do futuro, deve promover e disseminar boas práticas na rede escolar. Neste sentido, propomos que a Universidade, à semelhança do trabalho que desenvolve com o Programa Nónio, ou integrado neste, possa desenvolver estas acções junto dos professores do ensino básico e secundário.

Ainda nesta perspectiva de estender esta experiência para a comunidade, pensamos que esta formação poderia ser igualmente interessante para centros de formação e/ou formadores independentes. Por isso, e validados os impactos positivos no interior da Universidade, propomos que a acção seja apresentada à DGERT Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho com o objectivo de ser certificada e reconhecida para efeitos de renovação do CAP (Certificado de Aptidão Profissional).

Análise Crítica

Durante o desenvolvimento da proposta deparámo-nos com algumas barreiras que podem condicionar a implementação do projecto. Desde logo estamos conscientes que a acção de sensibilização e divulgação do projecto deve ter o maior impacto possível na Comunidade. A Universidade de Aveiro, enquanto instituição de Ensino Superior deve assumir este projecto como uma “ferramenta” para elevar os patamares de qualidade, autonomia e flexibilidade. No discurso da sessão de abertura do ano lectivo de 2009/10 do Professor Doutor José Medeiros Ferreira, reconhecemos a sua preocupação com a necessidade urgente de fomentar as capacidades do pensamento crítico nas dinâmicas de ensino e aprendizagem desenvolvidas no Campus. «Ora as sociedades contemporâneas voltam a necessitar do cultivo de um método para o pensamento crítico. O conformismo, parente próximo de amorfismo, leva em linha recta ao erro ou à estagnação e dificilmente abrirá espaços e meios para a inovação conceptual, científica e até técnica.» (cit. A Universidade e a Crise do Pensamento Crítico, 23 Setembro 2009). Consideramos assim, esta acção como um investimento essencial na formação do quadro docente da Universidade de Aveiro. Contudo, estamos conscientes de que este investimento pode não encontrar o devido suporte político e financeiro para a sua implementação, o que consideramos que seria um grande entrave à sua execução.

Uma barreira que pode colocar em causa a viabilidade do projecto é a motivação dos professores em aderir ao projecto, isto é participarem e envolverem-se de forma aberta e sem (pré)conceitos nas diferentes actividades que estão contempladas no plano de acção do projecto PCES. De facto saber muito não significa estar apto a ensinar, como refere Guerra (2000:9) “uma escola inteligente, ou em vias de o ser, não pode centrar-se exclusivamente na aprendizagem reflexiva dos alunos, mas deve sobretudo ser um ambiente informado e dinâmico que proporcione igualmente uma aprendizagem reflexiva aos professores”.

Ainda em relação às barreiras, consideramos que a mancha horária dos professores pode comprometer a sua disponibilidade para a frequência e participação nas actividades da acção.

Apesar das barreiras identificadas, reconhecemos também no projecto algumas potencialidades que o tornam atractivo e estimulante para a organização e para o público-alvo.

De acordo com Hawley et al. (1998), a maioria dos docentes universitários tem uma vaga noção sobre o Pensamento Crítico, reflectindo-se na própria ineficácia no desenho técnico-pedagógico da disciplina, bem como na articulação com outras disciplinas. Considerando que o Projecto pretende desenvolver competências para o Pensamento Crítico, acreditamos que a sua implementação seja uma interessante via para promover a significância das aprendizagens, bem como articulação entre as disciplinas, mais claramente, fomentar a interdisciplinaridade e o trabalho colaborativo, quer entre alunos, como também entre professores. Desta forma, acreditamos estar a promover um ensino mais estimulante, o que se converte numa imagem mais positiva da próprio organização no exterior.

A integração no processo educativo do ensino superior das dimensões ensino, aprendizagem e tecnologia é também uma das potencialidades que consideramos no projecto, permitindo, assim, colmatar as dificuldades que os professores sentem em compreender a complexa ligação entre tecnologia, pedagogia e conteúdo, segundo os autores Kim & So (2009).

Por outro lado, consideramos que a pertinência, actualidade e relevância do tema nas práticas docentes diárias e a falta de produtos concorrenciais, dentro ou fora da Universidade, tornam a proposta atractiva e com potencialidade de a extrapolar para outros cenários educativos e formativos.

Finalmente, a organização da acção numa estrutura modular e metodologia flexível (blended-learning) e a possibilidade de integrar, em tempo real, os resultados nas práticas docentes, com apoio de uma equipa de suporte, apresentam uma resposta à possível limitação de disponibilidade e motivação dos professores.

Bibliografia

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