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Questionário

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Questionário

Segundo Quivy & Campenhoudt (1992) “ consiste em colocar a um conjunto de inquiridos, geralmente representante de uma população, uma série de perguntas relativas à sua situação social, profissional ou familiar, às suas opiniões, à sua atitude em relação a opções ou a questões humanas e sociais, às suas expectativas, ao seu nível de conhecimentos ou de consciência de um acontecimento ou de um problema, ou ainda sobre qualquer outro ponto que interesse os investigadores”. Pardal & Correia (1995), o questionário é um conjunto de questões estruturadas com o fim de obter dados das pessoas a quem se dirige. O questionário pode ser de administração directa quando é o próprio inquirido a registar as opções de resposta e de administração indirecta quando é o próprio investigador (ou inquiridor) que preenche em função das respostas dadas pelo respondente.

Elaboração do questionário

Na elaboração do questionário deve ter-se em conta alguns aspectos relacionados com os objectivos a que se destina e a entidade que o promove, neste caso o investigador(es). Os dados biográficos dos inquiridos podem ser registados no início ou no fim do questionário. A extensão do questionário deve ter em atenção o público alvo, geralmente o seu preenchimento não deve ultrapassar 45 minutos, sob pena de os inquiridos dispersarem a sua atenção e concentração. As primeiras questões devem ser simples e objectivas evoluindo à medida do questionário para questões mais íntimas e mais complexas. O vocabulário usado deve ser do conhecimento do inquirido e dominado pelo mesmo. Ainda em relação às questões, estas devem ser curtas, claras, sem repetições e sequenciais, normalmente socorre-se das chamadas perguntas-filtro (exemplo: leste o artigo Y? se o inquirido não leu, as perguntas sub-sequentes relacionadas não são aplicáveis). Por outro lado, não deve incluir duas questões numa só (double-barrelled questions), pois pode levar a respostas induzidas ou nem sempre relevantes, além de não ser possível determinar qual das “questões” foi respondida, aquando o tratamento da informação. Nas questões mais sensíveis de natureza ideológica, religiosa, política e outras, deve escrever-se um parágrafo introdutório para preparar o inquirido da mudança de plano para mais íntimo. Finalmente o aspecto gráfico deve ser cuidado quanto à estrutura e forma. De uma forma resumida podemos dizer que o investigador na elaboração do questionário deverá atender aos princípios básicos seguintes:

• Princípio da Clareza (questões claras, concisas e unívocas)

• Princípio da Coerência (respostas coerentes com intenção da própria pergunta)

• Princípio da Neutralidade (libertar o inquirido do referencial de juízos de valor ou do preconceito do próprio autor)


Tipos de questões

Questões fechadas

Uma questão diz-se fechada quando as hipóteses de resposta são impostas. O respondente apenas pode assinalar resposta(s) mediante as várias opções que lhe são apresentadas. Deste modo, o respondente terá de identificar a resposta que pretende dar , face à listagem que lhe é apresentada . Dentro da classe das respostas fechadas identificam-se três categorias:

• Questões de resposta única

• Questões de resposta múltipla

• Questões de escala

O quadro que se segue apresenta um resumo :

Ficheiro:quest1.png


As questões de resposta fechada têm a vantagem do tratamento dos resultados ser facilitado pela codificação e normalização da informação. A limitação de um questionário que apenas seja formado por questões fechadas é a pouca profundidade da informação. Para obviar esta limitação o investigador deverá formular o questionário contemplando diferentes tipologias de questões.

Questões abertas

Neste tipo de questões não há qualquer limitação às respostas a dar pelos inquiridos: estes respondem livremente à questão. O tratamento de informação é mais difícil, mas os dados obtidos são mais ricos, uma vez que revelam os motivos da tomada de posição dos inquiridos Exemplo: “por que motivo frequentas o Programa Doutoral em Multimédia em Educação?”

Questões semiabertas

Numa questão semiaberta, estão envolvidas o tipo de resposta fechada e aberta, decorrentes de questões fechadas e questões abertas, respectivamente. Exemplo:“no seu actual Programa Doutoral identifique as actividades que desenvolve regularmente:"

 Consulta bibliográfica

 Fórum online

 Participação em conferências, encontros e palestras

 Utilização do Sapo Campus

 Outras:________________________________


Escalas

Quando se aplica um questionário pretende-se medir aspectos como atitudes ou opiniões do público-alvo, e tal só é possível através da utilização de escalas. Existem quatro tipos de escalas: de Likert , Visual Analogue Scales (VAS), Numérica e de Guttman.

A escala de Likert é do tipo de resposta psicométrica e é a escala mais usada em pesquisas de opinião. É formada por um conjunto de cinco proposições, das quais o inquirido deve seleccionar uma, podendo estas ser: concorda totalmente, concorda, sem opinião, discorda, discorda totalmente. A cotação das respostas varia de modo consecutivo, por exemplo: +2, +1, 0, -1, -2 ou utilizando pontuações de 1 a 5.

Visual Analogue Scales (VAS) é um tipo de escala que decorre da escala de Likert apresentando os mesmos objectivos mas com um formato diferente. Este tipo de escala baseia-se numa linha horizontal com 10 cm de comprimento apresentando nas extremidades duas proposições contrárias:

Útil _________________________________Inútil

O inquirido deve responder à questão assinalando na linha a posição que corresponde à sua opinião.

A Escala Numérica deriva da escala anterior na qual a linha se apresenta dividida em intervalos regulares.


ÚtilI ____I_____I_____I_____I_____I_____I Inútil


A escala de Guttman é formada por um conjunto de respostas que estão hierarquizadas. Deste modo se um inquirido concordar com uma das opções está a concordar com todas as que se encontram numa posição inferior na escala. A cada item é atribuído cotação que se inicia em zero e é acrescentada de um ponto para as opções que se seguem. Este tipo de escala, contrariamente às anteriormente referidas, pretende fazer uma apreciação quantitativa relativamente à atitude do inquirido; as restantes escalas medem o grau de concordância ou discordância relativamente às proposições de opinião.

Vantagens e desvantagens e Limitações

Em Almeida (1994) encontramos o quadro resumo relativo às vantagens e limites do instrumento questionário:

Ficheiro:quest2.png


Contudo da consulta de outras fontes podemos apontar outros aspectos relativos às vantagens e desvantagens deste instrumento:

Vantagens • aplica-se ao estudo de um fenómeno ou problema quando se julga apreender melhor a partir de informações relativas aos indivíduos da população em questão; • Proporciona o conhecimento de vários parâmetros de uma dada população; • Possibilita quantificar uma multiplicidade de dados e proceder a numerosas análises de correlação; • Garante o anonimato das respostas; • Admite que os inquiridos respondam no momento que consideram mais oportuno; • Possibilita uma maior sistematização dos resultados obtidos e facilidade de análise; •

Desvantagens • Representatividade da população com a definição da amostra; • Custos elevados; • Indivíduo tratado como unidade estatística (perda das relações sociais entre os inquiridos); • Pequena percentagem de questionários correctamente/completamente preenchidos ; • Índice de devolução baixo; • Aplicação depende das habilitações literárias dos inquiridos; • Dificuldade na concepção

Aplicação do questionário

Antes de se aplicar o questionário, deve realizar-se um pré-teste, aplicado apenas a um pequeno grupo de elementos da população alvo. O objecti vo do pré-teste consiste em determinar e corrigir ambiguidades, omissões e equívocos do questionário. A prática da implementação do pré-teste permite avaliar se o questionário está ajustado em termos de vocabulário, ordem das questões e significado destas para o respondente.

Análise dos dados

Nesta fase procede-se à codificação das respostas, ao tratamento dos dados através da Análise_Quantitativa e/ou Análise_Qualitativa para de seguida se proceder à elaboração das conclusões.

Ver Técnicas e Instrumentos de Recolha de Dados na Investigação em Educação

Bibliografia

Almeida, J. F.(1994). Introdução à Sociologia, Universidade Aberta, Lisboa.

Carmo, H. & Ferreira, M. (1998). Metodologia da Investigação - Guia para Auto-aprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta.

Quivy, R.& Campenhoudt, L. (1992). Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva.

Rojas, R. O. (2001), El Cuestionario; [online] Disponível em http://www.nodo50.org/sindpitagoras/Likert.htm (consultado em 2 de Abril)