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Tabela de conteúdo

Aprendizagem

A aprendizagem pode ser definida como uma “construção pessoal, resultante de um processo experimental, interior à pessoa e que se traduz numa modificação de comportamento relativamente estável. É um processo, uma vez que ocorre ao longo de um período de tempo que pode ser mais ou menos longo; é uma construção pessoal, entendendo-se que nada se aprende verdadeiramente se o que se pretende aprender não passa através da experiência pessoal de quem aprende, numa procura de equilíbrio entre o adquirido e o que falta adquirir e através de mecanismos de assimilação e acomodação; é experiencial, interior à pessoa, na medida quem que apenas podemos avaliar a aprendizagem através dos seus efeitos, isto é, através das modificações que ela opera no comportamento exterior, observável, do sujeito” (Tavares e Alarcão, 2002). [✓]
Como afirmava Leonardo Coimbra (1997), o "mundo a fazer" é o seu próprio eu, ou seja, o "Homem" é "obreiro" de si mesmo, auto-constrói-se e auto-edifica-se em todas as dimensões.
O Homem não é uma inutilidade num mundo feito, mas o obreiro de um mundo a fazer (Coimbra, 1997).
Actualmente, muito do que aprendemos torna-se rapidamente obsoleto. Precisamos de constante actualização da informação uma vez que “Hoje uma pessoa pode ter acesso num só dia a um número equivalente de informações que um sujeito teria a vida inteira na Idade Média” (Lucci, s.d.).
Além disso, o cidadão tem de estar disposto a aprender, a partilhar, a ensinar e, mais importante ainda, a viver com os outros e deverá fazer isto continuadamente. O conhecimento deixou de ter data de validade e a formação não termina com o último certificado, mas estende-se ao longo da vida, num processo de melhoria contínua (Carneiro, 2005).
A aprendizagem ao longo da vida é crucial para a capacidade competitiva das nações, das empresas, dos indivíduos e do desenvolvimento económico; é necessária, para a integração social e para o equilíbrio e coerência internas dos estados e das comunidade e é fundamental para a qualidade de vida dos sujeitos, e para que estes sejam capazes de gerir, em melhores condições, o seu quotidiano” (Quintas, 2008).
Segundo a decisão 2006/1720/CE do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia a aprendizagem ao longo da vida é “qualquer forma de ensino geral, de educação e formação profissionais, de educação não formal e de aprendizagem informal seguida ao longo da vida, que permita melhorar os conhecimentos, aptidões e competências numa perspectiva pessoal, cívica, social e/ou profissional” (2006: 50).
A expressão 'Sociedade da Informação' refere-se a um modo de desenvolvimento social e económico em que a aquisição, armazenamento, processamento, valorização, transmissão, distribuição e disseminação de informação conducente à criação de conhecimento e à satisfação das necessidades dos cidadãos e das empresas, desempenham um papel central na actividade económica, na criação de riqueza, na definição da qualidade de vida dos cidadãos e das suas práticas culturais (Livro Verde, 1997, p. 9).
Auto-Aprendizagem: Processo centrado no aluno/formando, através do acesso a conteúdos concebidos especificamente para auto-formação.
Aprendizagem Colaborativa: Processo centrado no tutor/formador que orienta, gere e garante o acompanhamento pedagógico dos seus aprendizes. Neste processo, podem ser organizadas sessões síncronas ou assíncronas entre os formandos, sendo garantido um controlo global da aprendizagem em grupos de utilizadores.
Aprender
Aprender é o processo pelo qual a pessoa:
  • apresenta mudanças comportamentais duradouras e devidas à experiência;
  • reorganiza / desorganiza as suas estruturas cognitivas e afectivas;
  • descobre e integra novos comportamentos conceitos e informações.
Pilares da aprendizagem ;
  • Aprender a ser;
  • Aprender a conhecer;
  • Aprender a fazer;
  • Aprender a viver juntos.
Filosofias de aprendizagem:
  • Ensino convencional;
  • Aprender pela descoberta;
  • Aprender com os erros;
  • Aprender fazendo;
  • Aprender por acaso.
Factores
Os factores que afectam a aprendizagem podem ser:
  • Cognitivos;
  • Afectivos;
  • Recompensas;
  • Atitudes (motivação);
  • Personalidade.
Teorias da Aprendizagem
Behaviorista
A “teoria behaviorista” (Watson, Skinner, e outros) considerava que a psicologia da aprendizagem seria tributária do estudo do comportamento humano sob a influência de estímulos ambientais. O Homem é um organismo que recebe estímulos do exterior e reage-lhes de forma automática.
É um modelo teórico que apresenta uma visão atomística e mecanicista da aprendizagem, “se uma criança desempenha um comportamento e leva uma recompensa, ela tenderá a repetir um comportamento
O conhecimento é visto como um dado e absoluto e a aprendizagem é um processo passivo, sem interesse pelos percursos mentais que ocorrem no aprendiz.
A sua “teoria behaviorista (associativista)” dominou toda a organização pedagógica do século XX.
Segundo Thorndike, o conhecimento consiste numa sucessão de ligações: enlaces entre pares de entidades mentais ou entre estímulo “externo” e resposta mental “interna”. A actividade formativa teria por objecto científico actuar sobre a força dessas ligações: fortalecer as “boas” ou “correctas” ligações; enfraquecer as ligações “incorrectas”.
A aprendizagem só poderia ser eficazmente realizada pela prática “reiterada e repetitiva” de operações (o método “drill and practice”), acompanhada de prémios para estimular as boas ligações e de sanções para contrariar as más práticas/ligações.
Segundo este modelo, a teoria é separável (e precede) a prática. A aprendizagem é fundamentalmente uma aventura individual. Os professores são os verdadeiros sujeitos do processo ensino-aprendizagem. Ao aluno “máquina” compete estudar por repetição e exercício, a inteligência humana é uma dotação inicial e constante (logo mensurável). Os manuais escolares e os livros de exercícios são tanto mais eficazes quanto melhor estabelecem as “ligações” entre parcelas de conhecimento.
Cognitivista
A “teoria cognitivista” (Lewine outros) interessa-se por descobrir o que se passa dentro do cérebro humano e modela os processos mentais durante a fase da aprendizagem.
Segundo Schuman, o cognitivismo baseia-se em processos mentais em que as mudanças no comportamento são observáveis e utilizadas como indicadores do que está a acontecer na mente do aprendiz. O homem não se limita a responder a estímulos, interpreta e organiza a informação em termos estruturais, sendo um agente activo da sua aprendizagem. No entanto, o conhecimento continua a ser visto como um dado e absoluto. A aprendizagem é um processo que cria na memória representações simbólicas da realidade exterior.
O aprofundamento da ciência cognitiva veio a evidenciar que as capacidades pessoais de aprendizagem e de resolução de problemas encontram-se fortemente correlacionadas com o que cada um já sabia. O progresso registado por um estudante de música, em determinado ponto da sua trajectória formativa, está dependente dos seus conhecimentos anteriores (solfejo, análise musical, história da música, ou técnica de instrumento). O grande mestre de xadrez não se distingue apenas por antecipar jogadas mas também pelo conhecimento pessoal (experiência e estudo) de milhares de posições possíveis das peças sobre o tabuleiro.
Construtivista
A “teoria construtivista”(Vygostsky, Piaget, Newell & Simon, Bruner e outros) baseia-se no pressuposto de que o conhecimento é construído por cada pessoa e que a aprendizagem se fundamenta na construção de “sentido”.
A aprendizagem construtivista baseia-se numa participação activa dos alunos, na resolução de problemas e na exercitação do pensamento crítico. O aluno constrói activamente o seu próprio conhecimento. O acto de aprender é sempre interpretativo, envolvendo processos activos de raciocínio e de “conversação” com o mundo dos objectos. A aprendizagem duradoura é tanto mais rica quanto maior a intensidade relacional do formando com o contexto “aprendente” que o rodeia.
Teorias centradas no aluno e as “pedagogias de descoberta” em que ao formando compete toda a iniciativa e o esforço para a consecução da sua aprendizagem. O conhecimento é construído pelo aluno, não é transmitido. A aprendizagem é, simultaneamente, um processo activo e reflexivo. A interpretação que o aluno faz da nova experiência é influenciada pelo seu conhecimento prévio. A aprendizagem como um todo, centrada em contextos e não em factos isolados. O conhecimento é relativo e falível.
Construtivisto Cognitivo (Jean Piaget) Construtivisto Social (Lev Vygotsky)
O desenvolvimento do conhecimento move-se do individual para o social. O desenvolvimento do conhecimento move-se do social para o individual.
A aprendizagem sucede ao desenvolvimento. O desenvolvimento sucede à aprendizagem.
O desenvolvimento cognitivo é uma aquisição pessoal, contínua e progressiva, que implica a interacção do aprendiz com o seu próprio desenvolvimento pessoal. O desenvolvimento cognitivo é uma aquisição pessoal, contínua e progressiva, que implica a interacção do aprendiz com o meio social envolvente.
O indivíduo constrói o conhecimento através da exploração e da descoberta, a partir dele próprio. O indivíduo constrói o conhecimento através da exploração e da descoberta, a partir do social.
Teoria complementar entre o cognitivo e o social. Teoria complementar entre o cognitivo e o social.
Conectivista
A “teoria conectivista”, suportada pelo pensamento de George Siemens, adapta-se aos mais recentes desenvolvimentos dos serviços e tecnologias, designados por Web 2.0, que permitem uma maior aproximação das pessoas assim como uma mais fácil ligação e conexão para partilhar e difundir conhecimento.
George Siemens propõe uma teoria de aprendizagem para a era digital, que designa por Conectivismo, com os pressupostos de que a aprendizagem, vinculada à tecnologia, parte do caos, da rede e de teorias de complexidade e de auto-organização (Siemens, 2006). Segundo o autor, “Connectivism is the formation of connections in a persuadable learning activity”, e corresponde a uma nova forma de aquisição e partilha de conhecimento em rede.
George Siemens considera que as três grandes teorias da Aprendizagem (Behaviorismo, Cognitivismo e Construtivismo) são pré-tecnológicas e, como tal, não têm em conta a nova realidade imposta pelo avanço da tecnologia e que se traduz nas mais variadas formas de comunicação e aprendizagem formal, informal e não formal (Leal, 2009).
Know where” and “know who” are more important today that knowing “What and how”. An information rich world requires the ability to first determine what is important, and then how to stay connected and informed as information changes (Siemens, 2006).
Resumo
“Teorias da Aprendizagem", segundo George Siemens (Mota, 2009):
Propriedades Behaviorismo Cognitivismo Construtivismo Conectivismo
Como ocorre a aprendizagem? Caixa negra (enfoque no comportamento observável). Estruturado, computacional. Social, sentido construído por cada aprendente (pessoal). Distribuído numa rede, social, tecnologicamente potenciado, reconhecer e interpretar padrões.
Factores de influência Natureza da recompensa, punição, estímulos. Esquemas (schema) existentes, experiências prévias. Empenhamento (engagement), participação, social, cultural. Diversidade da rede.
Qual é o papel da memória? A memória é o inculcar (hardwiring) de experiências repetidas (onde a recompensa e a punição são mais influentes). Codificação, armazenamento, recuperação (retrieval). Conhecimento prévio remisturado para o contexto actual. Padrões adaptativos, representativos do estado actual, existente nas redes.
Como ocorre a transferência? Estímulo, resposta. Duplicação dos constructos de conhecimento de quem sabe (“knower”). Socialização. Conexão (adição) com nós (nodes).
Tipos de Aprendizagem Aprendizagem baseada em tarefas. Raciocínio, objectivos claros, resolução de problemas. Social, vaga (“mal definida”). Aprendizagem complexa, núcleo que muda rapidamente, diversas fontes de conhecimento.
Aprendizagem Organizacional
Fiol e Lyles(1985) definem Aprendizagem Organizacional como “um processo que permite a melhoria e o desenvolvimento das acções organizacionais, através da aquisição de novos conhecimentos e de melhores compreensões”. Para a autora, esta definição abarca tanto o individual como a organização e sublinha que a aprendizagem não é só a aquisição de conhecimentos mas também a sua utilização.
Neste contexto, poder-se-á citar (Castells, 2006), referindo que (…) organizações bem sucedidas são aquelas capazes de gerar conhecimentos e processar informações com eficiência; adaptar-se à geometria variável da economia global; ser flexível o suficiente para transformar os seus meios tão rapidamente quanto mudam os objectivos sob o impacto da rápida transformação cultural, tecnológica e institucional; e inovar, já que a inovação se torna a principal arma competitiva.


Aprendizagem organizacional Organizações que aprendem
Princípios teóricos Investigadores/ académicos. Consultores, gestores e investigadores orientados para a transformação organizacional.
Base para construção teórica Teorização com base em investigação empírica. Teorização com base em experiências práticas de sucesso.
Foco de análise Processo: como as organizações estão a aprender. Atributo: o que as organizações devem fazer para aprender.
Orientação da literatura Descritiva, crítica e analítica. Prescritiva e normativa.
Orientação normativa Preocupada em encontrar respostas acerca das possibilidades concretas das organizações aprenderem. Apoiada na ausência de questionamento das possibilidades das organizações aprenderem.
Learning Organization
Uma Learning Organization é uma organização que consegue:
  • Criar, adquirir, interpretar, transferir e reter o conhecimento.
  • Modificar o seu comportamento, por razões de negócio, de competitividade, e reflectir o novo conhecimento no seu próprio contexto.
"Nas LO, a participação é aberta, todos falam, todo ouvem. As pessoas expandem de forma contínua a sua capacidade de criar os resultados que verdadeiramente desejam, onde novos padrões de pensamento são desenvolvidos, onde a aspiração colectiva é libertada e onde a pessoas aprender a aprender em conjunto" (Senge, 1993).
A importância de uma Learning Organization:
  • Globalização: Um efeito mundial com impacto a nível da sustentabilidade dos negócios.
  • Capital Intelectual: Vantagem competitiva de uma organização.
  • Economia do conhecimento: Mudança de mentalidade que implica acesso e partilha do saber.
  • Competências: Saber ser, saber fazer, saber aprender e saber viver com os outros.

Conhecimento

Tipos de Conhecimento
  • Conhecimento Explícito: É o conhecimento que possuímos e de que temos consciência. Somos capazes de o documentar e armazenar.
  • Conhecimento Tácito: É o conhecimento pessoal e difícil de formalizar, enraizado nas experiências, valores e emoções dos indivíduos.
  • Conhecimento Implícito: Um conceito recente que serve para descrever conhecimento que possuímos, que não está documentado e que somos capazes de transmitir de forma mais ou menos assistida.
Instrução
  • Focalizada num objectivo específico de aprendizagem;
  • O objectivo é definido por conceptores de conteúdos educacionais e/ou professores;
  • Baseada numa análise de necessidades e nas características dos utilizadores;
  • Elaborada para uma retenção avançada da memória;
  • Centrada em conteúdos, práticas,feedback e componentes de assessment.
Informação
  • Focalizada numa organização de conteúdos específica;
  • O objectivo é definido pelos utilizadores;
  • Baseada nas características de um determinado assunto ou numa conhecimento particular;
  • Elaborada para uma retenção avançada de referências;
  • Centrada numa apresentação e organização de conceitos.
Conhecimento Organizacional
O Conhecimento Tácito é um conhecimento subjectivo; representa o conhecimento produzido pela experiência de vida (conjunto de ideais, valores, reflexões, intuição, iniciativa, emoções, palpites, desejos); difícil de ser formalizado ou comunicado e associado a um contexto específico. Por sua vez, o Conhecimento Explícito é um conhecimento relativamente fácil de codificar, transferir e reutilizar; passível de transmissão sistemática por meio de linguagem formal e sistemática; facilmente organizados em bases de dados e em publicações em geral, independente do contexto.
Associado a este conceito, tradução e interacção, designado por “conversão do conhecimento”, definiram-se quatro modos de conversão: Socialização, Externalização, Combinação e Internalização, designado como o processo SECI.
Considera-se relevante notar que o movimento dinâmico através dos quatro modos de conversão do conhecimento constitui uma espiral, e não um círculo. A interacção entre tácito e explícito é ampliada durante os quatro modos de conversão, e a espiral torna-se maior à medida que se desloca pelos níveis ontológicos. A actividade central da empresa criadora do conhecimento reflecte-se pela interacção contínua e dinâmica entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito, seguindo o caminho em formato espiral.
Uma organização dificilmente consegue criar conhecimento por si só, tem de mobilizar o conhecimento tácito criado e acumulado a nível individual e amplia-lo a níveis superiores (ex. organizacional).
Para aperfeiçoar o modelo SECI, Kitaro Nonaka adoptou o conceito de Ba (o contexto partilhado para criar conhecimento) designado informalmente por "espaço‟ e entendido como: “…a shared context in motion, in which knowledge is shared, created, and utilized. Ba provides the energy, quality, and places to perform the individual knowledge conversions and to move along the knowledge spiral” (Nonaka, 2003).
Carneiro (2008) entende este conceito como …uma espécie de lugar da relação (simultaneamente locuse focus) onde grassa a confiança entre as pessoas e se desencadeia uma sistemática auto-alimentada de interacções humanas positivas, cuja presença potencia a dimensão social da formação de conhecimento….
Para além de espaço físico, a palavra japonesa Ba pode ser vista como um tempo e espaço específicos que podem ser físicos(por exemplo, escritórios, espaços comerciais dispersos), virtuais(por exemplo, e-mails e teleconferência), mentais (por exemplo, experiências compartilhadas, ideias e ideais) ou qualquer combinação dos mesmos.
Neste contexto, poder-se-á citar (Castells, 2006), referindo que (…) organizações bem sucedidas são aquelas capazes de gerar conhecimentos e processar informações com eficiência; adaptar-se à geometria variável da economia global; ser flexível o suficiente para transformar os seus meios tão rapidamente quanto mudam os objectivos sob o impacto da rápida transformação cultural, tecnológica e institucional; e inovar, já que a inovação se torna a principal arma competitiva.