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What Elements of an Online Social Networking Profile Predict Target-Rater Agreement in Personality Impressions?
Autor: David C. Evans; Samuel D. Gosling; Anthony Carroll
Data de Leitura: 4 de Outubro de 2010
Assunto: Eficiência dos vários elementos dos perfis para o fornecimento de informação sobre o utilizador
Resumo: O artigo analisa a eficiência dos vários elementos presentes nos perfis dos utilizadores para o fornecimento de informação quanto à personalidade. A investigação é feita em dois contextos de estudo: uma rede social criada pelos autores onde desconhecidos votam nos perfis dos outros utilizadores e é comparada a ideia que o utilizador tem de si mesmo e a ideia que os outros apreendem do mesmo (YouJustGetMe.com) e uma aplicação do Facebook com a mesma funcionalidade que a rede social criada. O objectivo é perceber que capacidade o utilizador tem de fornecer com sucesso informação sobre si mesmo: “concordância de impressões” (“impression agreement”). Este método de análise analisa o grau de equivalência entre a percepção de si e a percepção que o outro tem do indivíduo. Os resultados mostram que os testes feitos através da aplicação do Facebook são mais concordantes. Para além disso, a maioria dos elementos do perfil não influenciam a concordância das impressões, sendo que alguns chegam a diminui-la (ex. nomear um bom livro). Os aspectos divulgados no perfil divergem de sexo para sexo, sendo que as mulheres preferem publicar informações relativas, por exemplo, aos relacionamentos, e os homens à sua opinião relativamente à política. Concluindo, os donos do perfil são normalmente vistos pelos outros da mesma forma que se vêem a si mesmos; a consonância das impressões diverge de contexto para contexto; as mulheres votam mais e o grau de consonância para com os utilizadores mulheres é mais elevado e, por fim, a concordância é promovida por itens do perfil mais profundos, tais como os valores, identidade, etc. Em suma, os autores concluem que as redes sociais on-line são mais eficazes para a comunicação da informação relativa à personalidade do indivíduo.
Palavras-Chave: personalidade, auto-apresentação, impressão, identidade online, rede social, YouJustGetMe
Comentários: Trata da questão das diferenças e concordâncias entre a percepção de si e a percepção do outro. Importante caso prático de estudo (criação de uma rede social). Bom exemplo de estudo.
Nota: SNWs – Social networking websites
Ver artigo aqui.
Facebook Profiles Reflect Actual Personality, Not Self-Idealization.
Autor:Mitja D. Back; Juliane M. Stopfer; Simine Vazire; Sam Gaddis; Stefan C. Schmukle; Boris Egloff; Samuel D. Gosling
Data de Leitura: 6 de Outubro de 2010
Assunto: Auto-apresentação nas redes sociais (neste caso, Facebook) – criação de personalidade idealizada ou demonstração de personalidade real?
Resumo: O estudo testa duas hipótes: “idealized virtual-identity hypothesis” (comunicação de personalidades idealizadas nas redes sociais) ou “extended real-life hypothesis” (redes sociais como uma extensão da personalidade real). Conclui-se que as redes sociais são um meio eficiente para expressar e comunicar a personalidade real, o que pode expressar a sua popularidade. Estas plataformas são, portanto, uma extensão da personalidade real dos utilizadores.
Palavras-Chave: Facebook, auto-apresentação, idealização, rede social
Comentários: Análise da utilização (ou não) de personalidades idealizadas nas redes sociais. Artigo curto, mas com uma conclusão importante e que poderá ser útil.
Nota: OSNs – On-line social networking sites
Ver artigo aqui.
Identity construction on Facebook: Digital empowerment in anchored relationships.
Autor:Shanyang Zhao; Sherri Grasmuck; Jason Martin
Data de Leitura: 12 de Outubro de 2010
Assunto: Construção da identidade no Facebook (ambiente on-line não-anónimo em expansão)
Resumo:
O artigo pretende analisar a construção da identidade em redes sociais (ambientes on-line não-anónimos). Anteriormente, os estudos focavam-se na construção da identidade on-line em ambientes anónimos, como os chats (estudos como os de Turkle, 1995). Estes estudos concluíam que os indivíduos têm tendência para falsificar as suas identidades e agir sob impulsos negativos nestes ambientes on-line. O facto de serem ambientes anónimos torna possível para o indivíduo reinventar-se e produzir novas identidades, diferentes da sua identidade off-line. Para além disso, a falta de demonstrações da aparência promove o desaparecimento de estigmas nestes ambientes, facilitando a criação das identidades desejadas, o que por vezes não é possível nas interacções off-line. No entanto, a auto-apresentação on-line varia de acordo com as características específicas de cada ambiente. Mais recentemente, surgiram estudos dedicados ao estudo da auto-apresentação em ambientes menos anónimos, tais como os sites de encontros. Os resultados destes estudos mostram que, apesar das identidades demonstradas serem reais e honestas na maior parte das vezes, os indivíduos tendem a distorcer um pouco a realidade, por exemplo através da escolha das fotos, onde enfatizam as suas melhores características e suprimem as piores. No entanto, para evitar surpresas desagradáveis em encontros presenciais, os utilizadores tendem a ser verdadeiros. Há uma tendência para coordenar a identidade on-line com a identidade off-line. No entanto, há uma tendência para “demonstrações de identidade” (“identity statements”) que normalmente não acontecem no contexto off-line. Os resultados dos estudos com enfoque nos sites de encontros não podem ser generalizados, visto estes serem orientados para o estabelecimento de relações amorosas off-line, o que afecta a forma como os indivíduos se apresentam.
A Internet não promove apenas ambientes anónimos. Existe um novo tipo de interacção entre indivíduos promovida on-line: as “anchored relationships”. Este tipo de relações estabelecem-se on-line, mas baseiam-se nos conhecimentos off-line do indivíduo (com a família, amigos, colegas de trabalho, etc). No entanto, os autores distinguem entre “nonymous relationships” e “acquaintanceship” (relação familiar). O conceito de “anchored relationships” neste estudo refere-se a relações entre indivíduos que se conhecem on-line, mas que podem não conhecer-se off-line.
Os ambientes não-anónimos colocam restrições à liberdade no que toca às demonstrações de identidade. Os indivíduos tendem a conformar-se com as normas sociais estabelecidas. No contexto off-line, os indivíduos que não cumprem com as normas sociais estabelecidas são punidos e as “máscaras” que utilizam diariamente transformam-se no seu “real eu” (“real self”), sendo que o seu “verdadeiro eu” (“true self”) fica suprimido (“hidden self”). Num contexto on-line anónimo, onde existe uma falta de responsabilização, as máscaras que os indivíduos utilizam diariamente são retiradas e o seu “verdadeiro eu” é, na maior parte das vezes, mostrado, assim como as outras identidade suprimidas. Os ambientes on-line não-anónimos, por sua vez, são um terceiro tipo de ambiente, onde os indivíduos têm tendência para exprimir um “esperado possível eu” (“hoped-for possible selves”). A percepção que o indivíduo tem de si pode ser dividida em duas categorias: “o eu do agora” (“now self”) e o “possível eu” (possible self”). O “eu do agora” estabelece identidades conhecidas pelos outros, enquanto que o “possível eu” é uma imagem do indivíduo que normalmente não é do conhecimento dos outros. O “esperado possível eu” é uma sub-categoria do “possível eu” que difere do “eu escondido real” (“hidden true self”) e do “idealizado eu”, visto o indivíduo desejar estabelecer uma identidade e acreditar que é possível fazê-lo nas condições apropriadas. Os ambientes on-line não-anónimos podem suprimir o factor presencial das características físicas, por exemplo, e contribuir para a emergência das identidades que o actor social espera estabelecer mas que é incapaz de fazê-lo no contexto off-line.
Os utilizadores do Facebook procuram estabelecer relações através de dois tipos de indivíduos: os que já conhecem pessoalmente e os que apenas conhecem (ou conhecerão) on-line. A maior função desta rede social é ajudar os utilizadores a conectar-se com os que já conhecem, estendendo a sua conexão com aqueles que ainda não conhecem. O Facebook permite, assim, que os seus utilizadores bloqueiem a certos visitantes a visualização de determinadas secções do seu perfil. Neste sentido, os utilizadores podem apresentar-se de formas diferentes a diferentes audiências.
Palavras-Chave:Facebook, identidade, auto-apresentação, rede social, ambientes on-line anónimos e “não-anónimos”
Resultados:
- Utilizadores estão interessados em apresentar-se a uma audiência para além dos seus conhecidos, familiares e amigos;
- Utilizadores utilizam diferentes estratégias na construção da identidade no Facebook, que vão desde o mais implícito ao mais explícito: “visual self” (“self as a social actor”); “cultural self” (“self as a consumer”) e “narrative self” (“first person self”):
- “Visual self”: publicação de um grande número de fotografias (“Watch me and know me by my friends”. Estratégia mais utilizada.
- “Cultural self”: publicação de preferências e gostos. Enumerações culturais que se transformam em auto.descrições. “See what I like/do/read/listen to”.
- “Narrative self”: descrição na secção “Sobre mim”. Estratégia menos utilizada.
- Utilizadores do Facebook têm todos tendência para projectar uma identidade socialmente desejada:
- A maioria das fotografias é fotografias de grupo, o que demonstra um esforço para construir uma “identidade orientada para o grupo” (“group-oriented identity”).
- Uma forte competição pelo tamanho da sua rede social.
- Disponibilização pública dos comentários dos outros nos seus perfis.
- Atitude “anti-nerd” nos seus perfis: desporto, viagens, arte, saídas com amigos…
- Pensamentos profundos sobre a vida e sobre o controlo do destino.
- Poucas demonstrações de teor académico e religioso.
- Ocorrem alguns desvios de comportamento, tendo em conta as normas socialmente aceites. Facebook pode encorajar o surgimento dos “eus escondidos”, o que é normalmente visto em ambientes on-line anónimos. Na maioria das vezes, os indivíduos tentam agir em conformidade com o desejo de se tornarem populares.
- Ninguém demonstra interesse por indivíduos do mesmo sexo, apesar de nas entrevistas presenciais dois estudantes terem admitido a sua bissexualidade. Influência das normas socialmente aceites também no Facebook.
Conclusões:
- O “esperado possível eu” projectado no Facebook não é o “verdadeiro eu” projectado nos ambientes on-line anónimos nem o “real eu” apresentado nas relações estabelecidas pessoalmente. A auto-apresentação do eu no Facebook parece representar a identidade que o indivíduo aspira apresentar off-line, mas que ainda não teve oportunidade de fazer, por qualquer razão.
- A identidade é produzida segundo as características das situações específicas. É raramente algo inato do indivíduo, mas a maior parte das vezes um produto social, que varia segundo o contexto.
- Nos ambientes on-line não-anónimos, os indivíduos apresentam-se em linha com as expectativas sociais, podendo ser responsabilizados se não o fizerem.
- O mundo on-line e o mundo off-line não são dois mundos separados e que o indivíduo faz on-line pode trazer consequências para a sua vida off-line. A Internet, porém, fomenta novas oportunidades para a construção de identidades, o que pode ser usado para ultrapassar barreiras impostas no mundo off-line.
- O facto de o “esperado possível eu” ser uma identidade que o indivíduo espera que seja socialmente desejável não significa que não seja o ser “verdadeiro eu”. Apesar de não ser demonstrado no contexto off-line, poderá ter um verdadeiro impacto no indivíduo. A identidade é o que nós convencemos o outro a pensar sobre nós, não interessando se este processo se desenrola off-line ou on-line ou se é anti-normativo ou socialmente desejado.
- O Facebook é um site com múltiplas audiências. O facto de o utilizador poder controlar as suas configurações de privacidade permite com que o utilizador estabeleça a sua região da frente e a sua região de trás.
Palavras-Chave: Facebook, identidade, auto-apresentação, rede social, ambientes on-line anónimos e “não-anónimos”
Citações:
- “(…) the online world was not monolithic, and online sel-presentations varied according to the nature of the settings”. (p. 1817)
- “(…) the nonymous environment places constraints on the freedom of identity claims”. (p. 1818)
- “These kinds of privacy control functions enable Facebook users to present different self-images to different people, as they do offline”. (p. 1823) - “(…) Facebook users in our sample appeared to prefer the most implicit, with the almost universal selection of dense displays of profile photos and wall posts, followed by highly enumerated lists of cultural preferences associated with youth culture, and finally the minimalist, first-preson ‘about me’ statements.” (p. 1826)
- “It thus seems that the Facebook identities were not the identities users established in the offline world, nor were they close to the identities users would construct in anonymous online environments; rather, they were the hoped-for possible identities users would like to, but have not yet been able to, establish in the offline world”. (p. 1828)
- “The appeal is a much to the likeability of my crowd, the desirability of my boyfriend or the magic of my music as it is to the personal qualities of the Facebook users themselves.” (p. 1831)
Comentários: O artigo mais pertinente lido até à data. Importante para contextualizar a evolução das plataformas de comunicação on-line e, consequentemente, da auto-apresentação do eu neste tipo de sites. É de NOTAR que o estudo foi feito numa altura em que o Facebook ainda tinha um carácter muito institucional, ligado às instituições académicas dos EUA. A amostra é apenas composta por estudantes, de várias etnias.
Ver artigo aqui
Constructing the Self through the Photo selection - Visual Impression Management on Social Networking Websites.
Autor: Andra Siibak
Data de Leitura: 24 de Setembro de 2010
Assunto: A auto-apresentação pelos jovens, através das imagens publicadas nos seus perfis das redes sociais
Resumo: O artigo examina as razões que levam os jovens (dos 11 aos 18 anos) a registar-se em redes sociais e os aspectos que esperam enfatizar nas imagens que publicam nos seus perfis, analisando que tipo de imagens são escolhidas para a auto-apresentação dos jovens nestas plataformas. Para além disso, pretende estudar as características consideradas cruciais para se ser popular entre os outros utilizadores. Ao referir vários autores, pode concluir-se que as pessoas utilizam a fotografia para enfatizar qualidades que consideram importantes, de acordo com um conjunto de regras socialmente aceites. Para além disso, estudos mostram que os jovens interessam-se por aparecer em fotografias com pessoas importantes, tal como membros da família, amigos, etc, ou que as suas poses se parecem com imagens veiculadas pelos media. Inquire vários jovens sobre os aspectos que estes consideram mais importantes durante o processo de escolha da fotografia para o perfil. Conclui que o aspecto mais importante é ser bem-parecido. Para além disso, as raparigas são mais conscientes durante o processo de escolha. Um grande número de amigos aumenta a probabilidade de se tornar popular, assim como ter como amigo alguém popular na comunidade. Boa aparência, sensualidade e consciência das últimas tendências da moda são considerados importantes para causar uma boa impressão.
Palavras-Chave: Goffman, Higgins, auto-apresentação, fotografia, rede social, jovens, Estónia
Citações:
- “Jus in the case of face-to-face communication, people communicating online are also always trying to obtain information aboute each other, in order to be able to know in advance what to expect and what kind of response to give” (p. 2)
- “Virtual peer groups, however, act as ‘important others’ whose expectations, are taken into account when naming the aspects and qualities that would lead to popularity in SNS”. (p. 6)
- “(…) the impression management in the online worlds varies according to the expectations of the reference group at hand. (…) The virtual selves exhibited on the photos of SNS are therefore constantly constructed and re-constructed based on the values associated with the ‘ideal self’ or ‘the ought self’” (p. 6)
Comentários: Analisa especificamente a utilização das imagens nos perfis. Contextualiza a teoria dramatúrgica de Goffman. As suas conclusões podem ser úteis, mas não tanto como seria de esperar.
Nota: SNSs – Social networking sites
Ver artigo aqui.
A Study of Self-Presentation in Light of Facebook.
Autor: Sasan Zarghooni
Data de Leitura: 24 de Setembro de 2010
Assunto: Análise da apresentação nas redes sociais tendo em conta as teorias da apresentação do eu de Goffman e Mark Leary
Resumo: O artigo analisa a apresentação do eu no Facebook à luz das teorias de Goffman e Leary sobre esta temática (criadas antes do surgimento da Internet). O objectivo é perceber quais as especificidades que as redes sociais trazem às teorias já estabelecidas no seio da psicologia social e de que formas estas podem ser generalizadas à apresentação do eu no contexto on-line. Os autores não pretendem elaborar uma teoria alternativa sobre a auto-apresentação, mas sim revelar as coincidências e diferenças das teorias aplicadas ao novo contexto (das redes sociais). O estudo conclui que as teorias anteriormente estabelecidas aplicam-se em grande medida ao comportamento de auto-apresentação dos utilizadores do Facebook, apesar de em certos casos se tornarem ultrapassadas. O autor focou-se nas quatro técnicas de auto-apresentação de Leary: descrições próprias, demonstrações de atitude, comportamentos não-verbais e associações sociais. Cria a denominação “Computer-Mediated Tactility” (CMT) para aplicações no Facebook que permitem “brindar” os outros utilizadores com acções que envolveriam contacto físico, muitas delas surreais (p. ex. atirar alguém pela janela).
Palavras-Chave: Goffman, Leary, teoria, auto-apresentação, redes sociais, Facebook
Citações:
- “Sel-presentations become more important when people want to achieve something, such as improving or initiating relationships, doing well on a Job interview or obtaining sympathy. It is important for facilitating communication that we take care of how we look, smell and behave” (p. 4)
- “The self-presenters are the same people as before, but they have got a new self-presentational tool and a new arena for social interaction” (p. 6)
- “There seems to be an agreement that our offline identity affects our online identity. However, with the exchange if culture and identity on the Internet, and especially on social networking sites, it is quite possible that online sel-presentation affects offline identity formation (Kosanovic, 2006)” (p. 6 e 7)
- “Applying this to Facebook, the profile (home-)page would be the front area, whereas dyadic interaction (most notably the e-mail-like messages that are sent between users) and the physical person typing on the keyboard and editing his profile could be examples of backstage behaaviour” (p. 9)
- “The theories on self-presentation are based on studies of offline social interactions and they are therefore not necessarily adapted to an online environment” (p. 16)
- “This is perhaps the clearest border between back and front areas as regards Facebook. A person who is editing a Facebook profile is in two places at the same time. While the presented self is seen by others who look at the user’s profile, the ‘real’ person is the physical human sitting behind the computer screen. (…) ‘detached self.presentation’. While this person is busy with managing online impressions, he may not pay heed to his offline impression” (p. 16 e 17)
- “Thus, those who are high in self-monitoring and low on self-esteem and social skills will better be able to self-present if they feel they have more control” (p. 17)
- “On Facebook, the friends (i.e. the audience) are partly ‘blindfolded’ – they cannot see the person behind the screen and therefore this person does not feel as much anxiety as he or she would have felt in a face-to-face interaction” (p. 18)
- “(…) people consider their pictures to be the most important way of self-presenting; those who perceive themselves photogenous do not engage heavily in other forms of self-presentation because they have already done a successful self-presentation, whereas those who consider themselves less attractive wish to compensate” (p. 19)
- “By having the message ‘John decided to hug Anna’ on Anna’s profile, John does not only tell Anna that he likes her, but he may also increase his social status among their common friends. Furthermore, Anna will appear popular, especially if she frequently gets hugs or kisses from several people” (p. 20)
Comentários: Muito útil, visto relacionar a teoria de Goffman com o novo contexto do on-line. Para além disso, faz uma óptima descrição da teoria dramatúrgica, servindo como um resumo do pensamento de Goffman. Mostra as especificidades da teoria aplicada ao contexto das redes sociais.
Ver artigo aqui.
User Descriptions and Interpretations of Self-Presentation through Facebook Profile Images
Autor: Michele M. Strano
Assunto: Auto-apresentação através da imagem de perfil. Estudo de caso: Facebook. Análise demográfica: género e idade.
Resumo:
Este artigo estuda as escolhas que os utilizadores fazem quando escolhem uma fotogradia de perfil no Facebook, considerada pela autora a primeira marca de um perfil de utilizador. Para além disso, pretende demonstrar provas de que a gestão de impressões varia de acordo com a idade e o género. Para cumprir este objectivo, foi utilizado um questionário qualitativo on-line, distribuido por uma amostra que incluia utilizadores do Facebook com mais de 22 anos, fora da idade escolar (estudo pioneiro), numa primeira fase. O questionário continha questões relacionadas com as escolhas dos utilizadores. Foram recolhidas 427 respostas (Estados Unidos da América). Numa segunda fase, recorreu-se à realização de entrevistas. O Facebook começou por ser uma rede social utilizada nos campus universitários americanos. No entanto, expandiu-se, sendo que cerca de metade dos utilizadores actuais do Facebook não estão ligados à comunidade através desta modalidade, tendo idades iguais ou superiores a 25 anos.
As imagens de perfil dos utilizadores podem ser consideradas uma forma "implicita" de construção de identidade na qual os utilizadores disponibilizam características pessoais. Por vezes, as imagens são editadas até que o utilizador alcance o resultado pretendido, que, muitas das vezes, reflecte normais aceites socialmente, tais como noções de familia, relacionamentos amorosos, etc. É a diferença entre "tirar fotografias" e "fazer fotografias". Hoje em dia, ao contrário do que acontecia na era do analógico, pode editar uma fotografia. Basta ter um computador com o software disponível.
O Facebook parece cultivar uma cultura onde a identidade de grupo é enfatizada. Os visitantes de um determinado perfil percebem que o seu detentor é popular, sexy, atractivo e confiante se tiver um elevado número de "amigos", o que indica que a quantidade de membros de um determinado grupo a que um determinado utilizador pertence pode ser utilizado como mecanismo de gestão de impressões.
Género - diferenças na auto-apresentação on-line:
- Mulheres alteram o aspecto do seu site mais frequentemente que os homens. Para além disso, as mulheres são capazes de criar identidades mais dinâmicas que os homens através das suas imagens de perfil.
Palavras-Chave: Facebook, auto-apresentação, identidade, fotografia, perfil
Resultados:
Consultar questionário (p. 6, 8, 9, 10, 11, 12)
- 53% dos inquiridos tem entre 18-21. A percentagem acumulada (85,3%) tem entre 18 - 30.
- 70,7& dos respondentes são mulheres (60% dos utilizadores do Facebook americanos são mulheres)
Ver página 9, com categorias criadas para aglumerar as respostas recolhidas no questionário composto por questões de resposta aberta.
- Os utilizadores alteram a sua fotografia de perfil, em média, 6,98 (aproximadamente 7) vezes por ano.
- Utilizadores com 31 anos ou mais são aqueles que menos alteral a fotografia de perfil, o que sugere que a idade influencia a forma como os utilizadores utilizam o Facebook. No entanto, os utilizadores nesta faixa etária são aqueles que utilizam o Facebook há menos tempo (com 60,7% de utilizadores com 31 anos ou mais a utilizar a rede há um ano ou menos).
- A opinião dos outros utilizadores influencia a frequência com que os utilizadores alteram a sua foto de perfil (ver pg. 12).
- Mulheres alteram com mais frequência a sua fotografia de perfil. Explicação cultural: mulheres mostram-se mais insatisfeitas com com a sua aparência. Mulheres afirmam com mais frequência que alteram a sua fotografia com o intuito de parecerem mais atraentes (com a nova fotografia). Mulheres tendem a querer aproximar-se do seu ideal de beleza, utilizando a fotografia de perfil para esse efeito. Mulheres tendem a construir uma identidade classificada como feliz e apaixonada, com tendência para se descreverem na sua fotografia de perfil como a sorrir, parecendo felizes e apaixonadas. Mulheres tendem, também, a construir uma identidade de grupo através das fotografias que publicam no Facebook, deixando-se fotografar com amigos e disponibilizando fotografias de ocasiões especiais. Individualismo masculinho: homens afirmam que as suas fotografias de perfil fazem-nos ser únicos. No entanto, ambos os géneros dão importância a ter fotografias com a família, amigos ou alguém que lhes é próximo e que é importante nas suas vidas, o que sugere que certos tipos de identidade de grupo são importantes para os utilizadores do Facebook.
- A forma como os utilizadores interpretam as demonstrações de identidade dos outros utilizadores altera de género para género. A forma como os utilizadores expõem, por exemplo, um relacionamento no Facebook pode diferir entre os géneros, sendo que as mulheres pretendem definir-se como estando num forte relacionamento, apesar de não quererem ser conhecidas apenas através do seu parceiro. Por outro lado, os homens publicam fotografias com as suas parceiras para fortalecer os seus relacionamentos e para evitar avanços de outras utilizadores do sexo feminino.
- Utilizadores entre os 22 e os 30 anos tendem a alterar a sua fotografia de perfil com o intuito de mostrar eventos e actividades em que estiverem envolvidos. Este grupo de utilizadores são os que mais afirmam que as suas fotografias de perfil representam uma ocasião especial e os que menos gostam de surgir sozinhos na fotografia de perfil. Os adolescentes mais velhos tendem a disponibilizar mais fotografias que simbolizem conexões sociais, enquanto que os adolescentes mais jovens publicam fotografias mais chamativas e individualistas.
- Um dado importante: os utilizadores com 31 anos ou mais seguem a mesma tendência dos adolescentes mais jovens, preferindo publicar fotografias em que estejam sozinhos e onde surja apenas a sua face. Os utilizadores adultos são, também, aqueles que gostam menos de ser fotografados com amigos e que mais afirmam ter editado as suas fotografias para obter um efeito único no seu visual.
- Os dados recolhidos demonstram, também, que as fotografias não são apenas utilizadas para construir uma identidade. Podem assumir a função de estimular a memória dos próprios utilizadores, actuando como um álbum de fotografias tradicional.
Conclusões:
O estudo demonstra que as mulheres tendem a alterar mais frequentemente a sua imagem de perfil, dando mais importância à demonstração de amizade nas fotografias escolhidas. Para além disso, o estudo mostra que os utilizadores mais velhos alteram a sua fotografia de perfil com menos frequência e preferem publicar fotografias onde não surgem acompanhados.
Estes resultados indicam que os utilizadores adultos tendem a construir uma identidade individual mais única e solitária que os utilizadores entre os 20 e 30 anos, seguindo a tendência demonstrada pelos jovens adolescentes. É, também, necessário ter em conta que os utilizadores adultos são os que utilizam o Facebook há menos tempo.
Citações:
- "(...) the profile image arguably acts as the most pointed attempt of photographic self-presentation on the Facebook profile". (.p 2)
- "(...) women change their profile image more often because they are trying to represent a multitude of social relationship and activities, instead of a more static individual identity." (p. 13)
- "Just as in offline environments, the degree to which we employ cognitive choice and intentionality in the way we present ourselves may vary between specific contexts." (p. 15)
Comentário:
Importante para contextualizar as diferenças de utilização do Facebook entre GÉNEROS e IDADES. Analisa a auto-apresentação on-line através da fotografia de perfil disponibilizada. Muitas referências a Zhao e Siibak.
Ver artigo aqui.
All the World Wide Web's a stage: The performance of identity in online social networks
Autor: Erika Pearson
Assunto: Estuda a teoria de Goffman no contexto on-line, aliada à existência de laços fortes e fracos (conceitos de Granovetter)
Palavras-Chave: Goffman, Granovetter, laços sociais, social nerworking sites, redes sociais
Resumo:
Este artigo discute como as ideias de performance podem ser úteis para conceptualizar a construção de identidade nas redes sociais. Apropria-se da teoria dramatúrgica de Goffman e dos laços sociais de Granovetter. Noções de performance são utilizadas para discutir a interacção social nas redes sociais como um discurso que se posiciona entre a esfera do público e do privado, sendo possível manter identidades on-line individuais.
Os ambientes on-line elevam a construção de performances a outro nível. As redes sociais caracterizam-se pelo seu carácter desencarnado, mediado e controlável, através das quais performances alternativas podem ser disponbilizadas ao outro.
Na sua teoria dramatúrgica, Goffman fala-nos de "front-stage" (palco) e "back-stage" (bastidores). Define "front-stage" como o espaço observável, o palco onde os indivíduos constroem e disponibilizam as suas perfomances, representando o seu papel. Por outro lado, o "back-stage" é uma área mais privada, onde os indivíduos podem relaxar um pouco da rigidez do seu desempenho. No contexto off-line, a separação entre estes dois espaços é caracterizada por uma barreira física (porta, muro, etc). No entanto, no contexto on-line, o actor e a audiência encarnam-se electronicamente através de signos que escolhem para a sua representação, moldados pela arquitectura da plataforma que utilizam. Não existe, portanto, contacto físico entre os comunicadores. Os utilizadores manipulam os códigos comunicacionais, com vários graus de destreza, com o objectivo de criar não apenas "eus" on-line mas também o palco onde estes "eus" actuam.
No contexto on-line, existe uma indefinição entre o palco e os bastidores: o que se sente como um espaço íntimo pode estar sob o olhar vigilante de uma grande plateia desconhecida e o que está a ser encenado como uma performance de palco pode não ter testemunhas.
Este artigo introduz o conteito de "glass bedroom" (quarto de vidro), descreve um quarto com paredes feitas de vidro. Dentro do quarto, ocorrem conversas privadas e trocas intimas, sendo que cada contacto se situa em diferentes níveis de consciência de que amigos distantes e estranhos movem-se entre as paredes transparentes que separam grupos com performances com diferentes graus de construção e manipulação. O quarto de vidro em si não é um espaço totalmente privado, nem um verdadeiro espaço de bastidores verdadeiro, como Goffman articula, embora ele assume elementos de ambos os espaços (palco e bastidores). É uma ponte que é parcialmente privada e pública, construídos on-line através de sinais e linguagem. Este conceito é uma construção metafórica, utilizada para descrever a performance on-line dos utilizadores, que se situa entre a esfera do público e do privado.
Esta linha ténue que separa o palco e os bastidores e o público e o privado no contexto on-line tem implicações na criação de relações sociais on-line. Pode, no entanto, afirmar-se que existe uma separação entre espaço público e privado on-line, nomeadamente atravás da existência de espaços a que só é possível aceder através de uma senha secreta, equivalentes electrónicos de muros ou paredes.
Segundo Granovetter, os "laços fortes" designam elevados nívels de envolvimento emocional, intimidade e reciprocidade (família e amigos). Por outro lado, os "laços fracos" ligam amigos distantes colegas de trabalho, por exemplo. Existe, ainda, a definição de "laços latentes", conceito usado para identificar as ligações que são tecnicamente possíveis dentro de estruturas de rede existentes, mas que ainda precisam de ser activiadas. Dependendo do nível de envolvimento, que pode ser passivo (observação) ou activo (comunicação bilateral ou performance recíproca), um laço latente pode ser transformado num laço fraco ou, com o passar do tempo, num laço forte.
O autor considera que o estudo destes conceitos pode ser útil para compreender a discrepância entre palco e bastidores, esfera pública e privada em ambientes on-line. Os tipos de laços deveráo ser tidos em conta separadamente, analisando de que forma contribuem para para a construção das redes sociais e de uma identidade construida mediadamente.
Nos espaços virtuais, em particular nas redes sociais (plataformas de performance virtuais), os comportamentos performativos que utilizam laços fortes manifestam-se de três formas:
1) Privacidade acessível ("accessible privacy"): a quantidade de informação é gerida pelo actor, que pode querer abrir a porta a aspectos particulares ou íntimos da sua construção de identidade. Esta partilha pode assumir a forma de apresentações recíprocas entre plataformas, ligando grupos através das paredes de vidro do quarto metafórico. Ou pode tomar a forma de performances mais exibicionistas que são apenas decifráveis para aqueles com uma relação de laços fortes.
2) Intimidade mediada ("mediated intimacy"): precisamente porque este espaço de actuação é mediado através de sinais - tradicionalmente, texto escrito, mas agora cada vez mais gráficos e áudio - é criado um espaço de intimidade mediada. Facilita a manutenção do vínculo ou uma troca de informações.
3) Experiência ("try out"): os indivíduos 'experimentam' o envolvimento emocional e intimidade antes de dedicar totalmente e maciçamente os recursos sociais e pessoais para a criação de fortes laços. Os indivíduos podem experimentar quase sem risco.
No entanto, as apresentações on-line fornecem uma maneira útil de manter de forma mais eficaz diversas redes de laços fracos. Os utilizadores podem "olhar" ou "não olhar" para um desempenho, podem optar por incorporar signos e alegorias de outros espectáculos para os seus próprios como entenderem, podem executar ou retirar-se como quiserem, podem entrar no "quarto de vidro" dos outros ou ficar de fora. Estas escolhas podem levar a que laços fracos se tornem fortes, com o aumento da intimidade ao longo do tempo.Os laços fracos mais distantes podem ser mantidos facilmente.
Nas redes sociais, as performances são codificadas com uma simbologia aberta (um código perceptível por toda a rede) ou fechada (um código apenas perceptível para uma parte da audiência, maioritariamente composta por laços fortes). Os utilizadores observantes são activos e trazem consigo o seu próprio quadro interpretativo, com o qual descontruem e decifram os comportamentos performativos dos outros utilizadores.
Conclusões:
Como Goffman argumentou inicialmente, os indivíduos constroem as suas identidades tendo em conta os seus companheiros observadores. Utilizando a linguagem da Web 2.0, os indivíduos constroem identidades em relação às suas redes, dando uma primeira ênfase nos seus laços fortes. Ter apenas em conta os laços fortes diminui a importância da actuação on-line dentro de um quadro mais vasto de coesão da rede.
Os laços fracos requerem menos investimento em termos de emoção, informação ou tempo. Esta redução de investimento faz com que o falhanço de uma nova identidade envolva um corte rápico com os laços fracos.
Citações:
- "With the rise of Web 2.0 and the growth of social networking sites, the virtual spaces for (...) portrayals of alternative identities seems near endless." (p. 1)
- "User manipulate these communicative codes, with varying degrees of skill and dexterity, to create not only online selves, but also to create the staging and setting in which these selves exist." (p. 2)
Ver artigo aqui.
Show me your friends and I will tell you what type of person you are: How one’s profile, number of friends, and type of friends influence impression formation on social network sites
Autor: Sonja Utz
Assunto: Analisa a influência da rede de amigos na percepção do outro sobre o indivíduo. Estudo de caso: Hyves.
Resumo:
O estudo analisa de que forma a informação gerada por outros (other-generated information) influencia a popularidade do indivíduo. Basicamente, conclui que este tipo de informação tem uma forte influência na qualidade da informação gerada pelo próprio (self-generated information).
As redes sociais trouxeram consigo dois novos tipos de informação gerada por outros: a informação gerada pelos amigos e a informação gerada pelo sistema, nomeadamente a quantificação dos amigos. O objectivo do estudo é perceber de que forma estas fontes de informação influenciam conjuntamente as impressões formadas pelos utilizadores.
O termo "amigo" nas redes sociais não é utilizado da forma tradicional, sendo que um "amigo" on-line pode ser alguém com quem o utilizador nunca teve contacto, como por exemplo uma celebridade. O termo personifica uma ligação que pode existir entre dois utilizadores nas redes sociais. Estes amigos poderão comentar o perfil uns dos outros, disponbilizando informação sobre si ou sobre o utilizador a quem estão ligados.
Nas redes sociais on-line existe uma maior dificuldade para criar perfis falsos, visto estas plataformas terem como base o sistema dos "amigos". É possível que um utilizador seja encontrado ou tenha como amigo alguém que conhece no contexto off-line, o que poderá originar dúvidas sobre o perfil. Desta forma, os amigos nas redes sociais on-line têm como função validar a auto-apresentação do dono do perfil (Donath, 2007).
Como já foi mencionado, os perfis das redes sociais contêm vários fontes de informação: o eu, os amigos e o sistema. O artigo tenta analisar de que forma os indivíduos combinal estas três fontes de informação quando formam as suas impressões.
Os mass media estabelecem a normal de ser fisicamente atraente. Neste sentido, os utilizadores tendem a exagerar a sua atracção fisica, principalmente em contextos de encontros amorosos. A comunicação mediada electronicamente incentiva os indivíduos a apresentar-se selectivamente, escolhendo uma fotografia de perfil favorável. No entanto, estudos mostram que demosntrações de alta atractividade são percebidas como menos honestas que demonstrações de baixa atractividade.
Hipóteses:
1) O dono de um perfil extrovertido será mais percebido como mais popular que o dono de um perfil introvertido.
2) O dono de um perfil com muitos amigos será percebido como mais popular que o dono de um perfil com poucos amigos.
3) O dono de um perfil com amigos extrovertidos será julgado como mais popular que o dono de um perfil com amigos introvertidos. NOTA: Um elevado número de amigos no contexto off-line pode ser um bom indicador visto pressupor uma relação intima. Os amigos são aqui amigos no sentido rigoroso da palavra. Nas redes sociais os indivíduos chegam a ter centenas ou até milhares de amigos. boyd (2006) defende que um amigo numa rede social não é necessariamente um bom amigo ou necessariamente um amigo no contexto off-line. Neste sentido, espera-se que o número de amigos não seja um factor com muita influência no julgamento comum dos outros utilizadores.
6) O dono de um perfil com muitos amigos será julgado como mais atractivo socialmente do que o dono de um perfil com poucos amigos. NOTA: Actracção física diz respeito ao aspecto do indivíduo enquanto que uma atracção pela tarefa diz respeito à atracção que o indivíduo tem como companheiro para a realização de uma determinada tarefa. A atracção social, por sua vez, diz respeito ao comportamento do indivíduo e ao desejo que o outro tem de passar tempo e de conhecer melhor o indivíduo.
7) Um dono de perfil com amigos extrovertidos será percebido como mais socialmente atraente do que o dono de um perfil com amigos introvertidos.
Resultados:
Maioria dos participantes eram mulheres. A idade média era 22 anos e os participantes eram membros da rede social analisada há pelo menos dois anos, sendo que 47% efectuavam o login pelo menos uma vez por dia. Foi criado um perfil de um utilizador ficticio (Anouk), tanto como extrovertido como como introvertido.
Os intervenientes concordaram que se a Anouk tivesse um perfil extrovertido teria mais amigos do que se tivesse um perfil introvertido. Tal como previa a hipótese 1, a Anouk foi julgada como mais popular quando analisado o seu perfil extrovertido. Para além disso, foi percebida como mais popular quando tinha mais amigos e quando esses amigos eram extrovertidos (hipoteses 2 e 3).
Conclusões:
O estudo demonstra que o perfil do utilizador, as fotografias de perfil dos seus amigos e o número de amigos a ele associados influenciam a geração de impressões. No que toca à popularidade, o perfil do utilizador tem uma forte influência. No entanto, o número de amigos e as suas fotografias de perfil têm menos influência do que o previsto.
Ao contrário do que era esperado. foi encontrada uma ligaçao entre o número de amigos e o tipo de amigos. Os inquiridos preferem utilizadores com relativamente poucos amigos introvertidos. Um utilizador com muitos amigos pode ser visto como superficial e os indivíduos podem questionar a qualidade dos seus amigos.
Os participantes não só notam a diferença quando o perfil ficticio criado tinha mais amigos, como assumem que a existência de mais amigos está relacionada com o perfil extrovertido. No entanto, apesar de os indivíduos terem em conta o número de amigos no seu julgamento, o mesmo pode ser negativo ou positivo, dependendo das normais especificas da plataforma.
Os resultados mostram que os indivíduos combinam vários factores, na maior parte das vezes pequenos pormenores, quando fazem juízos sobre o utilizador. Para além disso, o estudo demonstra que ser popular on-line não é necessariamente o mesmo que ser popular off-line.
Citações:
"The more immune information is to manipulation, the higher the warrating value of the information. Other generated information should therefore be of higher warrating value than self-generated information. Consequently, it is expected to have a higher impact on impression formation." (p. 317)
"The results show that people expect people to have similar friends; if the friends make an extraverted and outgoing impression, the target is perceived as more popular than when the friends make an introverted impression." (p. 326)
Nota:
NOTA: SNS - Social Network Sites
Artigo muito importante! Introduz a questão do "other-generated information" (informação gerada por outros): amigos e sistema. Fala um pouco da questão da popularidade on-line versus a popularidade off-line.
Ver artigo aqui.
The Faces of Facebookers: Investigating Social Enhancement and Social Compensation Hypotheses; Predicting Facebook and Offline Popularity from Sociability and Self-Esteem, and Mapping the Meanings of Popularity with Semantic Networks
Autor: Jolene Zywica; James Danowski
Assunto: Popularidade on-line (Facebook) vs. popularidade off-line. Estudo comparativo.
Palavras-Chave: Facebook, popularidade, off-line, on-line, social enhancement, social compensation
Resumo:
O artigo testa duas hipóteses retiradas da revisão da literatura:
1) "Social Enhancement" - Realce Social - ("Rich Get Richer"): Popularidade off-line aumenta a popularidade on-line; 2) "Social Compensation" - Compensação Social - ("Poor Get Richer"): Popularidade on-line é utilizada para compensar a falta de popularidade off-line.
Foi realizado um inquérito on-line, respondido por 614 indivíduos dos EUA. Um dos objectivos do artigo é identificar o significado atribuido à popularidade no Facebook em utilizadores com diferentes níveis de auto-estima e sociabilidade. Levanta-se uma questão: o que significa ser popular no Facebook e no contexto off-line?
Facebook foi criado em 2004 como uma rede social dos estudantes de Harvard. No entanto, rapidamente alastrou-se a estudantes de outras universidades, albergando estudantes do ensino secundário e, mais tarde, todos os indivíduos em geral.
A popularidade on-line (Facebook) é definida de duas formas:
- Indicadores de status: número de amigos e tamanho do mural; - Utilização de técnicas virtuais de etnologia: definição dos utilizadores, com diferentes níveis de auto-estima e sociabilidade.
Estudos indicam que a popularidade está relacionada com alta atractividade, características de liderança, humor, extroversão, descobertas académicas e favor dos professores. O sexo e o género influenciam as questões da popularidade. Gordon (1957) utiliza o termo "Queen Role", que requere beleza, vestuário aprovado, carácter moral, personalidade democrática, desempenho escolar, exercício da influência e serviço escolar. Os utilizadores do Facebook podem ter a percepção destas características no Facebook, através da informação de perifil, que inclui o número de amigos e galeria de fotografias. O desempenho pode também ser interpretado através da análise da experiência profissional, formação académica, actividades extracurriculares, prémios, entre outros aspectos.
O Modelo dos Cinco Factores ("Five-Factor Model" de Ewn, 1998) descreve a personalidade com base em cinco principais dimensões: extroversão, neuroticismo, consciência, amigabilidade e abertura a novas experiências. As dimensões da personalidade podem também ser relacionadas com a auto-estima. Pessoas com uma alta auto-estima tendem a ser mais extrovertidas, amigáveis, conscienciosas, estáveis emocionalmente e mais abertas a novas experiências. A atitude dos indivíduos perante si mesmos influencia a forma como se adaptam a novos ambientes, daí que a auto-estima esteja também associada à popularidade no Facebook. Ser aceite e bem tratado em várias áreas da sua vida (i.e. escola, trabalho, on-line, entre outros) pode resultar em alta auto-estima, sendo que os indivíduos com esta característica são mais positivos, independentes, focados e autónomos, ao contrário dos que têm uma baixa auto-estima que tendem a ser mais negativos, senir-se inferiores, indignos, inseguros, ansiosos e deprimidos.
Segundo as duas hipóteses em teste no artigo, os indivíduos com alta auto-estima têm como objectivo aumentar a mesma e os indivíduos com baixa auto-estima pretendem compensar a falta dela, tentanto corrigir as suas deficiências com o objectivo de serem mais aceites na sociedade. Os índividuos com alta auto-estima pensam que já são aceitáveis e querem aumentar um já alto estatuto. Este factor pode explicar porque o Facebook é utilizado por utilizadores com alta e baixa auto-estima para aumentar a sua popularidade.
A hipótese da Compensação Social é consistente com o facto de adolescentes introvertidos e socialmente ansiosos que têm dificuldade em desenvolver amizades utilizarem a Internet com o objectivo de substituir uma rede social off-line indesejada por contactos on-line. Por outro lado, a hipótese do Realce Social postula que adolescentes extrovertidos e populares são motivados a acrescentar contactos on-line aos contactos que compõem a sua rede social off-line.
Surge, ainda, uma terceira e quarta hipóteses, testadas por Valkenburg e Peter (2007): Privação Social ("Social Deprivation" - "Rich Get Poorer") e Efeito de Estimulação ("Stimulation Effect" - "Everyone gets Richer"). A primeira defende que os indivíduos que passam mais tempo on-line reduzem o seu bem-estar porque dedicam menos tempo à interacção social no contexto off-line. A segunda postula que os indivíduos aumentam o seu bem-estar ao passar mais tempo on-line, pois aumentam a qualidade das suas relações off-line.
Schlenker, Weigold e Hallam (1990) defendem que as pessoas com alta auto-estima são mais propensas a utilizar um estilo de auto-apresentação aquisitivo, que busca a aprovação social, enquanto que aqueles com baixa auto-estima têm tendência a auto-proteger-se, na tentativa de prevenir ou atenuar as eventuais desaprovações sociais. No entanto, estes resultados podem variar das interacções em contexto on-line e off-line.
Pressupõem-se que os indivíduos mais novos tendam a preocupar-se mais com a sua popularidade on-line que os utilizadores adultos.
Alguns utilizadores podem ser mais extrovertidos e sociáveis on-line do que numa relação presencial. Por esta razão, os utilizadores terão tendência a expressar mais facilmente o seu "verdadeiro eu" on-line. Assim sendo, alguns utilizadores poderão registar-se no Facebook para atingir um estatuto desejado, para expandir o seu circulo de amigos e para aumentar a sua auto-estima. Ellison et al. (2007) sugere que o Facebook é mais utilizado para manter ou reforçar as relações off-line existentes, ao contrário de estabelecer novas on-line. Lampe et al. (2006) concluiram que o Facebook é mais utilizado para procurar pessoas com quem os utilizadores têm uma conexão off-line do que completos estranhos.
Os elementos de perfil que mais contribuem para a popularidade do utilizador no Facebook são o número de amigos e o tamanho do seu mural. No entanto, outros elementos têm influência, tais como os grupos, aplicações utilizadas, fotografias e informações pessoais.
Resultados:
A amostra é composta maioritariamente por indivíduos do sexo feminino. 67% dos respondentes utilizam o Facebook há mais de um ano.
A análise textual demonstrou que tanto os utilizadores populares como impopulares utilizam a palavras "amigos" frequentemente para descrever o que significa ser popular no Facebook. Para além disso, muitos dos participantes afirmam que a popularidade é-lhes insignificante. Os utilizadores populares e impopulares utilizam expressões diferentes para descrever aqueles que tentam ser populares no Facebook. Por um lado, os utilizadores populares utilizam adjectivos como "chatos", "jovens" e "sozinhos". Por outro lado, os utilizadores impopulares utilizam adjectivos como "imaturo" e com baixa auto-estima. Ambos os grupos utilizam a palavra "inseguro". Como já foi dito, poucos utilizadores admitem fazer algo para aumentar a sua popularidade no Facebook. Afirmam, porém, publicar fotografias com bom aspecto, fotografias falsas, fotografias com celebridades... Os respondentes que conhecem pessoalmente alguém que tenta ser popular no Facebook utilizam muitas vezes a palavra "adicionar" para descrever as suas atitudes on-line. Isto está relacionado com adicionar outros utilizadores ou adicionar a maior quantidade possível de utilizadores.
A maioria dos utilizadores concordam que utilizadores que estão identificados num maior número de fotografias de amigos são mais populares.
A maioria dos utilizadores afirmam que não revelam mais sobre si na Internet do que no contexto off-line, que não revelam mais lados da sua personalidade aos seus "amigos" on-line do que aos seus "amigos" off-line e que a sua familia não ficaria surpresa se visse o seu perfil do Facebook. Neste caso, os utilizadores populares têm mais tendência a afirmar que as suas familias não ficariam surpreendidas, sendo que alguns utilizadores impopulares afirmam que as fotografias poderiam ser surpreendentes, visto mostrarem-nos a festejar, a beber...
Diferenças entre idades: 9,6% os utilizadores jovens (nascidos antes de 1986) admitem exagerar ou falsificar informação do perfil algumas vezes, ao contrário dos utilizadores adultos (nascidos depois de 1986), em que apenas 4,5% admitem esse facto.
16,3% dos utilizadores com baixa auto-estima assumem que os seus amigos na Internet têm conhecimento de aspectos que não podem partilhar com os seus amigos do contexto off-line. Por outro lado, este tipo de utilizadores admitem com mais frequência que expressar várias e diferentes facetas on-line e ter atitudes propositadas para parecer "porreiros", tendendo a exagerar ou falsificar informação, o que faria com que as suas famílias ficassem surpreendidas ao visualizar os seus perfis no Facebook.
Os utilizadores mais populares são normalmente os extrovertidos com alta auto-estima. No entanto, a maioria dos utilizadores extrovertidos com baixa auto-estima também são considerados populares. Os utilizadores mais impopulares são maioritariamente os utilizadores introvertidos com baixa auto-estima. Já os utilizadores introvertidos com alta auto-estima encontram-se no meio, com 48,2% considerados impopulares e 34,2% considerados populares.
Conclusões:
As duas hipóteses foram comprovadas. Os indivíduos mais extrovertidos e com alta auto-estima suportam a primeira hipótese ("Social Enhancement"), sendo populares tanto no Facebook como no contexto off-line. Por outro lado, os indivíduos menos populares off-line suportam a segunda hipótese ("Social Compensation"), sendo que tentam compensar a sua baixa auto-estima procurando e lutanto mais por obter uma elevada popularidade no Facebook. Assim sendo, as conclusões devem ser retiradas com base na distinção entre grupos de utilizadores analisados.
Uma elevada percentagem de utilizadores inquiridos com baixa auto-estima revela mais informação sobre si on-line, confessa que existem aspectos que os seus amigos da Internet sabem que não podem partilhar com os seus amigos do contexto off-line, expressa mais das suas facetas on-line, exagera informação e admite que feito algo para parecer popular no Facebook. Alguns utilizadores com baixa auto-estima podem sentir-se mais confortáveis para expressar o seu verdadeiro eu on-line do que off-line.
Tanto os indivíduos com alta auto-estima como aqueles que têm baixa auto-estima tentam ser populares no Facebook. De acordo com as hipóteses de protecção-reforço, os utilizadores com alta auto-estima utilizam o Facebook para alcançar um alto estatuto social e os utilizadores com baixa auto-estima utilizam para corrigir as suas deficiências com o intuito de se tornar socialmente aceites (Tice, 1993). As hipóteses defendem que os utilizadores com alta auto-estima pretendem reforçar a sua auto-estima, enquanto que os utilizadores com baixa auto-estima pretendem proteger a sua auto-estima (Tice, 1993).
Utilizadores que dão importância à popularidade no Facebook afirmam que ter um elevado número de posts no mural aumenta a popularidade on-line. Por outro lado, ambos os grupos de utilizadores afirmam que a popularidade pode ser medida através do número de amigos que uma pessoa tem. Para além disso, a maioria dos inquiridos concorda que os utilizadores que são mais identificados em fotografias de amigos são mais populares, assim como os utilizadores com amigos de mais escolas diferentes.
Ambos os grupos de utilizadores afirmam, também, que alteram o seu perfil quando surge uma alteração nas suas vidas: novo trabalho, novos interessesn, novos livros ou filmes preferidos...
O estudo sugere que a popularidade on-line não é tão definida ou fundamentada como a popularidade off-line. A popularidade on-line varia mais do que a popularidade on-line, havendo mais disconexão em relação a variáveis como a sociabilidade e auto-estima.
Citações:
"Self-esteem may be a personality trait that explains the support for both Social Enhancement and Compensation hypotheses. Low sel-esteem user may be trying to enhance their self-image, and high self-esteem users may be trying to protect their self-image or popularity." (p. 19)
"It is also interesting to know that popularity is more than just something that exists in real life. It also exists on Facebook� and perhaps on other SNSs. This adds a new level of complexity to the social lives of some youth. They may not only want to be popular in school, but also in virtual spaces, and some with less popularity offline appear to strive extra hard for it online." (p. 22)
NOTA: Ver INQUÉRITO em anexo. Pode ser útil para construção de inquérito para recolha de dados.
Comentários: O artigo aborda a questão da popularidade, conjugando conceitos como auto-estima e extroversão. Para além disso, compara a popularidade on-line com a popularidade off-line.
Ver artigo aqui.
Mananing Impressions Online: Self-Presentation Processes in the Online Dating Environment
Autor: Nicole Ellison
Assunto: O artigo analisa como os participantes gerem a sua auto-apresentação on-line em sites para encontros com o objectivo de encontrar um companheiro. A metodologia utilizada é a análise de conteúdo de entrevistas realizadas a 349 utilizadores do Connect.com.
Palavras-Chave: connect.com, sites encontros, auto-apresentação, foggy mirror, ideal self, real self
Resumo:
O processo dos sites de encontro, onde os indivíduos se conhecem on-line, criando, depois, uma relação off-line, cria oportunidades para o desenvolvimento de novas teorias, sendo necessário ter em conta que os encontros on-line antecedem interacções off-line, mantendo-se as práticas sociais estabelecidas.
Segundo Higgins (1987), existem três domínios do eu: o "eu actual" ("actual self") diz respeito aos atributos que um indivíduo possui, o "eu ideal" ("ideal self") aos atributos que um indivíduo idealmente poderá possuir e o "eu dever" ("ought self") atributos que um indivíduo deveria possuir. A descrição do "eu ideal" que os indivíduos fazem influencia a percepção que têm dos seus parceiros românticos (Mendelsohn, 1998). Ao contrário de algumas plataformas de comunicação on-line, principalmente dos ambientes anónimos que prevaleciam antes das redes sociais, os sites de encontro, como uma antecipação de uma interacção presencial, diminuem a sensão do anonimato visual postulado por Joinson (2001). Segundo Gibbs et al. (2006), os utilizadores dos sites de encontros são mais abertos, realistas e, provavelmente, mais autênticos.
Um estudo de Brym & Lenton (2001) mostrou que cerca de um quarto dos utilizadores dos sites de encontros confessam deturpar alguns aspectos da sua identidade, com relevância para a idade, estado civil e aparência.
Resultados:
Muitos dos participantes referem-se, directa ou indirectamente, ao facto de terem em atenção os pormenores subtis, quase ao minuto, transmitidos nas mensagens dos outros utilizadores e na criação das suas próprias mensagens. Uma das inquiridas refere-se à característica de escrever bem quando analisa um perfil. Esta habilidade é entendida como uma habilidade não controlável ("given off" - GOFFMAN). Os utilizadores normalmente criam os seus perfis tendo em conta os seus desejos em relação ao companheiro que procuram. As características que têm em atenção nos perfis dos outros utilizadores reflectem-se nos seus próprios perfis.
Os utilizadores confessam moldar-se às reacções do outro durante o contacto que estabelecem. O tempo de utilização da plataforma influencia a utilização que os utilizadores fazem da mesma.
Existe uma tendência para projectar um eu atraente, bem sucedido e desejável. Os indivíduos assumem ser desonestos por vezes, mas apenas para tentar ser atraentes e fazer com que os outros gostem deles. Assumem, também, que muitos dos utilizadores não mentem com intenções negativas, utilizando apenas o site para escrever e projectar a pessoa que gostariam de ser, a pessoa dos seus sonhos, como se fosse uma realidade ("IDEAL SELF"). Esta projecção do EU IDEAL pode influenciar o EU REAL, visto a interação no site anteceder uma interacção presencial e o indivíduo necessitar de equilibrar o que retratou com a realidade.
Existe também neste tipo de plataformas uma necessidade de estar em conformidade com as normas sociais estabelecidas. Um dos entrevistados retrata uma situação em relação à idade: "(...)If I don't cheat that makes me seem twice as old. So if I say I am 44, people think that I am 48. It blows." (p. 427) A plataforma analisada possui um sistema de filtros para pesquisa, o que também influencia a auto-apresentação dos seus utilizadores.
"FOGGY MIRROR" (Espelho Nubloso): diferença entre auto percepção e percepção do outro sobre o indivíduo. A auto-apresentação de um indivíduo pode não ser verdadeira mas estar em consonância como este se vê. Um dos utilizadores entrevistados explica que pode haver uma diferença entre o que uma mulher pensa que é um bom corpo e o que ele pensa que é um bom corpo. Alguns dos utilizadores confessam que para evitar este síndrome de Espelho Nubloso no seu perfil pedem a amigos ou familiares que o leiam e validem.
Conclusões:
O facto deste tipo de plataformas pressupor um encontro off-line faz com que os indivíduos tenham de balançar o seu desejo pela auto-promoção com a sua necessidade de uma auto-apresentação honesta.
O estudo demonstra que quando a comunicação não verbal não pode ser transmitida, é dada muita importância aos pormenores do perfil ou das mensagens. Isto é o caso dos aspectos estilisticos das mensagens, tais como o seu tamanho, tempo em que é publicada e a gramática.
O estudo demonstra, também, que no contexto das plataformas de encontros on-line os utilizadores projectam o seu eu ideal, o que influencia o seu eu real, lutando para diminuir a diferença do eu entre as duas realidades.
Citações:
" (...) if participants aspire to an intimate relationship, their desire to feel understood by their interaction partners will motivate self-disclosures that are open and honest as opposed to deceptive." (p. 417)
"Participants carefully attended to small cues, such as spelling ability or last login date, in others' profiles in order to form impressions." (p. 425)
"Profile photographs communicated not only what people looked like (or claimed to look like), but also indicated the qualities they felt were important." (p. 430)
Nota: Computer-Mediated-Communication (CMC). Ver "VIDEO DATING" - foi encontrada pouca informação sobre este tema nas bases de dados, mas existem sites de encontros com base na publicação de vídeos dos seus utilizadores.
Artigo interessante para incluir na secção "A apresentação on-line do eu: dos sites pessoais às redes sociais, passando pelos ambientes anónimos on-line". Introduz um novo conceito: "foggy mirror".
Ver artigo: aqui.
Analyzing the discourse of job-application videos: performance and relevance
Autor: Ming-Yu Tseng
Assunto: Analisa os vídeos submetidos a candidaturas de emprego, onde os candidatos se auto-apresentam, explicando porque são merecedores do cargo
Palavras-Chave: identidade, auto-apresentação, candidaturas, vídeo, performance, relevância, candidato, destinatário
Resumo:
O artigo tem como estudo de caso o concurdo "The Best Job in the world", que reuniu cerca de 30.000 candidaturas de todo o mundo em formato de vídeo. O objectivo dos vídeos enviados pelos candidatos era passar à fase entrevista para, posteriormente, ficar com o cargo. O critério de escolha dos candidatos foi o seu potencial performativo.
A era digital potenciou o surgimento de candidaturas a empregos em diferentes formatos, nomeadamente em formato audiovisual. Anteriormente, as candidaturas faziam-se, principalmente, em formato de texto, através do curriculum vitae ou das autobiografias. As candidaturas em formato de vídeo permitem a auto-apresentação do candidato, através da sua performance. Servem a função de pré-entrevista.
Na análise, é necessário ter em conta o que os candidatos dizem, como comunicam e os destinatários da candidatura (entidade empregadora). O conceito central da análise do estudo é a PERFOMANCE (persuasão, identidade, actos no discurso e arte verbal) dos candidatos e a RELEVÂNCIA da mesma, sendo que no caso da auto-apresentação no âmbito de candidaturas para empregos estes dois factores andam de mãos dadas. O DISCURSO tem um papel preponderante na cadeia performativo, tendo como objectivo persuadir o destinatário a agir, impressionando e influenciando a sua decisão. Assim sendo, no âmbito da performance, é necessário analisar tanto a produção como a recepção verbal, que pode ser positiva ou negativa. A relevância, por sua vez, demonstra a necessidade de tornar relevante a apresentação para o destinatário ou contexto (que, neste caso, é uma candidatura a um emprego). A apresentação deve, assim, ser convincente e apropriada.
No site do concurso em estudo, pedia-se que os candidatos criassem um vídeo com a duração de até 60, em inglês, onde explicassem porque são bons candidatos para ocupar o posto, de uma forma divertida e criativa. Esta descrição demonstrava, desde já, o que o destinatário esperava receber. Nesse sentido, surge o PRINCÍPIO DE INTERESSE (Leech), relacionado com a expressão linguística e o conteúdo, que depende do que é relevante para o destinatário, do objectivo da comunicação e da forma como a habilidade verbal e não verbal é demonstrada.
Da lista de 50 vídeos escolhidos, foi analisado um, considerado altamente performativo. O mesmo foi transcrito na íntegra, tanto a sua comunicação verbal como a não verbal, pois o aspecto visual (acções) do vídeo complementa a informação fornecida oralmente. Algumas questões se levantam quando ao aspecto do vídeo: como se posicionam os intervenientes uns perante os outros; como se apresenta o locutor quanto à audiência; como se posiciona o locutor perante si mesmo.
Conclusões:
A utilização de metáforas e ambiguidade pode interessar o destinatário, caso sejam utilizada de forma apropriada. Estas características podem activar um elevado nível de envolvimento do destinatário com o conteúdo.
As acções do candidato, assim como a comunicação verbal, são premeditadas para persuadir o destinatário a aceitar a candidatura.
Citações:
- "As with stage performance, verbal communication entails one or more performers and has a particular and immediate effect on the audience. For the performance to be well received, the performer has to strive to achieve the best possible effect on the audience." (p. 575)
Ver artigo: aqui
Witnesses Appearing Live Versus on Video: Effects on Observers' Perception, Veracity Assessments and Memory
Autores: Sara Landstrom, Par Anders Granhag e Maria Hartwig
Video on the Internet: The Content Question
Autor: Jeffrey A. Hart
Assunto: O artigo caracteriza o vídeo on-line e prevê a expansão futura do mesmo, principalmente tendo em conta o contexto empresarial.
Palavras-Chave: video on-line, Internet, conteúdo, características
Resumo:
A audiência para conteúdo digital é normalmente mais pequena e possivelmente mais elitista do que a audiência do conteúdo analógico. No entanto, as novas tecnologias de comunicaçaão e informação têm contribuido positivamente para o livre discurso e actividade criativa. Existem vários exemplos no Youtube que alcancaram uma grande audiência com um baixo custo de produção. Na maior parte das vezes, estes vídeos começaram por ser filmados por apenas um indivíduo com uma câmara amadora ou uma câmara web.
Na Interner é publicada uma variedade de tipos de vídeos. No entanto, é possível estabelecer um certo padrão ao analisar alguns estudos. O relatório "State of Media Democracy" da Deloitte, publicado em Outubro de 2007, concluiu que 45% dos utilizadores inquiridos criavam sites, blogues, música e vídeos. Cerca de 50% dos utilizadores já nessa altura utilizavam redes sociais.
Caracterização de vídeos on-line:
Download vs. Streaming Existem dois métodos de distribuir vídeos na Internet: o download e o streaming. O download involve a transferência do ficheiro digital para o dispositivo do consumidor, normalmente através de uma variante do protocolo de transferência de ficheiros (FTP). No método de download o utilizador tem de aguardar que a transferência do download esteja completa para visualizá-lo num software de leitura deste tipo de ficheiros instalado no seu computador. No entanto, o download progressivo segue o protocolo HTTP, sendo o visionamento do ficheiro linear à medida que o mesmo é descarregado. Por outro lado, o método de streaming consiste numa negociação de condições de rede e ficheiros a entregar (server side), permitindo "saltar" para qualquer ponto no vídeo, assim como partilhar streams entre utilizadores e associar a modelo peer-to-peer.
User-Generated Video (Video Gerado pelos Utilizadores)
Uma das principais características do vídeo on-line é o facto de muitos dos vídeos publicados ser criado pelos utilizadores. Muitos desses vídeos são doados voluntariamente, enquanto que alguns dos utilizadores são pagos para submeter vídeos.
Redes Sociais e Vídeo On-line Muitas das plataformas de divulgação de vídeos na Internet disponibilizam funcionalidades típicas das redes sociais, como acontece com o Youtube, onde é possível partilhar vídeos, comentar, votar, entre outras funcionalidades. Para além disso, redes sociais como o MySpace e o Facebook permitem que os utilizadores publiquem e divulguem os seus vídeos pelos seus amigos. A combinação das redes sociais com a publicação de vídeos faz com que os ficheiros de vídeos sejam utilizados juntamente com o texto e fotografias para manter a relação com os amigos on-line.
CURIOSIDADE: A CNN solicitou que os seus espectadores publicassem um vídeo no Youtube com questões que quisessem fazer aos candidados presidenciais democráticos (23 de Julho de 2007) e 28 de Novembro de 2010). http://www.youtube.com/profile?user=YTdebates#grid/uploads
Citações:
"The importance of video-sharing web sites is that tehy represent the potential for Internet TV to create oppurtonities for new voices to be heard by large audiences" (p. 24)
"With the advent of cable and satellite telivision, and the rise of new specialized channels and networks, there was some increase in the variety of content, but also a division of the audience into smaller niches" (p. 25)
Nota: Caracteriza de uma forma básica o vídeo on-line. Fala da democratização da divulgação de conteúdos com recurso à Internet.
Ver artigo aqui.
Identity in Online Communities: Social Networking Sites and Language Learning
Autores: Richard Harrison e Michael Thomas
Assunto: Analisa a forma como a Web 2.0 pode potenciar o ensino de linguas.
Palavras-Chave: rede social, web 2.0, educação
Resumo:
Na base das redes sociais on-line estão os perfis dos utilizadores e a rede de "amigos" que os mesmos criam. No caso do Facebook, este providencia um sistema de perfil sofisticado, que incentiva os utilizadores a criar informação muito detalhada sobre si mesmos, assim como gerir o seu nível de privacidade sobre a informação que é tornada pública. Os perfis, na maior parte das vezes, baseiam-se em disponibilizar uma fotografia do utilizador, a idade, localização, interesses e descrições do dono do perfil. Uma vez que o perfil é criado, os utilizadores tornam-se membros de uma comunidade online, começando a criar uma lista de "amigos"que irá formar a base da sua rede social on-line. Este processo acontece de duas formas. Em primeiro lugar, os utilizadores enviam pedidos de amizade para um potencial novo membro da sua rede social. Neste caso, a relação baseia-se em consensu e reconhecimento. Em segundo lugar, a maioria das redes sociais também tem a funcionalidade de criação de grupos, o que permite criar grupos sobre um determinado tema ou interesse. Os utilizadores podem, assim, juntar-se a um determinado grupo, que pode ou não ter um moderador, e receber informações dos outros utilizadores aliados ao grupo.
A Web 2.0 trouxe consigo: interactividade, inclusão, colaboração, material autêntico, literacia digital, conteúdo gerado pelo utilizador (UGC) e formas de publicação de muitos para muitos.
O'Reilly (2005) e Scholz (2007) concordam que formas mais rudimentares de redes sociais começaram a surgir entre a Web 1.0 e a Web 2.0, há uma década atrás.
Ver artigo aqui.
A Utilização de Internet em Portugal 2010
Autor: LINI - Lisbon Internet and Networks Institute
Notas: Dados recentes sobre a utilização da Internet em Portugal. Dados muitos pertinentes sobre a utilização das redes sociais pelos portugueses. Importante para a secção de contextualização quanto às redes sociais.
Ver artigo aqui.
Secundários
The Presentation of Self in Electronic Life: Goffman on the Internet
Autor: Hugh Miller
Assunto: Este artigo de 1995, altura em que a Internet inicia a sua crescente expansão, analisa a auto-apresentação nos sites pessoais, à luz da teoria de Goffman
Palavras-Chave: Goffman, auto-apresentação, Internet, páginas pessoais
Resumo:
A comunicação electrónica ("electronic communication") criam novos problemas e novas oportunidades no estudo da auto-apresentação. Este artigo explora, de uma forma rápida e básica, a forma como a auto-apresentaçao tem lugar no contexto da comunicação electrónica, nomeadamente nas páginas pessoais na web. As páginas pessoais são um novo tipo de auto-apresentação num novo meio.
Uma dos aspectos que os indivíduos têm de ter em conta nas suas interacções com os outros é apresentar-se como uma pessoa aceitável. A preparação nos bastidores pode ajudar a uma apresentação eficaz em palco. Goffman defende que o embaraço é um importante indicador da falha dos indivíduos aquando da sua apresentação como uma pessoa aceitável e um importante motivo para a eficácia da auto-apresentação. O indivíduo tem como objectivo auto-apresentar-se de forma eficaz para evitar falhar ou embaraços. O "eu" é apresentado com o propósito de interagir com o outro e é desenvolvido e mantido com a cooperação dos outros indivíduos durante a interacção.
Goffman distingue entre informação dada ("given") e não controlada ("given off"). A informação dada diz respeito à que é fornecida de forma planeada, sendo que a informação não controlada é dada sem intenção.
Com o desenvolvimento da tecnologia, têm surgido cada vez mais recursos expressivos. A comunicação eletrónica tem-se tornado cada vez mais humana (comunicação não verbal), deixando de ser apenas uma comunicação com o objectivo de fornecer informação (ex. smiles).
A comunicação electrónica é instantânea mas assíncrona. Pode ser de um para um, de um para muitos, de um para qualquer pessoa ou de um para ninguém. Lugares e distância são invisíveis. Pode ser totalmente privada, como é o caso do e-mail, ou totalmente pública, como é o caso dos sites.
Os sites podem ser acedidos por outros, convidam a deixar comentários, são interactivos de variadas formas e normalmente fornecem um e-mail para contacto. Fazem, portanto, parte de um sistema interactivo, apesar de muitas vezes ser restrito. O contexto onde se insere o acesso a um determinado site afecta a forma como o seu conteúdo é percepcionado. Se o criador do mesmo souber qual o contexto em que os utilizadores acedem ao seu site poderão controlar a sua auto-apresentação de forma mais eficaz.
Os sites pessoais permitem uma melhor auto-apresentação que o e-mail, apesar de serem menos interactivos. Os seus criadores podem apresentar fotografias, gráficos, interesses, contactos, etc. Os sites pessoais possibilitam um "locus" para o "eu" electrónico, mais favorável que o e-mail, visto os sites serem criados de forma mais cuidade e possibilitarem uma menor interacção. As limitações da utilização de sites pessoais para auto-apresentação podem fomentar a liberdade do utilizador, visto minimizarem a possibilidade de embaraço. Os outros utilizadores podem ter uma opinião desfavorável quanto ao site pessoal, embora seja pouco provável que o seu criador venha a ter esta noção. Em 1995, a linguagem HTML ainda estava pouco evoluida, sendo que, apesar de poderem ser disponbilizadas várias imagens, os destinatários podiam não ter um sistema que permitisse receber este tipo de informação. O mesmo se aplica ao vídeo e ao som. Neste sentido, o formato mais fiável para a transmissão de informação era o texto.
Para muitas pessoas, é difícil auto-descrever-se. No entanto, outras recursos podem fazer esta tarefa, nomeadamente os links que incluem nas suas páginas pessoais. Na Internet, toda a informação é dada, sendo que não é possível ter acesso à comunicação não verbal.
Categorias de páginas pessoais, segundo o autor:
1) Individual: O objectivo da página é puramente para auto-apresentação (como sou, de onde sou, o que estudo, minhas bandas/livros/etc preferidas...).
2) Individual como membro de uma organização.
3) Sites de grupo: como por exemplo a familia.
4) Página de interesses: informação sobre o seu interesse, links para outros sites sobre o mesmo tema...
5) Promoção pessoal
5.1.) Auto-promoção 5.2.) Curriculum Vitae 5.3.) Promoção de serviço: ex. designers.
Citações:
- "My feeling, as an old-fashioned psychologist, is that sociality and interaction are necessary for us to know who we are and what we can say about ourselves to others, and much more depth and richness in EC is needed before 'electronic selves' can emerge." (p. 7)
- "Contrariwise, much of the depth and richness that we can think of adding would be to make EC more like face-to-face interaction, which might suggest that electronic selves could be developed in a different social context (continuing the extension of the social world from the hamlet to the city to the global village) but that many of the basic issues, moves and processes that go on would be the same as they always were". (p. 7)
Instant Messaging: The Next Best Knowledge Sharing Tools in a Workplace after E-mail?
Autores: Hanif Abu Bakar e Nor Azmi Johari
Assunto: promover o serviço de mensagens instantâneas ("Instant Messaging") em detrimento do tradicional e-mail nos locais de trabalho
Palavras-Chave: Instant messaging, comunicação, mensagens instantâneas, tempo real, vídeo, voz, emoções
Resumo:
Vivemos numa sociedade em que a rapidez é cada vez mais importante. Torna-se, portanto, necessário explorar as potencialidades da tecnologia. O serviço de mensagens instantâneas incorpora funcionalidades de e-mail, embora possibilite comunicação em tempo real com voz, mensagens escritas e vídeo conferência. Este serviço permite uma comunicação mais instantânea, como o próprio nome indica, satisfazendo a necessidade actual de rapidez.
Algumas das potencialidades dos serviços de mensagens instantâneas são o feedback instantâneo, a possibilidade de incluir comunicação verbal e não verbal, a utilização da linguagem natural, a transmissão de emoções e as suas funcionalidades permitirem uma comunicação com características aproximadas da comunicação presencial.
Exemplos: MSN Messenger; Skype; Google Talk; Yahoo Messenger
O autor conclui que as principais potencialidades trazidas por este tipo de serviços no contexto empresarial são: - Assistir elementos de equipas geograficamente separadas; - Comunicações espontâneas, como por exemplo questões breves, dúvidas, coordenação, etc. - A rapidez da troca de mensagens significa que não se perde o fluxo comunicacional natural. - Utilização da funcionalidade de conversação com voz permite poupar em outros serviços, tais como o telefone. - Reduz o elevado número de e-mails trocados diariamente. - Software é normalmente gratuito e fácil de instalar.
Nota: Artigo pode ser utilizado para contextualizar a tipologia das plataformas de comunicação on-line.
Ver artigo aqui.
Social Network Sites: Definition, History, and Scholarship
Autores: danah m. boyd e Nicole B. Ellison
Assunto: Descreve, retrata a evolução e fala da investigação na área das redes sociais on-line.
Palavras-Chave:rede social, web 2.0, história, evolução, descrição, investigação
Resumo:
Os autores descrevem o novo fenómeno das redes sociais como um novo serviço na web que permite construir um perfil público ou semi-público dentro de um sistema limitado, articular a lista de outros utilizadores com quem o utilizador partilha uma conexão e, por último, percorrer a sua rede de amigos e as redes de amigos de outros utilizadores dentro do sistema.
É feita uma distinção entre os dois conceitos ingleses "social network sites" e "social networking sites". "Social network" diz respeito às pessoas que já se conhecem, utilizando a Internet como uma forma de manter os laços já existentes em vez de criar novos laços. (Ver citação)
Os autores falam um pouco sobre a história e evolução destas plataformas. Aquela que é considerada a primeira rede social data de 1997 e denominava-se de SixDegrees.com. Esta plataforma combinava os perfis, com os amigos e com o envio de mensagens. No entanto, o site fechou em 2000 por não ter um modelo de análise sutentável. A falta de utilizadores e a rede social pouco extensa, assim como a falta de apelo para contactar novos amigos, culminou no fecho do site. Em 1999, vários sites começaram a incorporar funcionalidades interactivas e, em 2001, surgiram redes sociais empresariais ou profissionais como o Ryze.com e o LinkdIn. O surgimento de redes sociais como o Friendster, MySpace e Facebook marcou uma nova era, em que as redes sociais começaram a abranger nichos de mercado mais alargados.
Como o Friendster vacilou, surgiu uma nova onda de redes sociais em 2003 que tiraram proveito da emergência do compartilhamento multimédia e a capacidade dos utilizadores para criar o seu próprio conteúdo com editores WYSIWYG (What You See is What You Get). O MySpace foi o primeiro fenómeno verdadeiramente global, com a disponbilização de novos recursos que permitiam a personalização do conteúdo. No entanto, a última onda deste tipo de plataformas teve início em 2004, com o surgimento do Facebook, que começou por ser uma rede social da Universidade de Harvard. Esta rede social marcou a diferença por apostar na personalização da privacidade do perfil, não disponibilizando as informações contidas no mesmo a todos os utilizadores da comunidade, assim como possibilitando que sejam criadas aplicações compatíveis com o seu sistema por empresas ou utilizadores individuais, aplicações essas que funcionam como "add-ons" ao site.
Para os autores, o conceito central "identidade", que diz respeito à forma como o utilizador desenvolve os seus perfis online e a sua lista de amigos, obedece a quatro passos fundamentais:
1) Gestão de impressões: os utilizadores definem as suas próprias identidades através da informação que disponibilizam nos seus perfis e através da forma como configuram a sua privacidade on-line, o que influenciará os sinais de identidade enviados aos outros utilizadores.
2) Gestão de amizades: a análise do perfil dos outros utilizadores para escolher se os mesmos são incluidos ou não na rede de amigos do indivíduo mostra a procura de marcadores de identidade com o objectivo de estabelecer uma interacção social.
3) Estutura da rede social: o papel que os utilizadores desempenham na comunidade social em que participam. Alguns serão muito passivos e terão uma rede pessoal muito restricta, enquanto que outros serão muito activos no que toca á publicação de conteúdo e informação. Outros terão ainda um papel fundamental na criação de grupos.
4) Ponte entre o contexto on-line e off-line: diz respeito ao nível de integração das redes sociais on-line com a vida do indivíduo em contexto off-line.
Citações:
"‘Networking’ emphasizes relationship initiation, often between strangers. While networking is possible on these sites, it is not the primary practice on many of them, nor is it what differentiates them from other forms of computer-mediated communication (CMC)… What makes social network sites unique is not that they allow individuals to meet strangers, but rather that they enable users to articulate and make visible their social networks. This can result in connections between individuals that would not otherwise be made, but that is often not the goal, and these meetings are frequently between ‘latent ties’… who share some offline connection. On many of the large SNS, participants are not necessarily ‘networking’ or looking to meet new people; instead, they are primarily communicating with people who are already a part of their extended social network. To emphasize this articulated social network as a critical organizing feature of these sites, we label them 'social network sites'”.
Notas: Ver Sherry Turkle. Muito bom para definir rede social e para falar um pouco da evolução do conceito e do surgimento do Facebook.
Ver artigo aqui.
Face-to-face or Facebook: Are shy people more outgoing on Social Networking Sites?
Autor: Tim Blumer
Notas: Caracteriza a comunicação mediada por computador com utilização de texto! Importante para o capítulo referente à caracterização do vídeo on-line.
Ver artigo aqui.

