De WikiCampus
Aplicações vs Jogos
Aplicações são ferramentas. Partimos para o uso das mesmas com uma ideia +- fixa sobre como deve decorrer a interacção, ou qual o problema que queremos resolver. Jogos, pelo outro lado, são mais do que ferramentas. Partimos para o "uso" dos mesmos com pouco mais do que alguma curiosidade, e é o próprio jogo que nos "oferece" problemas por resolver. A interacção em si pode ser analisada através de um vocabulário partilhado (proveniente da HCI, usabilidade, design de interacção, etc.), mas a diferença fundamental reside na mente do utilizador, e não na interacção. Compreender o fascínio dos jogos (e utilizá-lo na concepção de aplicações envolventes) tem que passar necessariamente pela compreensão da abordagem intelectual/emocional dos jogadores.
Interfaces abertas vs Interfaces estruturadas
(note to self: será mais correcto falar aqui em interacções em vez de interfaces?)
Uma interface pode possibilitar uma acção de forma aberta (livre) ou estruturada (condicionada). A interface "aberta" dá mais liberdade de personalização ao utilizador. Pelo outro lado, oferece pouca ajuda, raramente é self-explainatory, pode deixar o utilizador na dúvida se está a realizar a acção da forma correcta e leva a resultados incoerentes entre várias utilizações. Um exemplo deste tipo de interface é a própria Wiki do Sapo Campus (Mediawiki). A interface para a escrita de uma página ou de um artigo consiste numa janela de edição de texto. A junção de várias páginas num todo organizado requer a livre associação de páginas individuais através de links. Isto faz com que exista pouca coerência na estruturação de páginas individuais e na forma como várias páginas estão associadas. Os utilizadores têm que observar exemplos de páginas existentes ou continuar na dúvida se estão a trabalhar da forma correcta.
Uma interface estruturada, pelo outro lado, dita um processo específico para realizar uma acção. Isto limita a liberdade do utilizador, mas retira muitas dúvidas e incertezas. Exemplos de interfaces estruturadas são mecanismos de expressão de avaliação subjectiva de qualidade de um conteúdo multimédia (feedback) através de ratings ou likes em sites de redes sociais como o Youtube ou o Facebook (ou o próprio Sapo Campus Fotos e Vídeos). Um exemplo de uma interface não-estruturada para dar feedback seria uma caixa de comentário. Devido à maior facilidade de acção, as interfaces estruturadas convidam muito mais à acção do que as não estruturadas. No momento de escrita deste artigo (10/10/2010, 22h50), os 10 últimos itens publicados na página oficial do Sapo Campus no Facebook tiveram 21 likes e somente 3 comentários.
Uma acção deve ser possibilitada de uma forma aberta com recurso a estruturação sempre que necessário. Assim mantemos a liberdade de personalização, enriquecendo-a com a ajuda oferecida pela estruturação do processo. Um exemplo desta abordagem é a dupla like + comentário no Facebook. Posso simplesmente likear ou, se desejar ser mais específico, adicionar também um comentário. No caso da estruturação de páginas na Wiki, deveria existir uma área com uma lista de secções comuns. Com um clique adicionaria uma secção com o nome (editável) da secção seleccionada. Junto desta secção aparecia uma caixa de texto em que posso inserir o texto dessa secção específica. Em alternativa, podia criar instantaneamente todas as secções. Podiam existir vários templates de artigos diferentes.
A concepção da estruturação adequada de acções realizadas pelos utilizadores devia ser uma preocupação central no desenho da interacção de qualquer serviço.
Interfaces estruturadas para comunicação e o fenómeno da Web 2.0
A Web foi concebida desde o início como uma plataforma de comunicação. Qual foi a mudança no ecossistema Web que levou à criação dos termos "Web 2.0" ou "Web Social"? No meu ponto de vista, foi a implementação de interfaces estruturadas que facilitassem a representação do Eu na Web e a comunicação entre as pessoas.