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Cultura digital/estrategias/ple

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Em 1976 foi citado pela primeira vez o termo Personal Learning Environment (PLE) por Goldstein & Miller (1976), no âmbito de uma apresentação sobre inteligência artificial, sem contudo definirem e enquadrarem o conceito. Em 2001, Olivier & Liber (2001) apresentaram um primeiro enquadramento de PLE, num conceito aplicado a um servidor institucional. O PLE é ainda um conceito emergente, e segundo Fielder & Väljataga (2010) são identificadas duas linhas de pensamento que definem o conceito de PLE: uma delas representa-o o conceito e a outra como uma tecnologia – um conjunto de ferramentas. De forma sucinta será feita a descrição das duas linhas de pesquisa que definem um PLE.

Tabela de conteúdo

PLE como conceito

Graham Attwel, um dos pesquisadores mais destacados nesta área, defende o PLE como conceito. Segundo ele, é fundamental que um PLE seja visto não somente como uma nova aplicação de tecnologia, mas sim como um conceito. Para Attwell, um PLE é visto como um espaço em que as pessoas interagem e se comunicam, e cujo resultado final é a aprendizagem e o desenvolvimento do know-how coletivo. A tecnologia não representa um desafio para os sistemas de ensino, mas sim, a mudança de comportamento dos indivíduos, não somente dos mais jovens (Attwell, 2007, 2009; Atwell & Puscuta, 2008). Este conceito de PLE também é defendido por Downes (2010), que define que um PLE é um conceito, ao invés de uma aplicação. Conforme Siemens (cit in Mota, 2009, p.4), os PLEs não constituem um software de gestão de conteúdos, sendo essencialmente “(…) a collection of tools, brought together under the conceptual notion of openness, interoperability, and learner control. As such, they are comprised of two elements - the tools and the conceptual notions that drive how and why we select individual parts. PLEs are a concept-entity.”

PLE como tecnologia

Segundo Wilson et al. (2007), o PLE pode ser identificado por seis características principais:

i) Gestão das ligações entre o utilizador e os serviços – o sistema deve gerir as ligações entre um conjunto de serviços disponíveis e o utilizador;

ii) Relações simétricas – o sistema deve permitir que o utilizador seja tanto consumidor como produtor de conteúdos, recursos ou serviços;

iii) Contexto individualizado – o sistema deve permitir que os utilizadores possam (re)organizar as informações dentro do contexto que produziram;

iv) Padrões abertos – os sistemas têm que permitir a interacção com outros que suportem os padrões da Web de forma mais alargada;

v) Conteúdos abertos – o PLE encoraja os utilizadores a fazerem playlists de recursos e partilhá-los online com outros utilizadores para a construção do conhecimento colaborativo, por intermédio dos serviços online;

vi) Âmbito pessoal versus global – o PLE é situado no âmbito pessoal, mas pode ser considerado no nível global, ou seja, a ligação com redes sociais, bases de conhecimento, entre outros elementos é tanto possível quanto desejável.

Segundo Anderson (2006), “A PLE is a web interface into the owners’ digital environment”. Alguns aspectos são sintetizados por Mota (2009, p.4), que segundo Anderson (2006) caracterizam um PLE: “ funcionalidades de gestão de conteúdos, integrando interesses pessoais e profissionais (relativos às aprendizagens formais e informais); um sistema de perfis para estabelecer conexões; um espaço de trabalho simultaneamente colaborativo e individual; um sistema de comunicações multi-formato; todas estas funcionalidades ligadas através de uma série de feeds distribuídas e sindicadas.”

Segundo Qian (2010), um PLE é um sistema que ajuda os alunos a assumir o controlo da sua própria aprendizagem; que inclui apoio aos alunos para definir as suas próprias metas de aprendizagem, gerir a sua aprendizagem, comunicar com outras pessoas no processo de aprendizagem, e alcançar seus objectivos de aprendizagem. Um PLE pode ser composto de um ou mais sub-sistemas, que pode ser um desktop application ou web-based service.

Zhao, Yang & Wang (2010) definem de forma marcante o conceito de PLE baseado na tecnologia; entretanto incorporam o conceito de e-portfólio já considerado por Anderson (2006) numa perspectiva de life long learning.

PLE – conceito ou tecnologia?

Não existe um consenso entre os autores sobre o conceito de PLE, embora o enfoque seja ou no âmbito do conceito ou da tecnologia, o objectivo geral do PLE é o mesmo, espaço pessoal de aprendizagem que permite a conexão, partilha e interacção. Apesar da Internet apresentar uma gama de informações, estas aparecem de forma descentralizada e mal catalogadas, pela criação de um PLE o utilizador pode criar um espaço de aprendizagem onde ficam reunidas as informações necessárias para a sua aprendizagem formal e/ou informal. Assim, os PLEs sustentados pelo conceito facilitam a aprendizagem, e no âmbito da tecnologia, as ferramentas Web 2.0 sustentam os PLEs. Deste modo, pode-se dizer, de uma forma mais abrangente, que o conceito é sustentado pelas tecnologias digitais, nomeadamente as ferramentas Web 2.0.

Deste modo, conforme Downes (2010, p.28), “(…) the best we can manage is to teach students how to learn, and to encourage them to manage their own learning thereafter.” Assim , ainda conforme Downes, “(…) we need to see the educational system itself as adaptive rather than merely prescriptive.”

Ver também

http://wiki.ua.sapo.pt/wiki/PLE

Links externos

http://www.youtube.com/watch?v=DS3OIBhZ5j0&feature=player_embedded

http://terrya.edublogs.org/2006/01/09/ples-versus-lms-are-ples-ready-for-prime-time/

http://blip.tv/file/2809351

http://www.youtube.com/watch?v=uWjA-rT3jfk

http://wiki.cetis.ac.uk/uploads/6/67/Olivierandliber2001.doc

http://ieeexplore.ieee.org/stamp/stamp.jsp?tp=&arnumber=5529254

http://ieeexplore.ieee.org/stamp/stamp.jsp?tp=&arnumber=5607483&tag=1

http://www.cetacmedia.org/index.php?q=project/ShaPLE

Bibliografia

Anderson, T. (2006, 2011). PLE's versus LMS: Are PLEs ready for Prime time? Virtual Canuck, from http://terrya.edublogs.org/2006/01/09/ples-versus-lms-are-ples-ready-for-prime-time/

Attwell, G. (2007). Personal Learning Environments _ the future of eLearning. eLearning Papers, 2(1).

Attwell, G. (Producer). (2009). Do Institutions have a Future? Retrieved from http://blip.tv/file/2809351

Atwell, G., & Puscuta, A. (Producer). (2008, 20 de Fevereiro de 2011). Personal Learning Environments Why they are and why they might be usefull. [Vídeo] Retrieved from http://www.youtube.com/watch?v=uWjA-rT3jfk

Downes, S. (2010). New Technology Supporting Informal Learning. [Article]. JOURNAL OF EMERGING TECHNOLOGIES IN WEB INTELLIGENCE, 2(1), 7. Fielder, S., & Väljataga, T. (2010). Modeling the personal adult learner: the concept of PLE re-interpreted.

Goldstein, I. P., & Miller, M. L. (1976). AI Based Personal Learning Environments: Directions for Long Term Research: Massachusetts Institute of Technology - Artificial Intelligence Laboratory.

Mota, J. (2009). Personal Learning Environments: Contributos para uma discusssão do conceito. [Article]. Educação, Formação e Tecnologia, 2(2), 17.

Olivier, B., & Liber, O. (2001). Lifelong Learning: The Need for Portable Personal Learning Environments and Supporting Interoperability Standards. Retrieved from http://wiki.cetis.ac.uk/uploads/6/67/Olivierandliber2001.doc

Qian, G. (2010). The Web as PLE: Perspective from Educational Technology and Internet Psycholog. Paper presented at the 2nd international Conference on Education Technology and Computer (ICETC). http://ieeexplore.ieee.org/stamp/stamp.jsp?tp=&arnumber=5529254

Wilson, S., Liber, O., Jonhson, M., Beauvoir, P., Sharples, P., & Milligan, C. (2007). Personal Learning Environments: Challenging the dominant design of educational systems. [Article]. Journal of e-Learning and Knowledge Society, 3(2), 12.