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Entrevista

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Tabela de conteúdo

O que é uma entrevista?

Segundo os autores Bruyne et al. (1975), citado por Coutinho, Tuckman (2000) , Quivy & Campenhoudt (1992), Pardal e Correia (1995) e Schensul (2008), a entrevista é tida como uma técnica de investigação que permite recolher informações, dados, utilizando a comunicação verbal. A forma oral ou escrita, presencial ou não presencial, aberta ou fechada, estruturada ou não estruturada, assumimos como opções livres do investigador na criação e desenvolvimento do guião de entrevista, instrumento para recolher, através de questões, as informações que pretende em relação ao estudo. Assim, o guião de entrevista, assume-se como uma forma de organização e recolha de informação para um conjunto de questões em regime oral e presencial, que desenvolve-se noutros aspectos ao nível da estruturação (não estruturada, estruturada e semiestruturada) e directividade. Pelo referido, consideramos o guião de entrevista como um instrumento da técnica de inquérito por entrevista situado sob o paradigma de uma investigação de natureza qualitativa. Para Morgan (1988) "uma entrevista consiste numa conversa intencional, geralmente entre duas pessoas, embora possa envolver mais pessoas" . Segundo Bogdan & Biklen (1994:134) a entrevista, em investigação qualitativa, pode constituir a estratégia dominante para a recolha de dados ou pode ser utilizada em conjunto com a observação participante, análise de documentos e outras técnicas. Em Lessard-Hebert (1990) refere que Werner e Shoepfle entendem que a entrevista poderá ser um complemento da observação, permitindo avaliar ou consolidar determinadas conclusões da observação participante ou mesmo ultrapassar algumas limitações desta técnica de recolha de dados.

Tipos de Entrevista

Tendo em conta o número de sujeitos entrevistados, a entrevista pode ser:

Individual, quando a entrevista é dirigida a uma pessoa;

Grupo, quando o entrevistador recolhe dados de vários participantes através da observação conjunta das interacções e dinâmica de grupo;

Social, quando uma pessoa ou um grupo avalia e forma uma opinião acerca de um ou mais indivíduos;

Painel, quando uma pessoa é entrevistada por várias pessoas em conjunto;

Tendo em conta a estruturação da entrevista, distinguem-se, geralmente, três tipos de entrevista:

Entrevista não-estruturada ou não directiva

O tema da entrevista é apresentado ao entrevistado e este desenvolve livremente o assunto, dando a conhecer as suas opiniões (Costa, 2004). A entrevista não-estruturada é modelada por uma maior informalidade no tratamento dos conteúdos a apresentar ao entrevistado, pelo que as respostas são mais informais e livres, tornando a entrevista numa conversa espontânea entre o entrevistador e o entrevistado. Pardal (1995, p. 65) destaca dois tipos de entrevista não-estruturada: a entrevista não-dirigida, que se caracteriza "por uma completa liberdade de conversação"; a entrevista dirigida, que se centra "num assunto preciso, com as perguntas em torno dele". Neste tipo de entrevista, pode acontecer que, face à sua natureza, a informação transmitida afaste-se do interesse do contacto do entrevistador e o próprio tratamento da informação apresenta mais dificuldades do que nos outros tipos de entrevista.

Entrevista estruturada ou directiva

A entrevista estruturada obedece a um plano constituído por um conjunto de questões previamente escolhidas. Todos os pormenores da entrevista são cuidadosamente preparados, através de uma escolha rigorosa da sequenciação das questões, do vocabulário utilizado e na forma como as questões são formuladas, de modo a que as perguntas e as respostas estejam, antecipadamente, condicionadas (cf. Costa, 2004). O resultado deste procedimento designa-se por guião da entrevista. Este, conduz a uma diminuição da liberdade de resposta, por parte do entrevistado, que só deve responder ao que lhe é perguntado. Esta é uma limitação deste tipo de entrevista, uma vez que se perde toda a informação adicional que pode advir da espontaneidade do entrevistado (Pardal, 1995).

Entrevista semiestruturada ou semidirectiva

Na entrevista semiestruturada ou semidirectiva o entrevistador orienta-se por um guião de temas que serão abordados livremente sem obedecer a uma ordem determinada. Deste modo, o entrevistador pode alterar a ordem das questões preparadas ou introduzir novas questões no decorrer da entrevista, solicitando esclarecimentos ou informação adicional, não estando portanto, regulado por um guião rígido (Simões, 2006). Por outro lado, o entrevistado também não está condicionado a responder apenas ao que lhe é perguntado, pois as perguntas são abertas, podendo expandir-se para outros temas não previstos pelo entrevistador. As entrevistas semi-estruturadas passaram a ser amplamente usadas por os “pontos de vistas dos sujeitos serem mais facilmente expressos numa situação de entrevista relativamente aberta do que numa entrevista estruturada ou num questionário” (Flick, 2005:77).

Vantagens, desvantagens e Limitações

A entrevista apresenta algumas vantagens sobre a modalidade inquérito por questionário. Enquanto o questionário se reveste de maior objectividade, podendo aplicar-se facilmente a um universo amplo de informantes, a entrevista é mais restritiva, isto é, aplica-se a uma ou a um grupo pequeno de pessoas, de carácter subjectivo o seu conteúdo é mais rico.

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Fonte: João Ferreira de Almeida (Coord.) - Introdução à Sociologia, Universidade Aberta, Lisboa, 1994.

A autora Cristina Costa (2004) apresenta vantagens e desvantagens da entrevista:

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Aspectos relevantes

O primeiro aspecto a ter em conta na preparação de uma entrevista é a escolha da pessoa (ou pessoas) que vai ser entrevistada. De um modo geral, a escolha recai sobre a pessoa que mais informação poderá contribuir para a investigação em causa. Contudo, para que o processo decorra com normalidade o investigador deverá assegurar a disponibilidade do entrevistado. Também se exige que antes da entrevista, propriamente dita, o investigador deva recolher dados sobre o entrevistado para se certificar que é a pessoa indicada para colaborar no trabalho a desenvolver. No contacto inicial, o investigador deverá esclarecer o entrevistado de todos os pormenores: tema e objectivos da entrevista, compromissos, respeito pela identidade, questões técnicas (gravação áudio e/ou vídeo, reprodução escrita), local e horário. Durante a entrevista, o contacto “face-to-face” revela indicadores (expressões corporais e/ou faciais, tempo de resposta ou indecisões, nervosismo, …) que devem ser registados no imediato (ou logo que seja possível), uma vez que ajudam na caracterização dos dados. “Uma observação cuidada do processo de entrevista permite confirmar, enriquecer e por vezes até contradizer o que vai sendo dito, como o conteúdo se vai desenvolvendo” (Costa, 2004). A referida autora enumera alguns aspectos que o entrevistador deve prestar atenção ao longo da entrevista, de modo a poder ser explorado o seu processo:

 Se o entrevistado parece estar confiante, confuso, duvidoso ou racional;

 Se o entrevistado alguma vez se contradiz;

 Como os aspectos referidos pelo entrevistado se relacionam com coerência;

 Em que altura o entrevistado mostra entusiasmo e emoção;

 Que tipo de linguagem corporal o entrevistado demonstra;

 Como é o ritmo da entrevista, se lento ou rápido, com linguagem simples ou elaborada;

 Relação eventual entre a aparência do entrevistado ou do ambiente da entrevista (se relacionado com o entrevistado) e o conteúdo da entrevista;


Um outro aspecto relevante na entrevista é a elaboração do guião. O Guião da entrevista surge como um instrumento utilizado para recolher informações na forma de texto e serve de base à realização da entrevista em si. Como etapas, há todo um percurso a ser seguido:

 Descrição do perfil do entrevistado (nível etário, escolaridade…);

 Selecção da população e da amostra de indivíduos a entrevistar;

 Definição do tema e objectivos da entrevista;

 Estabelecimento do meio de comunicação (oral, escrito, telefone, e-mail…), o espaço, e o momento (manhã, duração…)

 Descriminação dos itens;

 Elaboração do guião com boa apresentação gráfica;

 Validação da entrevista pela análise e critica por indivíduos relevantes.


Ver Técnicas e Instrumentos de Recolha de Dados na Investigação em Educação

Bibliografia

Almeida, J. F.(1994). Introdução à Sociologia, Universidade Aberta, Lisboa.

Costa, C. (2004). A entrevista. Lisboa:Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Flick, U. (2005). Métodos qualitativos na investigação científica. Lisboa: Monitor.

Lessard-Hebert, M., Goyette, G. e Boutin, G. (1990). Investigação Qualitativa - Fundamentos e Práticas. Lisboa: Instituto Piaget.

Morgan, D. L. (1988). Focus Group as qualitative research. Newbury park, CA:Sage

Pardal, L. & Correia, E. (1995). Métodos e Técnicas de Investigação Social. Areal Editores.

Quivy, R.& Campenhoudt, L. (1992). Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva. Schensul, J. (2008) "Methods." The Sage Encyclopedia of Qualitative Research Methods. SAGE Publications. [online] em http://www.sage-ereference.com/research/Article_n268.html (consultado a 1 de Abril de 2010)

Simões, A. (2006). Como Realizar uma Entrevista. [online] http://www.prof2000.pt/users/folhalcino/ideias/comunica/entrevista.htm (consultado em 30 de Março de 2010)

Tuckman, B. W. (2000). Manual de Investigação em Educação. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian