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introdução
A Educação é um processo que está relacionado com o indivíduo e que se traduz por um contínuo relacionamento, por um enriquecimento mútuo, por uma interacção cultural e social, e pela formação da personalidade (que começa na família e se prolonga na escola e tem continuidade ao longo da vida). Sendo a chave da autonomia pessoal, a Educação ocupa um lugar fundamental na promoção da condição humana, de modo que tudo o que a rodeia deve ter características que indiquem a existência de uma consciência social e de apego à construção de uma Cultura participativa.
Esta está fortemente assente na criação e partilha de informação, onde cada um acredita na relevância do seu contributo, havendo um sentimento de ligação entre todos os elementos do grupo/comunidade. Neste contexto, a realização pessoal deve ser acompanhada também pelo fortalecimento da autonomia individual, associada a questões de cidadania, ao desenvolvimento de competências valorizadas no mundo do trabalho, contribuindo para a sustentabilidade, o desenvolvimento económico e a criação de riqueza.
Neste sentido e atendendo à Carta da Terra das Nações Unidas (UNESCO, 2000) ”O desenvolvimento sustentável não é um estado de harmonia fixo, mas antes um processo de mudança em que a exploração de recursos, a orientação dos investimentos e desenvolvimento tecnológico além das transformações institucionais têm de dar resposta às necessidades tanto futuras como presentes”. Torna-se assim incontornável arranjar soluções criativas sustentáveis, constituindo-se a Educação para o desenvolvimento sustentável (EDS) um desafio para o ensino que pressupõe abordagens, não só centradas na transdisciplinaridade, mas também flexíveis em termos de currículo.
Segundo as directrizes emitidas pela Organização Internacional para o Desenvolvimento Sustentável "Earth Charter International" através do documento "Um Guia para Usar a Carta da Terra na Educação, (2009)", para desenvolver programas, actividades e materiais educacionais da Carta da Terra, deve ser utilizada uma visão integrada, interdisciplinar e holística, proporcionar oportunidades para aprendizagens na prática, utilizar estratégias de ensino e aprendizagem flexíveis e contextualizadas e promover redes sociais e profissionais entre alunos e professores através de uma interacção e relacionamento que desenvolvam conhecimento bem como suporte profissional. Contudo, as estratégias de EDS adoptadas em contexto de ensino e aprendizagem são caracterizadas por um cariz pontual e disciplinar, não se observando abordagens transdisciplinares. Segundo as orientações do Ministério da Educação, através da publicação "Guião de Educação para a Sustentabilidade — Carta da Terra" (2006), são sugeridas actividades relacionadas com a Carta da Terra, de curta duração e limitadas em termos dos agentes envolvidos.
A Transdisciplinaridade nos processos de ensino e de aprendizagem reside em níveis hierárquicos diferentes e em estratégias de resolução de problemas segundo um paradigma sistémico e holístico do conhecimento. Possibilita-se assim a construção de saberes num ambiente aberto ao diálogo e com respeito pelas diferenças. As estratégias transdisciplinares desenvolvem uma visão sobre o conhecimento e experiências de aprendizagem, motivadoras de uma Concepção holística do conhecimento e só serão profícuas mediante o trabalho colaborativo de todos os agentes desta comunidade educativa num clima de cultura participativa. Uma forma holística de pensar procura acompanhar e integrar diferentes níveis de significância e experiência, em vez de definir as possibilidades humanas de uma forma redutora. A aprendizagem é apresentada como um processo aberto e os seus resultados serão os agentes de mudança.
O Trabalho colaborativo pode potenciar a produtividade dos agentes envolvidos, a melhoria quantitativa e qualitativa das suas interacções, a exposição, a reflexão crítica dos contributos individuais, a motivação e o reconhecimento dos contributos individuais na construção do colectivo. Assim, o trabalho colaborativo fomenta uma interacção dinâmica e colaborativa de múltiplos saberes e processos cognitivos e estimula a participação de todos os elementos do grupo/comunidade (Roldão, 2007).
Com a proposta de intervenção farmschool 2.0 pretende-se fomentar uma Concepção Holística do Conhecimento nos elementos da comunidade educativa da Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Vagos (EPADRV), através de processos de ensino e aprendizagem com abordagens centradas na Transdisciplinaridade. Para tal será desenvolvido um projecto para a dinamização da exploração agrícola integrada na EPADRV - a Quinta Pedagógica, composto por múltiplas actividades focadas no tema da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) onde se promoverá o Trabalho colaborativo e a Cultura participativa. Este projecto abarcará igualmente a comunidade local no sentido de a aproximar da comunidade educativa da EPADRV. Pretende-se, pois, diluir barreiras entre os vários espaços de aprendizagem na Escola e entre a Escola e o meio envolvente, gerando-se sinergias com vista à promoção de alterações de comportamentos na forma como se ensina, se aprende e se empreende na comunidade local da EPADRV.
Como projectos pesquisados no âmbito do desenvolvimento da nossa proposta de intervenção, podemos referir a Decatur Farm to School, Georgia que tem por objectivo interligar os programas das escolas com as fazendas locais, incluindo hortas de produtos comestíveis, mantidas pelos alunos, professores, pais, funcionários da escola e membros da comunidade local fazendo parte integrante do currículo escolar; a Quinta pedagógica dos Olivais que é um projecto que se enquadrada nos moldes da educação não formal, e integra as componentes pedagógica e lúdico-recreativo, incluindo a participação nas actividades diárias e próprias de uma quinta ou a Quinta Pedagógica de Braga que pretende alertar para a importância da educação ambiental, proporcionar a descoberta da ligação do homem à natureza e do conhecimento das tradições do Minho.
Com vista a um melhor enquadramento teórico e correspondente fundamentação crítica do problema diagnosticado e das soluções propostas, foram criadas as seguintes páginas: Concepção holística do conhecimento, Transdisciplinaridade, Trabalho colaborativo, Cultura participativa e Educação para o desenvolvimento sustentável.
De igual modo, para uma melhor contextualização da instituição alvo da proposta de intervenção, foi criada a página EPADRV onde se elencam algumas características da mesma, tais como os contactos, a localização, os cursos ministrados e o projecto educativo da escola (PEE).
situação problema: diagnóstico e formulação
O diagnóstico da situação problema na EPADRV, foi efectuado de acordo com três dimensões, que em seguida se explanam.
O ensino - Uma ausência de abordagens, nos processos de ensino e de aprendizagem, centradas na Transdisciplinaridade
Sendo que a essência da transdisciplinaridade reside na coordenação entre níveis hierárquicos distintos, assentes numa abordagem sistémica, considera-se que um processo transdisciplinar de ensino e de aprendizagem se deva focalizar em estratégias de resolução de problemas, segundo um paradigma sistémico e holístico do conhecimento, bem como pelo incentivo do trabalho colaborativo e de uma cultura participativa entre os agentes intervenientes nesse processo (Max-Neef, 2005).
Na EPADRV, bem como em muitas instituições de ensino nacionais, estas práticas não são ainda desenvolvidas, quer pela falta de estabilidade do quadro docente (com uma larga percentagem de professores contratados), o que se traduz em dificuldades acrescidas em empreender e sustentar projectos de longa duração, quer pela dificuldade em se estabelecerem práticas colaborativas entre docentes (habituados a trabalhar isolados). Contudo, o reconhecimento por parte da instituição desta fraqueza, aliado ao facto do corpo docente se encontrar receptivo para o desenvolvimento de todas as actividades propostas pelos orgãos de gestão da escola, levam-nos a crer na pertinência e aceitação de uma proposta de intervenção a este nível.
A aprendizagem - Uma reduzida Concepção holística do conhecimento por parte dos elementos da comunidade educativa da EPADRV
O conceito holístico refere-se à ideia de que as propriedades de um sistema num dado campo de estudo não podem ser determinadas ou explicadas pela soma das suas partes. Pelo contrário, o sistema como um todo determina como as partes se comportam. Um forma holística de pensar, procura acompanhar e integrar múltiplos níveis de significância e experiência, em vez de definir as possibilidades humanas de forma simplista e redutora (Niyom, 2007)
O facto dos cursos ministrados na EPADRV terem uma componente técnica e especializada, dominante nos seus planos curriculares, dificulta o desenvolvimento duma concepção holística do conhecimento. Resulta assim numa visão compartimentada e redutora dos saberes adquiridos pelos alunos, desmotivante para a sua aprendizagem.
No entanto, o facto de nesta Escola serem utilizadas estratégias interventivas, onde os alunos com maiores dificuldades de integração são chamados a participar na planificação e desenvolvimento de actividades complementares (para desenvolver a sua auto-estima e a motivação para a aprendizagem), permite-nos verificar uma abertura da comunidade educativa da EPADRV, para o delinear de estratégias holísticas onde se vise não só diminuir a compartimentação dos saberes como envolver os alunos no processo de construção dos seus próprios conhecimentos.
A tecnologia - Uma ausência ou uma fraca utilização de tecnologias, ferramentas e serviços, que promovam e suportem o Trabalho colaborativo e uma Cultura participativa
As aprendizagens colaborativas são hoje um reflexo da sociedade em que vivemos, também ela cada vez mais colaborativa e em rede, É assim pertinente adoptar nas Escolas, uma nova forma de trabalho colaborativo ,em equipas heterogéneas e multidisciplinares, que favoreçam o envolvimento de todos e o reconhecimento dos contributos individuais na construção do colectivo (Roldão, 2007).
Uma cultura participativa possibilita a criação de espaços de aprendizagem, com um forte envolvimento dos pares e que compreende: uma mudança de atitude, uma diversificação da expressão cultural, um desenvolvimento de competências valorizadas no actual mundo do trabalho e o fortalecimento da cidadania (Jenkins, 2006).
Na EPADRV, através da análise de documentos de gestão como o PEE (Projecto Educativo de Escola) e o PAA (Plano Anual de Actividades) é dado ainda pouco enfoque a conceitos como a inclusão digital, o trabalho colaborativo e a cultura participativa, não se fazendo também uma utilização eficiente das tecnologias de que dispõem neste âmbito (por exemplo o blogue da escola é utilizado apenas na divulgação pontual de actividades e não como instrumento de participação para troca de ideias, etc.). Como consequência da ainda incipiente inclusão digital, os alunos manifestam dificuldades em realizar, por iniciativa própria e com autonomia, tarefas relacionadas com a pesquisa, o tratamento e a produção de informação, usando as TIC.
Contudo, a aposta na área da formação de docentes, nomeadamente em TIC, constitui uma oportunidade para que se venham a adoptar estratégias assentes na tecnologia, que incentivem o trabalho colaborativo e a cultura participativa. A evidenciada falta de protagonismo na vida escolar dos pais/encarregados de educação poderá também vir a ser colmatada com uma maior utilização de ferramentas e serviços tecológicos que facilitem a sua participação. Algo que promova a aproximação das famílias à escola.
A partir do diagnóstico efectuado, formulou-se a situação problema na EPADRV que será alvo da presente proposta de intervenção.
Uma reduzida Concepção holística do conhecimento nos elementos da comunidade educativa da EPADRV, fruto da ausência nos processos de ensino e aprendizagem de abordagens centradas na Transdisciplinaridade.
o contexto da intervenção
A presente proposta de intervenção é dirigida a toda a comunidade educativa da Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Vagos (EPADRV) e à sua relação com o meio envolvente.
caracterização geral
A Escola Profissional de Agricultura de Vagos (EPAV), fundada em Setembro de 1989, pelo Ministério da Educação e três entidades promotoras (Câmara Municipal de Vagos, Cooperativa Agrícola de Vagos CRL e Escola Secundária de Vagos), surgiu das solicitações de um concelho predominantemente agrícola, como mais-valia no seu desenvolvimento sócio-cultural e económico. No ano 2000 transformou-se em escola pública, e passou a denominar-se Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Vagos (EPADRV). Com a perda da predominância agrícola concelhia, a Escola alargou e diversificou a sua oferta formativa. Os Programas de Qualificação de Activos e não Activos, como o Centro de Novas Oportunidades, Cursos de Educação e Formação de Adultos, de formações modulares certificadas, tornam-na numa escola interventiva, acompanhando as emergentes potencialidades de desenvolvimento da região.
Ao longo dos anos a EPADRV tem vindo a assistir a um aumento progressivo do número de alunos: em 1990/91 contava com 30 jovens e actualmente conta com 330 alunos. No presente ano lectivo a Escola tem 51 professores, cuja maioria possui o grau de licenciatura e está em regime de contrato.
As instalações caracterizam-se por possuírem diversos pólos dispersos e espaços específicos para responderem às necessidades de uma Escola Agrícola, como seja o Pólo de Bovinos Leiteiros onde é feito o aperfeiçoamento genético e cujos animais têm participado em vários concursos nacionais e internacionais e conquistado vários prémios. A disciplina de Educação Física recorre esporadicamente ao Pavilhão Desportivo de Vagos e a componente prática do Curso de Restauração é desenvolvida num espaço hoteleiro. No total, possui 15 salas de aulas, entre as quais duas de informática, que dispõem de mobiliário recente, quadros negros e três interactivos e aquecimento central. O bloco das salas é dotado de ponto de acesso à Internet sem fios. Cada sala de aulas tem um videoprojector e um computador com acesso à Internet e ao sistema de gestão pedagógica. As salas de professores estão apetrechadas com computadores, impressoras, telefone e mesas de trabalho. A escola possui um auditório com capacidade para 150 lugares sentados e equipado com vídeoprojector e tela de projecção, sistema de som, ar condicionado e instrumentos musicais. Possui ainda, um programa informático - ESGE - para gestão pedagógica (sumários, faltas, avaliações e subsídios).
[a partir de: Apresentação e Salas de Aula]
análise swot
Da análise crítica de documentos de caracterização e gestão produzidos pela EPADRV, tais como: "Apresentação da Escola 2009/2010", "Projecto educativo 2008/2011" e "Plano Anual de Actividades 2009/2010", e com vista a uma melhor sistematização da realidade da comunidade educativa sobre a qual vamos propor a nossa intervenção, apresentamos de seguida uma análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats) evidenciando assim as suas forças, fraquezas, oportunidades e ameaças. Esta análise permitiu-nos diagnosticar a situação problema formulada anteriormente, assim como apontar pistas para o delinear da estratégia de intervenção a propor à comunidade da EPADRV, para a sua resolução.
FORÇAS
Ao nível do enquadramento pedagógico, podemos referir como forças equipas pedagógicas, Directores de Turma e órgão de gestão, atentos e com estratégias de recuperação, com vista a uma maior implicação do aluno e do Encarregado de Educação, nos processos de avaliação e disponibilização de apoios a nível pessoal e social. Este apoio é partilhado também pelos Órgãos de Gestão, pelo que o Conselho Executivo reúne mensalmente com os delegados de turma para debater problemas e questões inerentes ao processo de ensino e aprendizagem derivando daí estratégias interventivas, onde por exemplo, os alunos com maior dificuldade de integração são chamados a participar na planificação e desenvolvimento de actividades complementares, desenvolvendo a auto-estima e a motivação para a aprendizagem.
Grande parte do corpo docente é constituído por professores contratados, o que dadas as características técnicas e especializadas do currículo dos cursos ministrados nesta Escola, permite aos seus órgãos de gestão um maior controlo e uma adequada selecção da equipa pedagógica. Esta revela-se normalmente disponível para o desenvolvimento de todas as actividades.
A diversidade linguística, cultural e étnica dos alunos existindo, para além dos residentes nas proximidades da EPADRV, alunos provenientes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), de etnia cigana e alunos de outras zonas do país onde a prática agrícola é relevante economicamente, trazendo consigo muitas marcas da sua especificidade cultural e enriquecendo por isso esta comunidade educativa. Dado o afastamento das residências de muitos dos alunos da EPADRV, muitos deles carenciados a nível socioeconómico, existe uma Residência para os mesmos, com um espaço de convívio e sala de estudo.
A pequena dimensão física da Escola e a forte incidência nas componentes prática e técnica, constituem também forças desta comunidade educativa, ao proporcionar um relacionamento pessoal gerador de sucesso educativo.
FRAQUEZAS
A dispersão dos espaços escolares constitui uma fraqueza da EPADRV, pelo que obriga à contratação de um maior número de funcionários bem como a uma complexa formulação dos horários para permitir a circulação dos alunos. Este factor, aliado à falta de espaços de abrigo e à permanência da população discente, coloca-os diariamente em algum desconforto.
A Escola enfrenta alguns problemas de assiduidade, principalmente nos Cursos de Educação e Formação, justificados em grande parte pelo facto de cerca de um terço dos alunos serem carenciados e englobados no primeiro escalão de apoios sócio-educativos e de um número significativo de alunos serem provenientes de encaminhamentos da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ), de várias instituições particulares de solidariedade social (IPSS). Considerando as fragilidades presentes relativamente aos discentes, a EPADRV apresenta como fraqueza não ter uma assistente social nem um Serviço de Psicologia e Orientação (SPO) a tempo inteiro.
O facto de a maioria do corpo docente ser constituído por professores contratados, identificado no ponto anterior como uma força, constitui também uma fraqueza na EPADRV, pela falta de estabilidade do quadro docente e como tal na maior dificuldade em empreender projectos de longa duração e no estabelecer e sustentar de práticas colaborativas entre esses docentes. Foi também identificado que a generalidade dos docentes não conhece as competências da Assembleia de Escola e algumas das competências do Conselho Pedagógico, fruto da sua curta permanência na Escola.
Constitui ainda uma fraqueza desta comunidade educativa a falta de protagonismo e participação na vida escolar dos pais/encarregados de educação.
OPORTUNIDADES
Identificamos como oportunidades a interligação com o tecido económico local através dos estágios que se desenvolvem na área da restauração e de turismo ambiental e rural. A estreita relação com as Câmaras Municipais envolventes são também uma oportunidade, nomeadamente pela identificação estratégica e planeamento de novas áreas de formação, para dinamização do tecido económico local, e que permitam um nível de empregabilidade satisfatório. O apoio à inserção profissional tem, de resto, sido uma acção concertada, com vários parceiros locais.
A aposta na área da formação de docentes, nomeadamente em Tecnologias de Informação e Comunicação, é também uma oportunidade na comunidade educativa da EPADRV, para permitir a consecução de práticas de trabalho colaborativo e de fomentação de uma cultura participativa. Neste âmbito consideramos ainda o Blogue da Escola uma oportunidade a dinamizar. A existência também de dossiers disciplinares onde são arquivados os materiais didácticos produzidos pelos professores, sendo alguns deles realizados em grupo e/ou partilhados, poderá ser um ponto de partida para o trabalho colaborativo entre professores.
O Projecto Educativo desta Escola apresenta como oportunidades o enfoque que dá aos conceitos de Educação para a Cidadania e de Escola Inclusiva, se tal se traduzir em estratégias e actividades devidamente planeadas e calendarizadas no Plano Anual de Actividades (PAA).
O reconhecimento por parte dos Orgãos de Gestão da EPADRV da necessidade de reforçar o Quadro de Escola, sobretudo na área sociocultural e na disciplina de Matemática, para existir uma maior estabilidade que permita dar continuidade a projectos com abrangência superior a um ano, poderá constituir uma oportunidade.
AMEAÇAS
Identifica-se como ameaça o facto de a maioria dos Pais/Encarregados de Educação não ter concluído a actual escolaridade obrigatória (9.º Ano), estando alguns deles desempregados e/ou compensando o seu rendimento com a prática da agricultura ou pesca de subsistência.
Embora o financiamento da Escola se tenha demonstrado ajustado, com alguma capacidade para libertar meios financeiros resultantes das diversas valências de exploração de actividades geradoras de riqueza, nomeadamente as resultantes da sua condição de Escola Agrícola e também da sua ligação à formação profissional e consequentemente ao Fundo Social Europeu, recentemente e face ao exponencial crescimento da Escola, os meios libertos gerados através das receitas próprias têm evidenciado alguma exiguidade.
Constitui também uma ameaça o facto de no PEE ser dado pouco enfoque a conceitos como inclusão digital, cultura participativa, trabalho colaborativo ou transdisciplinaridade. As dificuldades em realizar, por iniciativa própria e com autonomia, tarefas relacionadas com pesquisa, tratamento e produção de informação (usando as TIC), manifestadas pelos discentes, bem como a pouca valorização que atribuem às actividades de complemento curricular reforçam esta ameaça.
contexto específico da intervenção
Pretende-se desenvolver um projecto que abarque toda a comunidade educativa da EPADRV: os alunos de todos os cursos ministrados pela escola; os respectivos professores e encarregados de educação; e os funcionários da escola, bem como a comunidade local (a envolvente da escola).
Um projecto que se alicerce nos seguintes pressupostos:
Os cursos ministrados na EPADRV, tendo uma componente técnica e especializada, dominante no seu currículo, carecem no nosso ponto de vista, de espaços onde se desenvolvam aprendizagens de cariz holístico (numa perspectiva intra e extra escola);
Se pretendemos incentivar uma aprendizagem holística, considerando o aluno como um ser humano, em todas as suas dimensões, devemos envolver pelo menos os seus encarregados de educação neste projecto;
As estratégias transdisciplinares, indutoras de uma Concepção holística do conhecimento, só serão profícuas mediante o Trabalho colaborativo de todos os agentes destas comunidades (educativa e local), num clima de Cultura participativa.
objectivos, prioridades e impactes
OBJECTIVOS
Com a presente proposta de intervenção pretende-se desenvolver um projecto que promova uma Concepção holística do conhecimento na comunidade educativa da EPADRV (comunidade escolar e meio local) através:
- do desenvolvimento numa abordagem centrada na Transdisciplinaridade de actividades subordinadas ao tema - Educação para o desenvolvimento sustentável;
- da promoção do Trabalho colaborativo e duma Cultura participativa entre os elementos dessa comunidade.
Importa referir que o Desenvolvimento Sustentável requer, por definição, uma abordagem sistémica entre as várias áreas de conhecimento e, como tal, a referida Educação para o desenvolvimento sustentável (EDS) será tão mais profícua, quanto maior a percepção holística e de transdisciplinaridade, que os elementos da comunidade tenham do conhecimento que constroem.
PRIORIDADES
A aquisição contínua de conhecimentos e competências é essencial para uma participação activa na sociedade (e na vida profissional). Para isso é necessário que sejam proporcionados meios, ferramentas e mecanismos que possam ser utilizados ao longo da vida.
Através da nossa proposta, para além de se desenvolverem as competências técnicas que abrangem conhecimentos adquiridos nas várias áreas científicas, desenvolve-se a comunicação oral e escrita, o trabalho em grupo e a recolha e análise de informação, através da discussão, partilha e colaboração.
Neste contexto, definiram-se como prioridades:
O envolvimento e responsabilização dos alunos e demais elementos da comunidade educativa, nos processos de ensino e aprendizagem levados a cabo;
O desenvolvimento duma abordagem de transdisciplinaridade nas actividades desses processos;
A diversificação das metodologias usadas nesses processos, através da introdução de tecnologias relacionadas com pesquisa, tratamento e produção de informação;
A dinamização junto da comunidade educativa, do uso das plataformas, ferramentas e serviços baseados na web (alguns já adoptados pela escola, como por exemplo o blogue);
O fomento da partilha de conhecimento (e de aprendizagens) entre todos os elementos da comunidade educativa e local.
IMPACTES ESPERADOS
No que concerne aos impactes esperados, estes foram sistematizados em duas dimensões:
Nas comunidades educativa e local:
Envolver os encarregados de educação (e famílias) nas actividades escolares e de aprendizagem;
Desenvolver as competências necessárias para o desempenho de uma actividade profissional, favorecendo a integração de técnicos no mercado de trabalho;
Proporcionar formação profissional aos jovens, que lhes permita ser co-responsáveis no relançamento económico da região e garantir a sua estabilidade socioeconómica;
Dinamizar o tecido económico local (e tradicional);
Envolver a comunidade local (agricultores, comerciantes, empresas e associações) nas actividades da comunidade educativa da escola, mudando mutuamente mentalidades na comunidade local e educativa, para a criação de soluções sustentáveis, novas formas de negócio (de que o eco-turismo pode ser exemplo) e ofertas de formação e aprendizagem ao longo da vida;
Sensibilizar para as questões ambientais, através do desenvolvimento de atitudes de protecção do meio ambiente e/ou de manutenção do equilíbrio dos ecossistemas naturais.
Na organização do processo educativo:
Dinamizar o trabalho colaborativo entre professores/professores, professores/alunos e alunos/alunos;
Aumentar a reflexão e a partilha de conhecimento, estimulando acções e abordagens transdisciplinares;
Consolidar e desenvolver a utilização das TIC no suporte ao trabalho colaborativo e à cultura participativa;
Fomentar a autonomia dos indivíduos nos processos de ensino e aprendizagem.
A existência de uma exploração agrícola integrada numa escola de índole agrária, constitui um factor de primordial importância, para a concretização dos objectivos, prioridades e impactes referidos. Nesse sentido merecem igual destaque as metas preconizadas pelo Projecto Educativo da EPADRV, que consubstanciam alinhamentos fundamentais entre a presente proposta e o referido projecto educativo, potenciando uma aceitação institucional da mudança, fundamental para a exequibilidade e sustentabilidade do projecto proposto.
proposta de intervenção
metodologia
O desenvolvimento do projecto proposto, passará pela dinamização da exploração agrícola integrada na EPADRV - a Quinta Pedagógica, em 3 vertentes distintas:
- a Exploração Agrícola;
- a Comercialização de Produtos;
- o Restaurante Biológico.
Nessa dinamização serão incluídas:
- estratégias para os processos de ensino e aprendizagem, baseadas na resolução de problemas, por equipas multidisciplinares (englobando elementos das comunidades educativa e local), com vista à criação de soluções criativas e sustentáveis;
- actividades de reflexão que promovam uma execução consciente do projecto e eventuais reajustes;
- actividades de trabalho colaborativo fomentado/agilizado por plataformas, serviços e ferramentas baseados na Web.
plano de acção
A estratégia subjacente ao projecto é a ampliação e beneficiação da quinta pedagógica, com novas valências, aberta ao exterior, de modo a que seja sustentável do ponto de vista económico, ambiental e social.
De modo a fomentar uma concepção holística do conhecimento na comunidade educativa da EPADRV através de uma abordagem centrada na transdisciplinaridade, iremos definir um conjunto de metodologias de trabalho focalizadas na Educação para o Desenvolvimento Sustentável. Desse modo, pretendemos promover uma dinamização sustentável da sua quinta pedagógica, com o contributo de todos os cursos ministrados na instituição, tirando partido das várias áreas de saber e das instalações existentes.
Tendo por base um tema suficientemente abrangente de forma a orientar todas as actividades durante três anos, os participantes desse projecto serão os professores, os alunos e toda a comunidade envolvente da Escola. Será dado no entanto, um especial ênfase aos alunos, que serão os principais intervenientes e impulsionadores do projecto.
No decorrer do processo de definição das actividades e partilha de ideias, deverão ser constituídos grupos de trabalho compostos inicialmente por alunos, atendendo-se na sua formação às áreas de intervenção e/ou tarefas a realizar.
A coordenação do projecto será efectuada por uma equipa constituída pelo Director da escola e três professores coordenadores de cada um dos sectores (Exploração Agrícola, Comercialização de Produtos e Restaurante Biológico), com a função de promoção das actividades a desenvolver. O principal papel de cada coordenador consistirá na orientação do processo de gestão dos grupos e do trabalho aí desenvolvido.
Como tema para o projecto propõe-se: “grow local, buy local, cook local”.
Neste contexto, com a finalidade de estender as actividades lectivas à comunidade local e potenciar aos alunos um contacto com o mundo real, no âmbito da educação para o desenvolvimento sustentável, sugere-se o desenvolvimento de algumas actividades relacionadas com:
- [grow local] Acompanhamento e dinamização de uma exploração agrícola, com uma área destinada à agricultura biológica e outra à produção animal ecologicamente correcta;
- [buy local] Desenvolvimento de parcerias com empresas/comércio local e disponibilização de acesso a instalações e equipamento da escola;
- [cook local] Promoção de um espaço de Restauração (com cozinha biológica e ementas sazonais).
Estas actividades serão realizadas dentro e fora do âmbito das aulas, atendendo à sua especificidade e aos aspectos a monitorizar.
Propõe-se a criação de um espaço online para a publicação e divulgação de informação do projecto, a promoção das actividades, a partilha e reflexão de ideias/práticas e a promoção do trabalho colaborativo. Neste âmbito propõe-se a reestruturação do actual blogue da escola e das demais plataformas, ferramentas e serviços (baseados na Web) utilizados.
A avaliação deste projecto será efectuada em grupo e com base num relatório final e eventuais protótipos desenvolvidos, sem descurar a avaliação contínua decorrente nas actividades integradas no âmbito das diversas disciplinas. Pretende-se assim abranger vários propósitos, nomeadamente verificar a compreensão global e integrada do projecto desenvolvido, a melhoria dos processos de ensino e aprendizagem, a reflexão sobre o trabalho desenvolvido e o envolvimento de alunos, professores e restante comunidade.
Com a proposta de projecto apresentada procura-se, não só aumentar a ligação da escola ao meio exterior, mas também melhorar a preparação dos alunos para o mercado do trabalho. Assim, esta proposta visa aumentar a motivação, autonomia, iniciativa, criatividade dos alunos melhorando os seus resultados e promovendo a Transdisciplinaridade na EPADRV.
recursos humanos
No desenvolvimento do projecto pretende-se uma diluição da escola pela comunidade local de modo a tornar a intervenção o mais significativa possível quer aos olhos dos alunos quer da própria comunidade. Ou seja, pretende-se a criação de relações de tal modo simbióticas entre escola e meio envolvente que, para além das aprendizagens a realizar pelos alunos, o projecto resulte num produto real, eficiente e rentável para a comunidade local.
Assim, objectiva-se um alargamento do espaço/ambiente de aprendizagem que ultrapasse os "muros" da Escola, que permita aos alunos aplicarem no terreno, em ambientes controlados, os conhecimentos que forem construindo. Pretende-se também que a Escola integre as mais-valias das sinergias geradas através deste projecto entre comunidade educativa e comunidade local, pelas soluções que decida implementar, apoiadas por técnicos locais.
Este alargamento implica uma construção de relações da escola com a comunidade local, no sentido de esta se encontrar receptiva às iniciativas do projecto. Essas relações, cruciais para atingir os objectivos propostos, são uma mais valia na medida em que permitem aos alunos o contacto com pessoas e situações já no terreno/mercado de trabalho que o enquadram, de forma holística, no problema levantado.
Neste sentido, torna-se necessária a criação de equipas de coordenação que dêem resposta à interacção entre as diferentes actividades:
Coordenação Geral da Quinta Pedagógica
A constituição da equipa de coordenação geral tem obrigatoriamente de ser multidisciplinar no sentido de assegurar três áreas fundamentais: económica; ambiental e social. Dela fazem parte os coordenadores dos 3 sectores:
- Exploração Agrícola [grow local]
- Comercialização de Produtos [buy local]
- Restaurante Biológico [cook local]
Nas equipas de coordenação dos 3 sectores, para além de alunos e professores, é fundamental a integração de representantes locais, de preferência técnicos experientes nas áreas em questão. Estes profissionais, para além de colaborarem na coordenação, ajudam a estabelecer a ponte entre a escola e entidades do meio envolvente, no sentido de se estabelecerem protocolos de cooperação e colaboração. Neste âmbito os Encarregados de Educação, também profissionais de várias áreas, poderão ser chamados à coordenação dos grupos de trabalho, enquanto representantes locais.
Paralelamente ao processo de desenvolvimento da Quinta Pedagógica os alunos deverão ter oportunidade de estagiar nessas entidades de modo a construir conhecimento que depois de analisado e reflectido poderá ser aplicado na Quinta.
recursos tecnológicos
Utilização das plataformas, ferramentas e serviços já existentes na escola para a monitorização e acompanhamento do projecto nas 3 áreas (social, ambiental e económico). Com balanços mensais das actividades realizadas e dos progressos conseguidos, bem como de eventuais/necessários ajustes ao projecto.
Assim as plataformas, ferramentas e serviços constituirão um espaço de:
- Troca de informações entre os diferentes sectores que concorrem para a execução do projecto;
- Divulgação e dinamização dos 3 sectores;
- Partilha e reflexão de ideias/práticas nos diferentes sectores;
- Balanço das actividades: momentos de reflexão crítica sobre o seu desenvolvimento;
- Reajustes, sempre que necessários, ao projecto.
Nestas plataformas, ferramentas e serviços existentes na escola, incluem-se:
- Plataforma Kall (Learning Management System)
- Google Docs (espaço privilegiado para o trabalho colaborativo)
- Plataforma GATO - Gestor de Actividades TIC na Educação
- Blogue da escola
Os professores e alunos serão apoiados na sua formação (staff development) de utilização das tecnologias de maneira reflectida e adaptada às suas necessidades, pelos professores e técnicos de Informática da Escola, de modo a estimular e consolidar atitudes e metodologias de trabalho colaborativo ao nível docente e discente, desenvolvendo novas competências e partilhando recursos e boas práticas.
compromissos
Uma vez explícita a importância da troca de experiências entre alunos/professores e a comunidade local, é fundamental estabelecer protocolos comprometendo entidades do meio envolvente a acolher alunos no sentido de os integrar no funcionamento do sector em causa, informação essa a analisar, reflectir e integrar (ou não) no projecto. Assim, para que o projecto consiga teoricamente derrubar os "muros" da escola, é necessário desenvolver actividades nesse sentido:
- Chamar à escola técnicos locais que apoiem o projecto a nível de conhecimentos específicos nos três sectores;
- Integrar em estágios nas entidades do meio envolvente, alunos que através dessas vivências tragam à escola novas formas de olhar para os problemas;
- Interagir com escolas de outros níveis de ensino através de visitas guiadas à quinta pedagógica;
- Divulgação do restaurante biológico e sua abertura à comunidade envolvente.
Sendo a EPADRV uma instituição de natureza pública, sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, financeira e pedagógica é fundamental ter o apoio do conselho executivo, conselho administrativo da escola e associação de pais e encarregados de educação. Também os parceiros da escola desempenham um papel fundamental e vital para esta iniciativa, assim como todos os trabalhadores voluntários que queiram participar nas diversas actividades.
No entanto, para garantir a avaliação e qualidade do projecto este deveria ter a certificação da Associação Portuguesa de Escolas Profissionais Agrícolas (APEPA), Associação dos Jovens Agricultores, Associação Portuguesa de Agricultura Biológica e Associação Nacional de Melhoramento dos Bovinos Leiteiros
plano de actividades
Início do projecto: Setembro de 2010
Concepção Setembro a Dezembro de 2010
- Definição dos grupos de trabalho pelos coordenadores para cada um dos 3 sectores (atendendo às valências dos diferentes cursos no projecto)
- Planeamento das actividades a desenvolver
- Estabelecimento de contactos com entidades do meio envolvente
- Criação da plataforma de trabalho colaborativo
Execução
- Exploração Agrícola - a partir de Janeiro de 2011
- Comercialização de produtos - a partir de Janeiro de 2011; (Março de 2011: 80% dos produtos comercializados serão produzidos na quinta)
- Restaurante Biológico - a partir de Janeiro de 2011
processos e modalidades
de implementação do projecto
Sendo a Escola uma instituição de natureza pública, sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, financeira e pedagógica, que adopta um modelo de ensino alternativo ao sistema do ensino regular, a gestão de recursos financeiros assegura as condições necessárias à realização das actividades educativas relacionadas com o projecto. No entanto, prevê-se que o projecto venha a ter sustentabilidade económica, através de receitas próprias e angariação de fundos. Assim, a implementação deste projecto deverá, numa fase anterior e simultânea à de concepção do mesmo, acautelar os seguintes aspectos formais:
- Complementarmente à análise SWOT delineada, de alinhamento estratégico da proposta com a realidade da EPADRV, e atendendo à actual redução de recursos financeiros disponíveis na escola, deverão ser desenvolvidos estudos de viabilidade financeira para o projecto Farmschool 2.0.
Os estudos financeiros deverão prever a expansão da quinta e das novas valências, incidindo sobre as actividades económicas que necessitam de maior infraestruturação e investimento, em vários cenários possíveis. Por exemplo. para o restaurante biológico dever-se-ão ter os cálculos dos custos de construção de um restaurante novo, da alteração da cantina ou apenas a alteração/introdução de um prato na mesma.
Nesses estudos de viabilidade terão obviamente que ser contemplados todos os custos e tempos necessários para que sejam respeitados os requisitos legais de funcionamento das instalações de produção e comercialização, abertas ao exterior, nomeadamente perante instituições como a ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica).
Deverá ser prevista a sustentabilidade do ponto de vista energético da quinta, identificado-se as infra-estruturas da quinta que poderão ser potenciadas a esse nível, bem como qual o impacte em termos de consumo energético que as novas valências implicarão.
- Deverá também ser requerida a aceitação do Ministério da Educação para a implementação destas actividades de índole económica, sendo actualmente a EPADRV uma escola pública.
- Será ainda essencial, durante a concepção do projecto, identificar estrategicamente novas fontes de riqueza, para garantir viabilidade financeira que suporte melhoramentos a realizar e a própria sustentabilidade económica do projecto. Uma das ideias que lançamos será o alicerçar de novas actividades relacionadas com o eco-turismo, permitindo aumentar as valências da escola (tirando partido de cursos já aí ministrados) e da própria comunidade, abrindo novas oportunidades profissionais aos lavradores locais, através da venda de produtos na quinta, programas para visitantes, aulas de equitação, aluguer de espaços, instalações e equipamentos.
- Consideramos ainda pertinente o recurso a diversos subsídios de entidades ou associações que incluem financiamentos a projectos escolares em explorações agrícolas, como a Câmara Municipal de Vagos, o Europe Direct Beira Litoral (EDBL), o Núcleo Empresarial de Vagos (NEVA), a Associação Boa Hora, IPSS, Associação Nacional de Melhoramento dos Bovinos Leiteiros, o Cais do Moliço – Actividades Hoteleiros, S.A., entre outras.
de acompanhamento
O acompanhamento de todo o projecto será realizado sob a monitorização da Coordenação geral, sendo cada interveniente no processo responsável por a qualquer momento realizar os ajustes necessários à medida que as situações assim o obriguem. Mensalmente será realizado um balanço nos 3 sectores a ser discutido e reflectido por todos os intervenientes no processo (através da plataforma) na medida de garantir a sustentabilidade do projecto a 3 níveis: económico, ambiental e social.
- Semanalmente, cada equipa coordenadora de cada área (ambiental, económica e social) e de cada sector (grow local, cook local e buy local) reúne individualmente com a sua equipa alargada (alunos, funcionários e Encarregados de Educação), para distribuir tarefas e partilhar opiniões.
- Quinzenalmente, as equipas coordenadoras das áreas ambiental, económica e social reúnem por sector (grow local, cook local e buy local), para efectuar o balanço do processo e avaliar a necessidade de desenvolver novas actividades.
- Mensalmente as equipas coordenadoras de cada área (ambiental, económica e social) reúnem entre si, partilhando experiências que ajudem a garantir a sustentabilidade ambiental, social e económica nos três sectores de actividades. O projecto da quinta pedagógica tem que ser visto de forma holística sendo, por exemplo, possível dois ou apenas um sector garantirem a sustentabilidade económica dos restantes.
- Trimestralmente reunirão todas as equipas coordenadoras, em Assembleia Geral, constituindo este um importante momento de reflexão e decisão acerca dos grandes momentos do projecto.
de auto-avaliação do projecto
A auto-avaliação do projecto será realizada por todos os agentes constituindo-se como uma ferramenta de ajuste/reajuste do projecto em função das necessidades. Momentos mais formais de auto-avaliação, com periodicidade definida como os explanados anteriormente (semanalmente, quinzenalmente e mensalmente), constituirão ferramentas de reflexão por parte de todos os intervenientes podendo essa gestão de trabalho reflexiva ser realizada na plataforma da quinta pedagógica. Pretende-se com esta avaliação que os alunos, dos diversos cursos, sejam capazes de identificar problemas e construir conhecimento através do trabalho colaborativo no sentido de encontrar soluções para esse mesmo problema.
de avaliação do projecto e dos seus resultados
Para a avaliação do projecto será constituída uma equipa que integre elementos do conselho pedagógico e os representantes locais que façam parte do conselho geral. A periodicidade desta avaliação será anual tendo em atenção os balanços mensais das equipas coordenadoras dos três grandes sectores atendendo à sustentabilidade do projecto a nível económico, ambiental e social. A avaliação incidirá em três dimensões da vertente pedagógica nomeadamente no ensino, na aprendizagem e na tecnologia.
A avaliação dos alunos enquanto participantes no projecto, procurará avaliar o seu empenho e a qualidades das soluções apresentadas. Esta componente será integrada com um peso de 10% nas avaliações de cada disciplina. Desta forma poder-se-á avaliar também a qualidade do projecto em função das aprendizagens dos alunos. A participação dos alunos poderá ser alvo de esquemas de certificação adicional, de modo a contemplar os saberes e as competências extra-curriculares adquiridas.
perspectivas futuras
No final de um ciclo de 3 anos o projecto será submetido a uma análise e reflexão de modo a decidir a sua continuidade /reformulação.
Este esforço de análise e reflexão incidirá essencialmente em três aspectos:
Objectivos Propostos
Pretende-se avaliar em que medida a estratégia utilizada (dinamização da quinta pedagógica em três sectores com envolvimento da comunidade local) influenciou a concepção holística do conhecimento por parte da comunidade educativa; contribuiu/fomentou abordagens transdisciplinares nos processos de ensino aprendizagem; permitiu promover o trabalho colaborativo e a cultura participativa entre os elementos das comunidades educativa e local.
Sustentabilidade
A sustentabilidade do projecto será avaliada nas três áreas: económica, social e ambiental, no sentido de se conhecer a viabilidade da sua continuidade. A nível económico será analisado o progresso dos balanços mensais e anuais das equipas de coordenação bem como a continuidade dos financiamentos externos. A nível social serão analisados os impactes do projecto na comunidade envolvente relativamente à troca de saberes e à integração dos alunos no mundo do trabalho em especial nas entidades locais. A nível ambiental serão analisados os impactes ambientais da quinta pedagógica e como esta área se comportou na relação simbiótica entre a área social e económica.
Resposta ao PEE actual
Será também nesse momento reavaliada a pertinência do projecto e dos seus impactes nas comunidades educativa e local, do ponto de vista do seu alinhamento estratégico com o PEE.
bibliografia
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