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Triangulação

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Triangulação

O termo “triangulação” surge na área da psicologia com Campbell e Fiske (1959, in Tashakkori e Teddlie, 1998), que se propuseram completar ou testar empiricamente os resultados obtidos utilizando diferentes técnicas quantitativas.

Webb, Campbell, Schwartz e Sechrest (1966, in Kelle 2001) retomam a ideia de Campbell e Fiske. Segundo Webb et al. a obtenção de dados de diferentes fontes e a sua análise, recorrendo a estratégias distintas, melhoraria a validade dos resultados. Também posteriormente, em 1970, Denzin argumenta que uma hipótese testada com o recurso a diferentes métodos podia ser considerada mais válida do que uma testada unicamente com o recurso de um único método. Para Paul (1996) e Jick (1984, in Cox e Hassard, 2005) a “triangulação” não se restringe à seriedade e à validade, mas possibilita uma análise mais completa e holística do fenómeno em estudo.

A triangulação tem sido referida por vários autores como uma forma de:

- combinar vários métodos qualitativos entre si (Flick, 2005a e 2005b);

- articular métodos quantitativos e qualitativos (Fielding e Schreier, 2001; Flick, 2005a), quebrando a hegemonia metodológica dos defensores do monométodo (ou método único) (Tashakkori e Teddlie, 1998);

- integrar diferentes perspectivas no fenómeno em estudo (complementaridade) (Kelle, 2001; Kelle e Erzberger, 2005; Flick, 2005a);

- descobrir paradoxos e contradições (Kelle e Erzberger, 2005);

- desenvolvimento, no sentido de utilizar sequencialmente os métodos para que o recurso ao método inicial informe a utilização do segundo método (Greene et al., 1989);

- facultar um retrato mais completo e holístico do fenómeno em estudo Paul (1996) e Jick (1984, in Cox e Hassard, 2005);

- permitir, através de protocolos, a procura de rigor e explicações alternativas, o que por vezes, através de observações adicionais leva à necessidade de rever interpretações (Stake, R., 2009);

Segundo Norman Denzin (1989) existem quatro protocolos/categorias:

Triangulação das fontes de dados: permite verificar se o que estamos a observar e a relatar se mantém inalterado em circunstâncias diferentes. Denzin propõe que se estude o fenómeno em tempos (datas – explorando as diferenças temporais), espaços (locais – tomando a forma de investigação comparativa) e com indivíduos diferentes.

Triangulação do investigador: consiste em outros investigadores observarem o mesmo fenómeno e apresentarem as observações (com ou sem a sua interpretação) proporcionando, através das interpretações alternativas, o debate.

Triangulação da teoria: consiste na utilização de múltiplas perspectivas, em vez de uma perspectiva simples em relação ao mesmo conjunto de objectos. Diferentes interpretações e significados alternativos podem ajudar os leitores a compreender o caso.

Triangulação metodológica: consiste em utilizar várias abordagens, que permitem realçar ou invalidar algumas influências exteriores.


Apesar de diferentes designações para muitos pesquisadores, a triangulação consiste no uso de múltiplas técnicas de recolha de dados (geralmente três) para investigar o mesmo fenómeno, facultando o cruzamento de informação e promovendo uma maior reflexão.

A triangulação, por um lado, permite estabelecer ligações entre resultados obtidos por diferentes métodos, promovendo uma melhor ilustração e compressão dos resultados. Por outro lado, pode evidenciar paradoxos que levam a tomar outro rumo relativamente ao problema. Segundo Stake (2009), por vezes, através de observações adicionais, é necessário rever uma interpretação.


“Para Denzin e muitos investigadores qualitativos, os protocolos de triangulação passaram a ser uma busca de interpretações adicionais mais do que a confirmação de um único significado (Flick, 1992)”, citado por Stake (2009, p.128).


Segundo Stake (2009), para que se possa triangular, a descrição do caso terá que apresentar um corpo substancial de descrição incontestável. O relato deverá ser muito minucioso, relatando-se, por vezes, o que o leitor já conhece, assegurando-lhe que a descrição está correcta. Contudo, para qualquer afirmação descritiva e interpretação poderá ser necessário a triangulação.

Paul (1996) e Jick (1984, in Cox e Hassard, 2005) referem que a triangulação não se limita unicamente à seriedade e à validade, mas permite produzir um retrato do fenómeno em análise mais completo e holístico. Fielding e Schreier (2001) salientam que a mais-valia da triangulação consiste não em retirar conclusões fidedignas e precisas, mas permitir que os investigadores sejam mais críticos, e até cépticos, face aos dados recolhidos.

[1]

Bibliografia

Cox, J. W. & Hassard J. (2005), “Triangulation in Organizational Research: a Representation”, em Organization, 12: 1, AB/INFORM Global, pp. 109-133.

Denzin, N. K. (1989). The Research Act. Englewood Cliffs N. J.: Prentice Hall.

Fielding, N., & M. Schreier (2001), “Introduction: On the Compatibility between Qualitative and Quantitative Research Methods”, In Forum Qualitative Sozialforschung/Forum: Qualitative Social Research (revista on-line), 2: 1 (54 parágrafos). Disponível em: http://qualitative-research.net/fqs/fqs-eng.htm

Flick, U. (2005a). Métodos Qualitativos na Investigação Científica. 2.ª ed., Ed. Monitor.

Flick, U. (2005b), “Triangulation in Qualitative Research”, em Flick, U., E. V. Kardorff, e I. Steinke (eds.), A Companion to Qualitative Research, Sage, pp. 178-183.

Greene et al., 1989 - Greene, J. C., V. J. Caracelli, e W. F. Graham (1989), “Towards a conceptual framework for mixed-method evaluation designs”, em Educational Evaluation and Policy Analysis, 11, pp. 255-274.

Kelle, U. (2001), “Sociological Explanations between Micro and Macro and the Integration of Qualitative and Quantitative Methods”, em Forum Qualitative Sozialforschung/Forum: Qualitative Social Research (revista on-line), 2: 1 (43 parágrafos). Disponível em: http://qualitative-research.net/fqs/fqs-eng.htm

Kelle, U. & Erzberger C. (2005), “Qualitative and Quantitative Methods: Not in Opposition”, em Flick, U., E. V. Kardorff e I. Steinke (eds.), A Companion to Qualitative Research, Sage, pp. 172-177.

Paul, J. (1996), “Between-method triangulation in organizational diagnosis”, em International Journal of Organizational Diagnosis, 4, pp. 135-153.

Stake, R. (2009). A arte da investigação com estudos de caso. Lisboa. Fundação Calouste Glubenkian

Tashakkori, A. & C. Teddlie (1998), Mixed methodology. Combining qualitative and quantitative approaches (Applied Social Research Methods Series, vol. 46), Londres, Sage.


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